segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Do amor que chegou em mim (e ficou).

(Baseado em texto de Fabrício Carpinejar)


Demonstramos o amor rapidamente em atitudes. Só que o amor mais lento e forte é aquele feito em palavras. Quando as palavras são ações. Quando as palavras não podem ser apagadas, porque tem alguém do outro lado para ouvir e anotar na pele. Quando tem alguém do outro lado para pedir que elas se cumpram. Quando tem alguém do outro lado para cuidá-las. Dar a palavra é dar um beijo sempre. Dar a palavra é não se esconder no medo. Dar a palavra é curar o coração do outro. Dar a palavra é confiança. Dar a palavra é honra. Dar a palavra é fidelidade. Dar a palavra é confidência. Dar a palavra é admirar o que tem dentro da palavra. É habitar a palavra, é morar com a esperança dentro da palavra. Eu sou uma pessoa de poucas palavras. Sempre contida nos sentimentos. Sempre reservada nas emoções. Sempre cuidadosa na hora de comentar minha vida. Mas tudo o que eu digo é intenso, é tumulto da verdade, eu não voltarei atrás. Tudo o que prometo é tão pensado, tão desejado, tão arrebatado, que não tem mais como destruir. O tímido não mente, só demora a se entregar, pois pretende ter confiança para não iludir ninguém, nem a si mesmo. A palavra, para mim, não é brincadeira, a palavra é fato. Quando eu falo, o corpo inteiro fala. Quando eu falo, o pulmão inteiro bombeia o som da respiração. E quando eu digo "eu te amo", eu escolhi o único homem que seria capaz de ouvi-lo. O único homem que merecia esta frase.


Para ele, que sabe do amor e dos dias azuis.

domingo, 10 de agosto de 2014

Sempre haverá um amanhã.

Têm dias que acordamos e pensamos em desistir de tentar, como naquele jogo da loteria que semanalmente você aposta e nunca deu em nada, nem uma quadra, nem uma quina, nem um real de bônus. Cansa, e você desiste. Mas acontece que têm dias que você acorda e vem aquela brisa de esperança, aquele sonho com números durante a noite, aquela sensação que dessa vez pode dar certo, aqueles dedos cruzados na torcida, aquela superstição, aquela vontade, e você sai correndo e aposta, e confia novamente, e dá uma chance. E sabe de uma coisa? Às vezes dá certo, às vezes não dá por um número, mas em compensação, te dá uma confiança enorme em apostar outra vez.

Na nossa vida acontece da mesma forma. Há pessoas que passam por ela e deixa aquela bagunça, coração para um lado, corpo para o outro, paredes sujas, cacos de vidro no chão, e você se corta. Cansa, e você desiste. Mas têm dias que você acorda com força de recomeço, e, de repente, aparece alguém disposto a pintar suas paredes de vermelho, a limpar os cacos de vidro no chão, a cuidar das feridas que ele causou nos seus pés, colocar o coração no lugar que deveria estar, recompor seu corpo. Alguém que não pede nada além de você ali, inteira. Alguém que faz com que você queira se reconstituir, esquecer os cacos de vidro e olhar para frente. Alguém que te dá uma confiança enorme em apostar outra vez.

Eu aposto.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O universo nos junta com quem nos soma.

Pouco importa o seu nome ou de onde você vem, se o que você me traz é verdadeiro assim, se o que você me diz me dá segurança em um mundo tão cheio de maldades, se o que traz na bagagem me dá confiança para seguir junto.

É bem verdade o que dizem por aí: "Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada." E eu só queria uma caixa pequena, branca mesmo, com um detalhe qualquer, mas aí me vem você: uma caixa enorme, multicor, com três laços gigantes em cima. Sim, muito mais do que eu almejava.

Obrigada por me entender, por me respeitar tanto, pela preocupação e cuidado que você tem comigo, por ter tanta paciência nos meus dias conturbados, por tanta confiança e amor depositado esperando com toda a calma do mundo que dê tudo certo.

Obrigada por transformar meus dias nublados em dias melhores, por me fazer uma pessoa mais leve, por dar cor às minhas manhãs, por me acompanhar, por remover todo o rancor que os outros deixaram no meu peito, assim, como quem cuida de uma ferida diariamente até cicatrizar.

Você, sim, é diferente de todos os outros. Eu aceito. Eu te aceito em mim.

domingo, 31 de março de 2013

Farinha do mesmo saco.

"Se for pra terminar, termine direito. Sem contatos, sem telefonemas, sem mensagens de saudade, sem nada."

Só queria te pedir para parar de destruir meu telhado, a chuva está chegando e você já foi embora há dias. O prêmio não é valioso em um jogo de trapaças, e meu sorriso, antes tão largo, já apresenta outro semblante quando falo de você. Você me curou, e bem sabe disso, mas agora faz questão de destruir tudo, na mesma proporção, até deixar como encontrou, egoísta que é.
Não estraga o que você deixou de bonito em mim, não pinta de cinza o arco-íris que demorou tanto para surgir, não (im)planta espinho onde só tem espaço para flor.

E eu que dediquei tanto carinho a você, te resgatei na tua pior turbulência, estive ao seu lado quando mais (e quando menos) precisou de alguém, terminei como pó. E você, a quem eu dizia que era "o avesso do avesso do avesso do avesso", não passava de farinha do mesmo saco.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

(Sobre)viver.

Vim acender as luzes dos corredores, abrir as gavetas, porque palavras também podem mofar, eu sei. Vim varrer as teias dos cantos e soprar a camada de pó sobre os móveis, para que a casa não pareça abandonada. Vim recolher o excesso de cartas que impedia a abertura da porta. Os envelopes quase desbotados espalhados pela entrada. Jogar o lixo. Vim para deixar um bilhete, pendurado no canto do espelho, escrito em letras tortas e apressadas para os que ainda entram neste labirinto escuro tateando pelas paredes.

Durante anos sustentei um segredo, pessoas que o viveram comigo não fazem mais parte dos meus dias, e depois de tantos anos ele não me incomodava mais, até porque eu o deixava quieto, dormindo, cantava cantigas de ninar e ainda fazia carinho, para que ele não ressurgisse e me atormentasse enfim. Mas de vez em quando vinha alguém e me lembrava que ele existia, embora indiretamente, e então minha paz acabava e passava dias carregando sentimentos ruins, atingindo pessoas que tentavam se aproximar, machucando, e doía, e doeu.

Doeu como corte no dedo e álcool depois. Como caco de vidro no pé e uma longa caminhada. Como espinho, sem querer, na tentação de colher a flor. Doeu como lábio mordido por dentro. Como dedo mindinho batido na quina. Como soco no estômago. Como unha encravada. Puxão de cabelo. Como queda de escada. Arranhão e água de mar. Pancada. Doeu como fratura exposta. Inflamação. Como gelado descendo na dor de garganta. Doeu como tapa de mãe quando se é criança. Como tapa na cara. Dedo na tomada. Parto natural. Doeu muito mais do que você imaginava. E eu não encontrava remédio nenhum que curasse esse tipo de dor.

Certo dia espetaram meu segredo tão forte que inflamou. Decidi: Tinha que contar. Minha condição foi que ninguém me interrompesse, queria vomitar tudo de uma vez só, rápido como quem tenta fugir daquilo há tanto tempo. Ainda bem que era entre amigos, que havia amor em cada canto, e bebida, claro, pra eu me afogar se nada desse certo. Mas deu. Minha paz aumentou, e tirei uns 1488 quilos das costas. Se resolveu meus problemas? Não. Mas me senti como se tivesse dividindo aquele peso com pessoas de minha confiança, e estava.

Meu único problema depois disso foi o que eu já previa e o que me impedia de ter contado antes. O fato de contar me trouxe de volta toda aquela situação, que não quer mais sair de mim, que não quer mais ir embora, que me fez procurar diariamente, alimentar, fazer crescer a cada dia o que já virou pó há tempos. E eu ainda continuo sem encontrar remédio nenhum, apesar de seguir (sobre)vivendo. É como diz uma frase que li por aí um dia "Sério, eu estou bem. Mas qualquer sopro seu me derruba".

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Da melhor das amizades.

Eu te amo. E o meu amor não tem importância alguma para o mundo. Ele não desloca nenhum pássaro, flor, folha, galho, nenhum vento que se preze. É imperceptível, mesmo que os olhos desmintam. É apenas uma paisagem interna. Meu amor é algo que atravesso. Não quero que ele um dia cristalize. Nem que se transforme em tristeza. Nem que inexista a cumplicidade. Ou se torne amargo. Por isso, eu o atravesso. Continuo a atravessá-lo. Eu me atravesso a mim. Como quem desaparece dentro da chuva, ou na claridade incessante. Com vento de tempestade dentro. Arrancando todas as folhas. Com o ruído flamejante que se escuta quando um tigre beija com cuidado um pássaro caído, para não machucá-lo: eu te amo. Eu derrapo por esse lugar perigoso: o meu amor. A todo momento, essa mulher que me atravessa precisa de se lembrar de si, e de mim, e da paisagem inteira, e percorrê-la de volta, sem previsões e sem mapa. Para que seu amor finalmente se explique, e revele a substância de que é feito: a menina que fui, o céu azul, o sol intenso, e tudo que então brilhava, os bichos, os livros, o pé de acerola, goiaba com leite condensado, o branco, o limpo, o simples, e meu coração. Meu coração que não tem importância alguma para o mundo. É só uma pequena parte de todo o amor que você ainda vai receber da vida, das pessoas, talvez de um céu iluminado de tarde, apenas uma pequena parte de todo amor que você vai receber escondido, gratuito, e reservado, ou gritado, e duramente arrancado, da vida. Mas é tudo que tenho, meu coração branco para o mundo, mas em cores, e limpo, e pulsando. É com ele, e dentro, e perceptível para nós, que eu te amo. É tudo que tenho para você, para te fazer feliz com meu coração batendo, e com meu coração te guardar da noite ou dos perigos. É ínfimo e íntimo, imperceptível como um vento nos galhos, ou um acariciar no vazio, mas gigante para quem sabe ver com os olhos de dentro: o meu coração, com o amor batendo.

Por todo o amor que eu encontro em você, eu serei eternamente grata. É você quem me vê além do imperceptível para o mundo. Você é a minha força quando eu estou fraca, minha segurança, o que eu tenho de concreto, você é a minha voz quando eu não consigo falar, você enxerga o melhor que há em mim, me levanta quando eu não posso alcançar, você me dá fé quando acredita junto a mim. Eu jogo minha fé pela janela e você a traz de volta, você diz que nenhuma estrela está fora de alcance, você me apoia e eu fico de pé. Embora as mentiras do mundo, você é a verdade. Se eu tenho o seu amor, eu tenho tudo. (Sem drama, sem clichê, sem coraçõezinhos flutuando). Agora eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer quando você me entristece.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

I should even try.

Talvez ela estivesse mesmo certa quando disse que "sustentar o silêncio é, muitas vezes, mais difícil do que gritar descabelada por qualquer coisa que seja", e talvez o meu íntimo seja mais íntimo do íntimo dela do que ela pensa. É que ser, para mim, é uma coisa meio que vai na contramão de mim mesma e às vezes bate, mas eu não chamo a polícia, assumo o prejuízo que sou de declarar meu ruim e meu bom, sim, com um certo embaraço, que não ser tudo que se pode é caso de chorar no travesseiro de noite e olhar pro chão quando se cruza com quem é até o que não deve ser, mas eu sou assim. E daí vão me adivinhando, e de pedaço em pedaço vão me montando, é, às vezes encaixando na ordem errada, mas eu sei, a culpa é desse meu silêncio que fala mais alto que tudo que eu tento dizer.

I'll be sweeter. I promise. For you do not feel alone. For I do not feel suffocated. I should even try. I'll try.

domingo, 22 de abril de 2012

"Mar e Ana"

Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, de longe, sem palavras ditas, sem sorriso largo no rosto. E se é, ela faz da situação armadura para se proteger. Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, na distância, sem conversa fiada, sem beijo estalado na testa. E se de longe tudo é mesmo pequeno, restrito, preconceituoso, quem se importa? Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, mas quem não se atira não sabe que por dentro ela é um mar. Mar de noites regadas a vinho, de lua. Mar de dias calmos, claros. Mar que alivia, que dá cor aos olhos, que resplandece. Mar que se apossam, poluem, destroem, se afastam, e depois percebem a importância. Cuidam, mas nem sempre salvam. Mar de mergulho fundo, para enxergar a magia que vem de dentro. Mar de pedras. Pedras que só ela vê a beleza lapidada. Mar de um minuto prendendo a respiração, olhos fechados, paciência, para ver se suporta. E sempre suporta. Mar que atrai os olhos e o sorriso das mais diferentes pessoas. Mar que guarda segredos, confissões à meia-noite. Mar que salva nos momentos mais conturbados, que tira as impurezas. Mar que disfarça o choro, que lava as mágoas. Mar de imensidão, de azul, de vida, que se desgasta quando é afetado, mas que sempre se renova, se auto renova. Eu me atiro.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Da saudade que sufoca.

Sabe o que é Minéia? É que ninguém nunca vai entender quando eu disser como é olhar para uma foto sua e me sentir imune, querer tirar você de lá. É que ninguém nunca vai entender quando eu disser como é lembrar de ti e ficar pensando "Ah, se Vinícius de Moraes te conhecesse, minha flor! Se ele lesse a poesia que eu via em seus olhos... Ah, se todos fossem no mundo iguais a você..." É que ninguém nunca vai entender quando eu disser como é dar um beijo todos os dias numa fotografia e desejar boa noite, antes de dormir. Ninguém nunca vai entender. Por isso que eles dizem "não fica assim", "tudo vai dar certo", "daqui a pouco você nem se lembra disso", quando às vezes só precisamos de um abraço. Eles dizem, minha flor, mas eles não sabem, não sabem que o silêncio de um abraço muitas vezes é bem mais precioso do que certas palavras, não sabem que há um ano eu me lembro de você todos os dias, e mesmo que saibam eles nunca vão entender o filme que passa na minha cabeça e toma conta do meu corpo todos os dias quando isso acontece. É triste saber que falta algo e que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar... Mas ninguém nunca vai entender.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um dia de silêncio, Minéia.

Um ano, meu anjo. Um ano sem você aqui. Eu poderia até dizer que já faz muito tempo, se no meu coração eu não sentisse que faz muito mais. Quando não se segue a lei natural das coisas fica difícil de acreditar, difícil de conviver. Todos nós imaginamos que um dia perderemos nossos avós, nossos tios, nossos pais... Mas nossos amigos vão estar conosco a vida toda, "temos tanto ainda por viver". Estipulam que viveremos 80 anos e esquecemos as exceções... Pensamos que vai ser sempre assim, que estaremos velhinhos lá na frente jogando baralho enquanto relembramos nosso tempo de faculdade... E daí um dia você sai de casa, cheia de sonhos na bagagem, com um sorriso que não cabe no rosto de tão grande, com a felicidade estampada em cada parte de si, e nesse dia você não volta. Os amigos não morrem, até que acontece. Um ano, minha flor. Um ano sem você aqui. Em um ano se constrói uma vida, mas não traz a sua de volta.

Ah, por favor, não diz para ninguém: Chorei à noite inteira.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

E se o amor for só uma opção?

Eu consegui ser eu mesma com você, porque desde o início eu sabia que não iria dar em nada. Você me fazia rir a cada duas palavras que dizia, mas eu não achava você bonito. E eu achava você muito menino. E enquanto você se apaixonava (e eu permitia) eu ia indo embora pelos cantos. E agora eu escrevo para pedir desculpas, eu não devia ter feito isso. Eu fui egoísta e já faz tanto tempo. E eu não demorei muito para perceber, sentir ciúmes loucamente, te achar a pessoa mais linda desse mundo de todos os ângulos - inclusive e principalmente por dentro - e correr atrás de você por anos como uma boba que toparia qualquer acordo que você propusesse. Só me esqueci que não tem acordo pro amor. Hoje eu lembro de você, o amor foi só uma opção, temos um laço muito forte, uma amizade linda, mas distante (o que não quer dizer nada), e eu só queria agradecer, porque foi você que me fez ver que mesmo eu sendo eu mesma alguém poderia gostar de mim.


Para ele, que sabe dos dias, da saudade e do amor.

sábado, 24 de dezembro de 2011

"Um coração alegre formoseia o rosto."



Minha Anjinha,


Vamos passar este ano o primeiro Natal sem a tua presença... Mas olha que coisa! Enquanto tantos aqui na terra esperam o Papai Noel, você está com o Papai do Céu aí do teu lado, que é o símbolo vivo do Natal e que muitos esquecem neste dia. Sinto uma inveja bonita de ti, por isso, mas por outro lado sei que o Papai do Céu vai continuar intercedendo por nós aqui na terra junto a ti, nos guiando em cada dia de 2012 por um caminho de flores. Caio Fernando Abreu um dia disse algo que eu queria ter escrito para você. Ele falou que ontem, por incrível que pareça, todos os lugares que pisei eu te procurei e que fiquei feliz em poder continuar sentindo tua falta a cada dia, pois a falta mostra o quanto necessitamos de algo ou alguém, e que é assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz.

E era bem isso que eu queria te dizer hoje. Que você permaneça, porque eu te necessito nos meus dias, esteja você perto ou longe. Que você permaneça, porque eu te necessito iluminando a minha vida, colocando sorrisos no meu rosto, me dando força para me reerguer, para continuar minha trajetória. Que você permaneça dentro mim, no lado esquerdo.


Se cuida, minha flor. Gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você, sem pausas. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Uma nota de carinho (e delírio).

"Doce é sonhar.
É pensar que você
Gosta de mim
Como eu gosto de você!"
[Tom Jobim]


É quando deito a cabeça em teu peito e faço de conta que o algodão da tua camisa é a textura do teu coração. Deve ser. Não pode ser engano meu, pois é macio demais. Igual você é por fora. O que me faz crer que teu coração e todo o teu resto é macio também.

É quando meu polegar pressiona seu pulso, de leve, e faço de conta que já estou lá, no teu coração. Só enquanto não me deixa segurar tua mão. E eu me sinto minúscula quando te abraço e encosto a minha cabeça nesse teu peito gigante.

É quando estamos em pé esperando pelo ônibus que não passa e eu rezo para que ele não passe, pois eu não quero te soltar, porque quando te abraço, o resto do mundo é só paisagem, é passagem. E eu me sinto minúscula assim. Minúscula e gigante de um amor cintilante. Aquele que não muda as minhas cores, mas pelo contrário, as protegem e traz mais brilho.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Festa no Céu.



"Ela era bonita. Mas não era bonita e só - como a maioria dos bonitos, ela era bonita e tinha muitas outras coisas na bagagem." [CFA]


Minéia,

Hoje você completaria mais um ano de vida, se todos os planos que fazíamos não tivessem sido paralisados, se todos os olhares e sorrisos tão raros que te pertenciam não tivessem deixado de alegrar a terra, para alegrar o céu.
Este ano é seu primeiro aniversário que não te temos aqui para te dar um abraço forte e te desejar juízo e eu não sei como é a contagem dos anos aí em cima, mas tenho certeza que hoje está tendo festa grande por aí.
Me orgulha tanto você, independente da onde esteja agora, independente de como esteja agora. Me orgulhava tanto o teu jeito de trazer o lado bom das coisas, das cores. Me orgulhava tanto o teu jeito de ser feliz e de fazer feliz quem estava ao seu redor, tua definição do que era ser feliz, teu coração que era a prova transparente da tua felicidade.
Poderia até tentar somar cada pedacinho que tu deixaste aqui, modelar e reparar todas as dores daqueles que, assim como eu, sentem tanta falta de ti, mas não seria nunca a mesma coisa. Desde que tu partistes já não é a mesma coisa viver, sonhar, sorrir, chorar, trazer o lado bom das coisas... E das cores?
Agora só o azul bonito do céu. Só o céu resplandece seu azul incandescente pela tua presença, e o sol escaldante substitui os dias de chuva, de choro. As nuvens até parecem sorrir por ter te levado de nós. Que cores? Se todas quiseram te acompanhar?
E mesmo com todos os muros que te separam da nossa cidade, ainda preciso acreditar que a vida nos fez para ser feliz, e o teu coração me diz o mesmo. E vamos seguindo...
O choro passa, a angústia passa, a dor acalma, as horas passam, os dias passam, o desespero passa, a revolta passa, a “uva-passa”, mas você permanece. Permanece luz nos nossos corações, ar nos nossos pulmões, força no nosso caminhar. E a cada ano que passar, tu continuará completando mais um ano de vida, para mim, como estes vinte e dois anos que tu completas hoje, independente de onde tu estejas, independente se não chamam mais isso de vida. Para mim, e para muitos, eu sei, tu continuas no meio de nós, viva como luz, como anjo, como seja lá o que for, mas viva, nos salvando todos os dias de todo o mal do mundo e nos fazendo acordar a cada manhã com a certeza de um dia melhor. 

Parabéns, meu tesouro!
Aproveita muito o seu dia e se cuida bem.


"E mesmo sorrindo por aí, cada um sabe a falta que o outro faz." [CFA]

domingo, 24 de julho de 2011

"...Tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado..."


A cada perda, a cada desengano, costuma-se deixar de acreditar. E eu que achava que não acreditava mais em quase nada, ainda acredito em muita coisa. Acredito como quem corre desesperadamente atrás de um ônibus e ao se aproximar o ver partir. Acredito como quem espera a chuva no mês mais quente do ano e nem pode vê-la cair na madrugada. Acredito como quem vê o menino que passa pedindo um carrinho num domingo de manhã na rua, de porta em porta. Acredito como quem há alguns anos esperava a música favorita tocar na rádio pra poder gravar numa fita cassete. Acredito da mesma forma com que as moças acreditam poder pegar o buquê da noiva após o tão esperado casamento. Acredito como quem torce por um time de futebol na zona de rebaixamento e vê seu time subir inúmeras posições na tabela. Acredito como quem teme o assalto e que acha que será assaltado a qualquer instante, embora o assaltante nunca tenha aparecido. Acredito como quem estuda o ano inteiro pra fazer uma prova de vestibular, não consegue aprovação e no ano seguinte tenta novamente. Acredito nos casais que se amam e não escondem, da mesma forma que acredito na sinceridade silenciosa dos que preferem se reservar. Acredito nas palavras não ditas, nas benditas, nas mal-ditas e principalmente nas ditas. Acredito também no silêncio ou nas vozes que perduram num olhar. Acredito no olhar. Acredito no sorriso contido e na gargalhada que não se consegue conter, na lágrima sofrida e principalmente nas lágrimas escondidas. Acredito na força que se adquire a cada desilusão e acredito mais ainda na força da reconciliação. Acredito na poesia que se encontra numa frase e no texto que se faz poema. Acredito nos poetas. Acredito nos reencontros casuais, em telefonemas inesperados e em festas surpresas. Acredito e admiro isto e outras coisas, da mesma forma que desconfio. E ainda assim, acredito.

Hoje faz 13 anos que meu avô foi morar com Deus e eu completo 22 anos de vida com uma vontade enorme de viver mais 22, e mais, e mais, e mais...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

De uma saudade sem remédio.


Para Verônica Franco.

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também...

Nosso coração é bicho do mato... Quando cisma de ficar acanhado em um canto, não tem quem o tire de lá. Tem horas que ele contrai e parece que permanece. Fica lá doendo e não tem palavra nem remédio que dê jeito. Tem situações que o faz latejar forte, mas ele sobrevive... Porque coração é assim mesmo: faz e ouve somente aquilo que lhe é conveniente. Ele sobrevive porque destruir não é nada simples quando se trata de um Amor. Um Amor cheio de pedrinhas preciosas e sentimento bonito, de momentos ímpares, de apoio e de vontade de ir em frente, correndo a qualquer lugar, ainda que não se tenha propósito de chegar. Sobrevive pelos olhos que ainda brilham, pelo vento gelado no estômago, pelo peito acelerado ao ver uma foto, pela vontade de gritar pro mundo inteiro e as galáxias mais próximas ouvirem dessa saudade que nós sabemos o quanto aperta. Sobrevive pelas mãos que ainda se buscam para o abraço, pelo sorriso desconfiado no canto da boca que não se consegue conter ao lembrar-se dela, pelas lembranças eternizadas, por querer tanto ela aqui, por ser tão puro. Porque os dias de tempestade não duram pra sempre, e um dia novo sempre surge depois de uma noite difícil. Porque o inverno é um tanto frio, mas anuncia a primavera, e tudo muda depois. Tudo muda. Sobrevive porque até o nosso campo quando seca, e os nossos girassóis quando se abalam, permanecem belos e vigorosos, alegres, firmes como o que carregamos no peito. Sobrevive. É preciso ter fé para que o choro possa se transformar em cores, em arco-íris reluzentes, e daí começar a ver a possibilidade de um futuro melhor. Porque apesar de toda a dificuldade, sempre há uma chama, ainda que pequena, de esperança. Por isso e por um tanto mais, o coração sobrevive. Sobrevive aos abalos e aos obstáculos.

Quando eu era criança e ia viajar de carro com meu pai, sempre tinha medo dos dias de chuva. Eu era pequena, mas já sabia e já conhecia o que podia ser considerado ruim. Eu apertava minhas mãos bem forte como se eu pudesse me proteger... Na maioria das vezes eu dormia, mas eu percebia que não era em vão, pois quando eu acordava, ao olhar pela janela, por entre as árvores que pareciam correr e os pássaros que pareciam voar na mesma sintonia que o carro, lá estava um lindo e resplandecente arco-íris. Para aqueles que já conhecem um pouco de Física e entendem o que está por trás de um arco íris, pode não ter graça, mas para os olhos de uma criança aquilo era mágico. Com o passar dos anos, os arco-íris vão sumindo ou simplesmente deixamos de percebê-los, o sol parece ferir a nossa pele, as estrelas não têm mais tanto brilho ou simplesmente nós as esquecemos, lá no céu. Mas as tempestades? Essas continuam a surgir do nada, e quase nos afogam. Talvez seja uma lição que algo em algum lugar do mundo nos dá, para que possamos dar valor ao que é bom e eterno. Tão eterno quanto à esperança que não deve morrer afogada nessa tempestade. Não podemos parar. Precisamos remar diante da tempestade. Deus não te daria uma tempestade tão forte se ele não soubesse que você era forte o suficiente para remar contra ela. Então rema! Sei que é complicado ouvir isso dito desse jeito, assim como é complicado, para mim, falar isso, por se tratar de uma dor que não tem remédio nem palavras que possa curar, mas se precisar de um bote salva-vidas, grita! Tem muita gente do teu lado, tentando encontrar uma forma de te ajudar, de amenizar - um pouquinho que seja - essa saudade toda que aperta e parece não ter fim. Eu só peço que você nade enquanto houver ar nos pulmões, força nos braços e vontade no coração.

Hoje é o seu aniversário, um dia especial para a senhora, talvez nem tanto pelas circunstâncias que nos cercam, e é por isso que eu estou aqui. Queria poder contribuir de uma forma melhor, mas infelizmente não sei como fazer isso. Então só me resta algumas palavras, que podem ou não fazer sentido, podem ou não fazer diferença, mas que são de coração. Tenho certeza que o nosso tesouro está muito feliz vendo isso tudo, e isso para mim já é muito importante. Desejo, de coração, que o seu caminho tenha menos tempestades e mais sol e luz iluminando os dias. Que tenha menos pedras na estrada e mais céu azul, como o de hoje. Que sempre tenha uma mão que te apóie e um ouvido que te ouça. Nossa estrela está lá no céu sim, e ela é cadente. Tenho toda a certeza do mundo que ela está e estará sempre olhando por nós, e principalmente por você: mãe.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

"Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim?"

Os dias não são os mesmos. O mar nunca vai ser como aquele. A minha fisionomia mudou, tudo está diferente. E dói, e como dói termos fechado aquela janela cheia de navios. Eu estou aqui agora, e tudo está tão diferente. Como uma chuva tão igual à de sempre, pode ter perdido tanto a graça? Agora ela é tão triste, parece chorar o que antes exaltava e cantava. Pedem que eu não me desespere, que eu respire, que eu ande, mas eu me desespero mesmo assim. É muito para mim: tudo acontecendo desse jeito, e eu aqui. Uma das tantas hipóteses que eu tenho sobre a saudade é que talvez ela seja um troço que se aloja no corpo e, às vezes, come um pouquinho da gente. Não é que eu tente não sentir a sua falta, é que ela está no meu caminho e eu preciso seguir. Você entende? Eu preciso ir aprendendo a lembrar bonito dessa parte amputada de mim que ninguém vê. Você me perdoa por eu estar conseguindo mascarar a saudade tão bem? Por não estar conseguindo enganar a mim mesma com essa história toda e ainda chorar quase todas as noites? Por estar chegando a algum lugar nenhum?...

Esses dias a saudade tem andado tão juntinho de mim, Tesouro...

sábado, 2 de abril de 2011

"Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade..."


“Uma vida contém muitas vidas”. Contém despedidas, contém alegrias, contém ausências, contém histórias. Histórias repetidas, histórias não vividas, histórias contadas, palavras nem sempre ditas, palavras declamadas. Uma vida contém dias inteiros, dias compartilhados, dias de silêncios. Uma vida contém canções, poesias, amores vividos, amores terminados e grandes amigos. “Uma vida contém muitas vidas”, lembranças, abraços e partidas.


Se todos fossem iguais a você, as paredes teriam a cor da felicidade estampada. Os passos seriam leves. O sorriso, fácil. As notas de rodapé estariam todas em letras maiúsculas. Pediriam cuidado. Seriam distraídas e poéticas. Se todos fossem iguais a você, os dias seriam mais leves. As palavras seriam ditas mais claramente e diretamente, embora sem magoar. O orgulho seria retraído e o perdão antecipado. A atenciosidade e o cuidado se sobressairiam. Se todos fossem iguais a você, as horas seriam menos exaustivas. As piadas teriam mais graça. Todos os dias seriam de festa. Teria sol em todos os meses do ano. O sentimento seria mais exposto e a verdadeira amizade teria o significado que lhe cabe. Se todos fossem iguais a você, haveria mais dedicação. Haveria mais carinho, mais abraços, mais companheirismo, mais conversa, mais amor ao próximo, mais dias claros e menos detalhes. Se todos fossem iguais a você, os momentos seriam mais fáceis. O rancor seria demolido e o amor exaltado. Os campos seriam de girassóis, lindos e vivos. Os dias soariam como música ao pé do ouvido e uma risada ecoaria sempre aos quatro cantos.

É preciso abraçar a leveza para se pertencer, e alguns encontros e despedidas para ser [in]completo. Esta música fala sobre isso. Das coisas que não temos mais. Das coisas que teremos para sempre...

Sinto tua falta como se não tivesse mais parte de mim. Foi você que sonhou todos os meus sonhos comigo, que me fez forte e, que com sua ausência, me deixou tão frágil.

Hoje faz dois meses que você nos deixou e a saudade que você me faz não é nada que se possa dizer nem conter. Só você mesmo para ter idéia da falta que essa sua cara de bobalhona, como você mesmo dizia, me faz. [E que saudade, em Marley?!].

Se cuida, meu anjo. Por favor, se cuida bem.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"Só estou tentando deixar as coisas um pouco mais bonitas...”

Eu já estive no fim de uma nuvem em dias de calor escaldante, e chovia forte sobre quem estava ao meu lado, mas sobre mim só a neblina. E já me faltou o último número para que o meu bilhete de loteria fosse o premiado, e a minha boca sentiu o gosto acre de ser quase vencedor. Eu corri para parada de ônibus e quando chegava, ofegante e suando, o ônibus partia. Meu avô se foi minutos antes da minha festa de dez anos, que não aconteceu, mas me recordo dele ainda deitado ao meu lado, pedindo que na sua falta celebrassem meu décimo ano como se fosse um acontecimento histórico. Guardo lembranças que quase deixei cair, por falta de atenção, mas recuperei em um só bote por não ter nada além disso. Perdi shows de artistas preferidos. Perdi amigos e me senti o pior de todos os seres humanos e tive que buscar em mim meu melhor amigo. Já tive mais de cem contatos na agenda e nenhum que eu pudesse ligar às quatro da manhã e chamar para me acalmar o choro. Já tive que recomeçar do zero tantas vezes e nem sempre tinha alguém para me dizer que eu podia mais uma vez e que dessa vez daria certo. Apostei meu esforço em jardins que floresciam junto, depois de eu ter que partir para outro lugar. Já parti quando o que tinha que fazer era ficar. Já fiquei quando o que tinha que fazer era partir. Já respondi quando eu tinha que calar. E já calei quando o que eu tinha que fazer era me expor. Já me senti impotente por não poder converter doença em saúde. Já perdi chamadas importantes, já recebi telefonemas que preferiria não ter recebido, já fui a última a saber, já cheguei tarde à última sessão do cinema do último dia de exibição daquele filme que eu estava louca para assistir. Não ouvi o despertador alarmar e perdi o melhor da festa. Tantos desencontros e eu sem entender o que eu fazia aqui. Até que você chegou para que eu entendesse que destino é isso mesmo... Há coisas que são para nós, há coisas que são vaidades… E há coisas que precisam seguir sem que sejamos os donos da verdade. Há perdas que nos fazem crescer, há outras que nos farão sorrir, e outras que precisamos mesmo perder para que o universo possa se equilibrar. Há uma sucessão de felicidade para quem decide ver com os olhos que se deve ver. Sem querer tudo para si, sem ser um gigante infalível, sem ser o insosso “Deus-humano”. Há felicidade depois da tristeza. Há choro, mas também há riso. Há dias sem esperanças, mas há dias de sonhos e sonhos e sonhos. Há dias de pouco-quase-nada, há dias de mesa cheia sem ter ninguém para dividir. Mas a gente vai seguindo, porque ouvimos em algum lugar da estrada que é isso que precisamos fazer. E vamos acreditando... E eu quero acreditar que é necessário seguir apesar de. E apesar de é preciso viver.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Do amor e da saudade que transborda.


Por Syoney de Macêdo Tavares.

Era comemoração do nascimento de Jesus Cristo quando resolvi desejar um Feliz Natal a minha família. Logo após resolvi curtir um pouco a noite e, como eu não tinha companhia, fui ao Rasta Pé sozinho mesmo. Foi aí que conheci a Anjinha Minéia. A partir deste dia não deixamos de ter contato algum e aos poucos íamos nos conhecendo. E eu posso dizer a todos vocês que Minéia foi me despertando coisas que há algum tempo eu não sentia por ninguém que passasse pela minha vida. Posso dizer que foi amor sincero e que jamais esquecerei os poucos momentos vividos ao lado dela.

Aprendi que tudo que acontece em nossas vidas, por piores que sejam, são permissões de Deus. Precisamos confiar em Deus, pois ele vai nos dar o conforto necessário, acalmar nossos corações e nos mostrar a direção certa, e nossos corações aos poucos irão perceber que a pessoa tão amada não se foi, apenas partiu para o segundo plano de vida, e esse plano é o encontro com Deus. Sabemos que nada disso é fácil, e como dói, mas de uma coisa podemos ter certeza: Vai passar e as lembranças não serão lembranças de dor, mas sim, lembranças boas, ou seja, saudades...

Desejo toda a felicidade do mundo e que Deus ilumine nossos corações e nos dê toda força necessária. Não podemos esquecer também de confiar em Deus, que o resto tudo ele fará...

Dona Verônica e Sr. Roberto, podem ter a certeza que vocês ganharam mais um filho, pois eu jamais os abandonarei... Já até me sinto um membro da família.

Te amarei sempre, Minha Anjinha.
 

quarta-feira, 2 de março de 2011

O revés de um parto.

Hoje vou ser breve. É que tem dias que o choro quase sai, mas prefere ficar preso na garganta. E daí é a pior das sensações... E daí é complicado falar qualquer coisa.

Parece estranho eu me sentir mais distante dela estando aqui na Paraíba. Hoje faz um mês que a Minéia foi fazer festa lá no céu, mas no meu coração parece que já faz um ano. E a cada dia que eu sinto que vou perdendo um pouquinho mais de mim, ela vem e me recompõe, lá de cima, com sua luz e seu sorriso aberto bonito, e me faz caminhar firme. Li por aí, dia desses, que quando morre um menino, quem é ou já foi menino se vai um pouco, e acredito que o sentido é esse mesmo.

Esses dias eu aprendi, na própria pele, que consolar sofrimento dos outros é lenitivo inútil e que deve ser por isso que o meu sofrimento anda tão inconsolável. Aprendi também que dor não tem condição social. Imagina então quando ela é o revés de um parto, realidade dos pais de Minéia Franco, musicada por Chico Buarque de Holanda.

Meu sentimento e minha saudade de ti só aumentam a cada minuto, meu tesouro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Toda a minha saudade, e o meu amor de sempre."


Minha Anjinha,

Essa foi a última foto que você tirou antes do acidente, ainda no show, você e a Jaqueline. Era 1h da madrugada do dia 22, no caso, dia 23 já. Me senti muitomuito bem de ver esse seu sorriso bonito largo e de saber que você estava tão feliz. Olhei esta tua foto, li uns trechos do Pequeno Príncipe e pensei: Desta forma eu, e somente eu, terei estrelas que sabem rir!... Hoje faz sete dias que você se foi e eu ainda nem acredito. Os dias têm passado lentinhos, se arrastando e incomodando cada espaçozinho dentro de mim. Às vezes ainda acho que é mentira e cada vez que sobe uma janelinha do MSN eu olho depressa pensando que pode ser você. É que minha esperança quando dá para ser forte você sabe bem como é, minha flor, fica ali acesa como vela e não tem quem apague. Dei para conversar contigo agora o tempo todo, e procuro acreditar que você está só me dando o troco quando não me responde, pelas vezes que você falava comigo e eu não sabia o que dizer e ficava só ouvindo, só ouvindo em silêncio. E sabe? Vou deixar que você continue dando o troco em mim por muito tempo ainda. É que me deixa tão mais leve conversar contigo... Converso contigo, converso com Deus... Já briguei tanto com Ele, já me questionei tanto, mas eu pedi desculpa e até um trato com Ele eu fiz, acredita? É verdade. Pedi que ele não soltasse da sua mão agora não, que esperasse você se acostumar com tudo por aí, que te colocasse no colo de vez em quando caso você sentisse medo, que te desse um abraço quando você precisasse saber que não estava sozinha, que te desse o ombro quando você sentisse saudade, que estivesse ao seu lado se você se sentisse insegura, e que em troca disso tudo eu daria o tempinho que ele tem para mim para que ele pudesse ficar esse pouquinho a mais contigo, para que ele pudesse te dar um pouquinho mais de atenção por aí. Tem muita gente que te ama por aqui, meu bem. Como tem gente que te ama... E eu sei que esse seu sorriso aí da foto não foi embora não. Ele permanece tão bonito quanto antes sentindo toda essa energia de sentimento bom que estamos te mandando no vento. Eu até posso sentir você sorrir lindo agora. Juro. E eu acabo descobrindo, quase sem querer, que agora tenho duas moças de sorriso aberto.

A saudade está gigante, Tesouro, mas te cuida, por favor, te cuida bem.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

“Tem gente que tem cheiro de Deus”

Minéia,

Em novembro do ano passado a Intense perdeu a Milene. Ela tinha 20 anos, um ano a menos que você, mas parecia ter essa mesma alegria a qual você sempre enfeitou os quatro cantos. A Intense disse que ela viveu tanto nesses 20 anos, assim como eu tenho certeza que você viveu também cada minuto que lhe foi dado com toda a intensidade que eu acredito que cada minuto deve ser aproveitado. Você ia pro quinto período da UFRN e já era bolsista do PIBID no Projeto Hora da Leitura. Você queria pedagogia, e, pelo amor que você tinha por crianças, já era de se esperar algo do tipo. Flamenguista doente. Alecrinense. Fazia academia, dançava, namorava, já dirigia, e até de goleira de handball você se arriscou e arrasou. Final de semana em casa era raro. Cervejinha na casa do pai sempre ia bem. Sinceridade, nunca vi igual. Força, então, nem se fala. Como você era forte, minha flor... Para tudo você tinha um tempinho. Era mesmo como se você soubesse que iria durar muito pouco, e então fazia tudo ao mesmo tempo, para dar tempo de viver um pouquinho de cada coisa. Muitas vezes a Intense precisou sair a noite para dar uma volta, tentar transformar a dor machucada em algo bonito... Algumas vezes ela desabou, mas no fim ela conseguiu dar a paz que a Milene precisava.

Cheguei a pensar que seria legal se você encontrasse com a Milene por aí. Vocês poderiam trocar felicidade como quem troca figurinha e ficarem bem, as duas. Superar juntas. E me deu vontade de te perguntar se o céu é mesmo uma rave. E te dizer que a Milene não iria gostar nem um pouco disso, mas que vocês poderiam ao menos dançar juntas. Independentemente da música, vocês poderiam viver esse momento, mais um, ainda que não aqui.

Você queria ir tanto naquela festa, não era flor? E foi. A noite acabou no acidente, mas eu sei que você aproveitou cada minuto daquele show. Foi você que pediu para ir embora, foi você que pediu para ir no banco de atrás do táxi, foi você que apoiou a cabeça da amiga nas suas pernas e foi você quem pagou pela irresponsabilidade de outro. Mas você queria ir e foi. E dançou, e sorriu, e abraçou, e brincou, e discutiu, e viveu. Como você viveu, meu bem...

A Intense me contou uma história dia desses, que na verdade é a mãe dela quem conta. A história é de uma menininha que morreu e que a mãe chorou por meses, e na primeira mensagem que ela conseguiu mandar para a mãe, ela pediu que ela não chorasse, porque as lágrimas da mãe mantinham a roupinha dela molhada e ela sentia frio o tempo todo. E agora sempre que choro eu me lembro dessa história e te peço força, daí para cá, para que eu pare de molhar tuas roupinhas, te deixando com frio o tempo inteiro. Acredito que o sofrimento de nós, que ficamos aqui, só faz prolongar o teu desassossego, e eu não quero que isso aconteça. Por isso te peço: Dai-nos força e coloca sorriso onde não tem.

Sábado saí com alguns amigos e tentei ficar bem de verdade. Cantei e até alguns sorrisos saíram da minha face. Mas chegou uma hora que bateu um desespero enorme e eu chorei incontrolavelmente e inconsolavelmente. Eu nunca tinha me visto naquele estado, nem eles. Enquanto eu chorava, eu pedi inúmeras vezes que você me ajudasse, porque eu não queria que você sentisse frio. Eu tive muito apoio dos meus amigos sábado - até dos que pouco conhecia - o que me fez perceber que há os que ficam para nos dá o suporte para conseguir seguir em frente. Sei que ninguém substitui ninguém, e que ninguém nunca vai ocupar o seu lugar, mas eu me senti protegida por eles sábado. E mesmo com todo o choro irreparável eu ainda ouvi que eu continuava sendo a mais forte do grupo. Mas até os mais fortes caem, certo?. E mesmo diante ao que eu estava passando, ainda me pediram ajuda. E a minha vontade foi de colocar a minha dor no bolso e ir cuidar da dor do outro, porque no fundo eu sei que seria isso que você faria.

Sábado eu ouvi que eu precisava me acalmar, que eu precisava respirar a paz, respirar a energia boa, procurar e encontrar essa energia nas coisas bonitas, porque daquele jeito eu não estava lhe dando a paz que você precisava, e me disseram que só assim você iria chegar em mim, quem sabe nos sonhos. Ainda não sonhei contigo, mas eu quero muito que você apareça nos meus sonhos, que chegue mais perto, que sorria seu sorriso bonito, que diga que eu não preciso me preocupar. Eu quero muito que isso aconteça.

Hoje eu descobri que você faz aniversário no mesmo dia do Caio Fernando Abreu. Lindo, não? Fiquei tão feliz em saber disso, e acabei descobrindo da onde vinha tanto amor e tanta intensidade de você. Deve ser esse dia mágico de vocês dois. E se encontrar com ele por aí diz que ele tem muita sorte por isso. Virginianos. Segundo ele as pessoas de Virgem sempre conseguem o que querem embora no começo pareça tudo muito difícil, e eu acredito que conseguem sim e ao mesmo tempo eu peço de coração que você tenha conseguido tudo o que queria. Certamente o Caio estava pensando em ti quando escreveu aquela frase: “Tem gente que tem cheiro de Deus”.

Esse mês faz cinco anos que te conheci. Cinco anos de muito momento bonito, de muito momento engraçado, de muita conversa, de muito abraço, de muitas palavras confortantes. Lembro como se fosse hoje lá em fevereiro de 2006... Nos falávamos pelo MSN, nos primeiros dias de aula, e quando chegávamos no colégio ficava uma mais envergonhada que a outra para chegar perto e falar, as duas se olhando e sorrindo desconfiado de longe, até que você chegou em mim, como sempre, e desde então ninguém mais nos segurou. Foi com esse seu jeitinho envergonhado de dizer as coisas que você abraçou o Leo, sorriu, agradeceu e falou: "Leo, estou vivendo a fase mais feliz da minha vida!". Sabe? Eu não conheço o Leo, mas eu fiquei tão tão tão, mas tão feliz quando soube disso - que você estava vivendo a fase mais feliz da tua vida, que você pôde viver a fase mais feliz da tua vida - que me deu vontade de sair correndo e conhecê-lo, falar de ti com ele, dar um abraço bem forte e dizer “Obrigada também Leo, por ter contribuído com a felicidade dela, assim como eu sei que pude contribuir”.

Lembro que um dia eu te disse que queria ver a gente chegando aos 80 anos. Que deveríamos trabalhar isso, porque a gente ainda deveria jogar dominó juntas quando tivesse uns 80 e molhar o biscoito no café enquanto conversávamos coisas que começavam com ''na minha época''... Com quem que eu vou fazer isso, eu não sei mais, e nem quero arriscar, mas tenho certeza que no meio desta conversa vai soar teu nome e eu vou lembrar bonito de ti, sem dor, porque é isso que o tempo faz com a gente – transforma a dor doída em sentimento bem bonito, nos fazendo desejar o bem onde quer que o outro esteja.

Amanhã é sua missa de sétimo dia. Estarei lá rezando por ti, por mim e por tantos que estão com essa saudade incurável de ti. Vou te pedir muita força, muita luz, muita energia boa, muita coisa bonita e esse seu amor contagiante, daí para cá, porque ainda dói muito, minha flor. Não é mais dor de tristeza, mas é dor de saudade, dor de injustiça. Dor de ter sido tão cedo, e tão de repente. Mas a gente vai conseguir passar por essa também, tenho certeza.

Eu quero pensar em você sem precisar sentir dor. Quero deixar que a dor se transforme em qualquer coisa bonita, para que assim eu possa me lembrar de você e sorrir bonito também. Quero me lembrar dos momentos bons, dos momentos engraçados, dos sorrisos e dos abraços. Quero ver o céu mais azul, como de fato ele está depois que chegastes aí. Quero ver mais cores. Quero estar bem aqui onde estou para que você esteja bem aí onde estás. Quero te ver feliz. Quero me sentir feliz, mas continuar sempre pensando em você. Sempre.

Eu gosto muito, muito mesmo de você. Nunca esquece. E é do coração do meu coração que eu te mando todo o conforto que você precisa e que recebo todo o amor que só de você transborda. 


"A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?"

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu coração parece que perde um pedaço.


"-Às vezes sinto falta de mim.
-Eu também, menina.
-Sente falta de si?
-Não, de você. E dói.
[Silêncio]
-Me abraça?
-Sempre."



Está doendo, e vai doer, vai doer muito ainda. Quando cair realmente a ficha vai doer ainda mais, e mais, e mais... Por enquanto tudo o que eu consigo sentir é que algo grande me falta, porque eu ainda não acredito que era o seu rosto ali tão sereno, ontem, e que eu o vi pela última vez. Não compreender que o que a vida te dá, também te tira, sabe?

Mas eu só quero me permitir sentir isso tudo, não forçar esquecer, não segurar o choro, a tristeza. Quero chorar o quanto tiver pra chorar, e sentir, sentir cada vez mais... Não quero deixar a garganta fechada. Quero gritar quando tiver vontade, porque vai dar vontade. E chorar, chorar bem alto, ou baixinho antes de dormir. Falar comigo, falar com os outros, falar de ti. E que você vá em paz, minha anja. Só. Porque onde você está agora com certeza é bem mais leve e lindo e seguro do que onde nós estamos, e eu tenho certeza que você vai estar olhando por mim, colocando sorriso onde não tiver. Acredito que se você foi tão cedo, flor, é porque esse mundo era duro demais pra você.

A cicatriz ainda está aberta e só de esbarrar, sangra. Mas tenho certeza que você conseguiu curtir cada minuto que lhe foi dado da melhor e mais alegre forma possível - daquele jeito que só você sabia ser... E agora você vai olhar pelos que deixou nesse mundo duro e cheio de surpresas.

Ontem chorei que nem bebê. Mas não era fome, nem sono, nem birra, nem manha. Era saudade mesmo. A morte deixa uma dor que não tem cura. Mas eu sei do nosso sentimento indefinível, sem nome. Nós sabemos. Um sentimento que não morreu contigo, porque é mais forte que a vida.

Quero procurar acreditar que para aqueles que chegam ao fim, é como se estivessem chegado em um belo vale, com árvores verdes e água cristalina onde podem finalmente sentar e descansar... Não mais cair... Não mais sofrer... E quanto a nós que ficamos, só nos resta continuar caminhando... E ver o que nos reserva a próxima curva.

Vai em paz, Minéia.


"São longuinho, são longuinho, pra onde foi a coragem do meu coração?"

domingo, 30 de janeiro de 2011

"...Eu tive tanto amor um dia..."

Um dia o Caio Fernando Abreu falou assim: “De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. Só olhando você, sem dizer nada, só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando...”

E então eu leio isso repetidas vezes e a minha única reação é implorar aos céus, com todas as minhas forças, que você vá encolhendo. É. Encolhendo, diminuindo aos poucos, se tornando menor a cada dia, atenuando, abrandando, abreviando, reduzindo, decrescendo, suavizando, minorando, até que seja possível eu te ter entre o polegar e o indicador e te arrancar da minha vida com um simples sopro. Porque você me dói muito, de vez em quando.

E me digam: Tem coisa mais autodestrutiva do que insistir?