quinta-feira, 19 de junho de 2008

Foi como tentar andar de olhos vendados.

Tenho às vezes a impressão de que ele é apenas um fantoche guiado por mão secreta e invisível...

Ele não percebia que a mesma alma não pode abrigar duas paixões tão diferentes: elas não podem habitar ao mesmo tempo aquela bela casa. O amor é alimentado pela imaginação, através da qual nos tornamos mais sábios do que sabemos, melhores do que nos sentimos, mais nobres do que somos, capazes de ver a vida como um todo; através da qual, e só através dela, chegamos a entender os outros tanto em sua relação real quanto ideal. Só o que é superior pode alimentar o amor, mas qualquer coisa alimentará o ódio.
O ódio cega. O amor é capaz de ler o que está escrito na mais remota estrela, mas o ódio o deixara tão cego que já não conseguia ver nada além do estreito, fechado e estiolado jardim dos seus desejos mais vulgares.
Sutil, silenciosa e secretamente esse ódio ia aos poucos roendo a sua essência, tal como o líquen vai corroendo a raiz da árvore, até que ele não conseguia distinguir nada além dos mais mesquinhos interesses e dos objetivos mais medíocres.
O ódio envenenou e paralisou aqueles dons em que possuía e que o amor teria nutrido.
Estava perdendo a ela, a grande paixão da sua vida: o amor diante do qual todos os outros amores eram como a água barrenta diante do vinho tinto ou como o vaga-lume do pântano diante do espelho mágico da lua.
Mas, cego de ódio, não conseguia ver nada.
O ódio é a eterna negação, sob o aspecto emocional ele é visto como uma forma de atrofia que destrói tudo, menos a si próprio.
Então ele sentia a mesma compaixão e as mesmas emoções que qualquer espectador sente ao assistir numa peça a algo comovente. Mas não lhe ocorreu que pudesse ser o autor daquela medonha tragédia.
E ele perdeu, eis tudo.
Ela percebeu que ele não tinha entendido o que havia feito, mas não teve a menor vontade de ser a primeira a dizer-lhe aquilo que o seu próprio coração já deveria lhe ter dito, o que na verdade já lhe teria dito se ele não tivesse permitido que o ódio o tornasse tão duro e insensível.

É preciso que entendamos as coisas por nós mesmos, é inútil explicar a alguém aquilo que ele não sente e não é capaz de entender.
Tudo aquilo que somos capazes de entender está certo.

...Mas os próprios fantoches têm sentimentos: eles podem introduzir novos elementos nas histórias que apresentam e mudar o desfecho para satisfazer seus próprios caprichos ou vontades.

16 comentários:

Vanessa disse...

É preciso que entendamos as coisas por nós mesmos, é inútil explicar a alguém aquilo que ele não sente e não é capaz de entender.

Disse tudo...tudo com esse trecho.
é preciso entender as coisas ouvindo a nossa alma, através das nossas experiencias.

Vou te linkar depois, viu?
pra nao perder isso aqui de vista
hehehe
beija

L.R.Junior disse...

Incrível como você descreve o ódio exatamente como eu senti várias vezes na minha vida por causa do amor...


Parabéns ^^

Ariana Luz disse...

Adorei seu texto. Parabéns.
Beijos :*

Leonardo luiz lino disse...

Bem legal o texto,vou voltar aqui.
me visite tb!

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Radio ADCampos disse...

Incrível com expressa o sentimento no texto. Faz lembrar algo que algum dia aconteceu em nossas vidas.

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Leonardo luiz lino disse...

Já comentei aqui,então se quiser fazer parceria..

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Vinny disse...

Bem descritos os sentimentos amor e ódio nesse texto. Realmente explicar aquilo que alguem nao sente é inútil, por tantas vezes tentei...

Parabéns !

Abraço!

Leorama disse...

parabens pelos seus textos

Leonardo Valesi Valente disse...

Um escrito como esse, que pega uma impressão que de tão única, faz revelar o seu eu em desejo vivo, em nobreza de ser!
Deixo meu abraço e meu cumprimento sincero.
Adorei voltar aqui, viu?

Leonardo Valente (MG)
www.lioh.arteblog.com.br/

Grilo Pensante disse...

Uma das coisas mais dificeis de se descrever, é o sentimento...e vc, conseguiu passar isso muito bem em seu texto...

parabéns

amandaedalete disse...

Putz! foi vc que fez?!
Massa.

Dashem disse...

Adorei!
Como todos seus escritos são lindos e de grande sensibilidade...

Felicidades!!!

Dashem Sakal

Thiago Exp. disse...

Perfeito...

Acho que vc pegou uma situação na minha vida e escreveu em palavras...

Mt bom.


Dá uma passada lá no meu:
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Apenas um começo disse...

Olá Yasha,
agradeço pelo comentário no meu blog,e pela sua opinião,tentarei segui-la.
Adorei seu blog,pretendo visitá-lo sempre que puder!!!

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Rômulo disse...

É por isso que dizem: "se conselho fosse bom, todo mundo vendia".
Acho que o amor e o ódio seguem na mesma direção, mas um de cada lado do rio.
Gostei das frases do fantoche, no início e no fim, genial.
Atualizei pela metade o Silêncio, depois vê lá, beijos!

amandaedalete disse...

As vezes perdemos as pessoas que mais amamos por medo de falarmos o que realmente sentimos.