domingo, 31 de agosto de 2008

Faz parte então, perder-se no ar.

Duas árvores irmãs, uma tão frescamente verde em primavera e outra carregando as brasas do outono avermelhando suas extremidades em pleno inverno, uma ao lado da outra. Juntas e vivendo estações diversas. Mas não é assim também entre nós, querido? A árvore sem folhas não estava morta. Despida de sua graça, talvez, nua de seus encantos, mas via-se lá firme e sólido o esqueleto, sua sustentação. Como se mesmo cercada de verde e flores, não tivesse vergonha de seguir seu próprio ritmo e de atender às suas necessidades de sobrevivência, mesmo que para isso tivesse que morrer parcialmente, às vezes. Mas estava lá sempre e ainda o tronco. E se alguém viesse com a serra? Ela estaria lá, pronta e imóvel, querido. Sem choro, nem fuga – é da natureza da árvore não ter opção.

A árvore não deixa de ser a morte da semente, assim como a borboleta é o fim da lagarta. Mas nós nem sempre voamos, nem sempre brotamos. O que somos diante do que já não é? O que podemos ser quando algo deixa de ser?

Dor e alívio.

A vida insiste.
A morte insiste.
Você resiste.
Porque é infinito o fim, mas há sempre uma nova história começando depois da última página.

Cuida do teu jardim, mas não despreza a árvore nua, querido. Já deitamos à sua sombra tantas vezes. Você não troca suas folhas também?

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Da cor da sua paz.

A luz do seu quarto está acesa, a janela está aberta desde o começo da tarde. Por mais que eu saiba que não é você que está lá, eu olho de cinco em cinco minutos, numa esperança tola, quase infantil de te ver novamente. Chorei outro dia, ao ver que a moça da novela morrera, era só uma novela, mas foi triste... Eu saí correndo da sala e me escondi no quarto pra chorar sozinha, e pra que ninguém me visse.

[Ele era apenas um ser sem face, alguém que desfazia meus nós todos os dias. O que zelava enquanto eu escrevia, o que me fazia remover os cacos e renascer em poesia e rima. Era ele, aquele sem rosto, tão incógnito e tão íntimo, tão avesso e tão direito. Ele, que se colocava exposto e dado a meu juízo e veredicto. Ele, sempre absolvido por minha mão generosa.]

Às vezes as coisas parecem com antes... Aliás, eu comecei o dia pensando em você, sonhei com você, aqueles nossos sonhos felizes que eu te contava, toda cheia de esperança, nos nossos eternos passeios. Eu me lembro de todos aqueles dias, e o jeito que você me olhava enquanto eu falava. Eu me lembro das infinitas horas de conversa boba, das manhãs, das brigas... E a gente falava da vida, e você dizia que eu era a sua vida... "Infinitas vezes o universo ao cubo, pra sempre que nunca acaba"...

[Ele, a meus olhos tão singular e, diante do espelho, tão oposto a tudo que eu via. Ele, plural, par, infinitamente trivial. Ele, que tinha insônias, que temia sumir num instante qualquer. Ele, de semblante inexpressivo, de escama alva, de olhar cerúleo, de existência efêmera. Ele, que não sabia rezar, que desmanchava seus muros de arrimo e se jogava de ponta-cabeça. Ele, tão covarde e sobrevivente, tão inculto e pseudo-intelectual.]

Sabe, eu sinto tanto a sua falta, e sinto tanto não ter dito quando podia, eu sinto tanto por ter me deixado levar, por não ter pensado direito, por não ter visto o quanto, apesar da mágoa, o que existia entre a gente era real, e ter parado enquanto ainda era tempo. E eu sinto muito pela escolha que eu fiz, e você sabia, desde sempre, que era errada. E eu sinto por ter tomado coragem pra dizer tarde demais. Eu sinto falta de escrever pra você, em todo lugar, e ver as respostas postadas em algum canto da internet. Eu sinto falta do frio na barriga que eu sentia quando a gente falava no telefone. Eu sinto falta do som da tua voz. Eu sinto falta do teu cheiro, dos teus abraços apertados, dos teus olhares doces, da certeza de que você estava sempre comigo. Eu sinto falta dos dias, das noites, dos sonhos, das cores. Eu sinto falta do que fomos e do que mais ninguém poderá ser.

[Meu anjo caído, personagem surreal do livro que ainda não escrevi. Protagonista com vida própria e tão dependente de mim. Ele, que implorava para que eu não parasse de lhe dar voz, ação, emoção em meus rascunhos e borrões. Ele, tantas vezes meu. Meu em inspiração, em luz divina, em acalento, me suplica, - mantenha-me vivo.]

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Quero te abraçar bem forte e roubar sua dor.

A vida não passa de uma estrada que devemos todos seguir, uma estrada esburacada e com pedras nas quais nós tropeçamos e caímos.

Não existem livros que te ensinem a viver, são as quedas que te ensinam a levantar.

Têm momentos da vida em que temos medo, medo do que nos reserva a próxima curva, medo da próxima queda. Pensamos nós que não suportaremos outras, mas lá estamos, levantando, erguendo a cabeça e caminhando de novo.

Na vida existem pessoas que estão ali pra te ajudar a achar o caminho, pra te dar apoio quando você se levanta e pra cuidar dos seus arranhões, essas pessoas são aquelas que deixam suas próprias estradas, seus próprios caminhos, para te acompanhar nos seus, são as pessoas que realmente te amam.

Na vida há momentos em que a tristeza nos domina e lágrimas vêm aos nossos olhos e pensamos em parar... Parar de sofrer, parar de cair, mas aí nos lembramos das pessoas que estão lá nos esperando... Das pessoas que estão do nosso lado e que nos dão a mão para nos levantar; das pessoas que choram conosco e que nos fazem rir, e por elas decidimos voltar a caminhar.

Na vida tem momentos em que você precisa ser forte, estufar o peito e ter coragem mesmo em frente ao maior dos desafios, isso não significa que você não deve ter medo, a coragem não é a ausência do medo e sim a certeza de que existe algo mais importante do que ele, o amor... O amor... Por ele você deve estufar o peito e dizer "que venham", que venham outros buracos, que venham outras quedas, eu vou chegar ao fim, eu já me levantei uma vez e posso fazer de novo, e são nesses momentos que realmente vivemos...

Às vezes, se deve esquecer a razão, esquecer o medo, e simplesmente deixar acontecer, deixar que o vento te carregue e te mostre o caminho...

Mas como eu disse, a vida não passa de uma estrada, e como todas as estradas ela tem um fim...

Aqueles que ficam pra trás sentem falta das pessoas que já completaram o percurso, sentem falta de quando elas a ajudavam a levantar, sentem falta de tê-las ao lado e ter sempre a certeza de que não estava sozinha...

Mas para aqueles que chegaram ao fim, é como se estivessem chegado em um belo vale, com árvores verdes e água cristalina onde podiam finalmente sentar e descansar... Não mais cair... Não mais sofrer...

Quanto a nós que ficamos, nos resta continuar caminhando... E ver o que nos reserva a próxima curva.

___________________________________________________

Toda vida humana tem começo, meio e fim... E a pior parte é quando trancam e jogam terra em cima de alguém que até ontem existia.

Ei Você,

Um dia que estávamos juntas eu te falei a última frase de um filme, que era mais ou menos assim: "Depois que secam as perdas, renovam-se os milharais". Lembra? Um dia você vai olhar as fotografias, sem lamentar, e vai lembrar de todos os momentos bons com um sorriso estampado no rosto, e, então, tudo em volta terá se renovado.

Na dúvida, não hesite em me procurar! Estou aqui só esperando você me chamar.


*Dedicado a alguém que sabe das letras, do sentimento e da solidão.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"...Os olhos mentem dia e noite a dor da gente..."


Preciso arrumar os sapatos atrás da porta, varrer o pó dentro e fora do meu corpo, pintar as paredes de cor de abóbora, esconder o passado atrás do armário, chamar o eletricista, o encanador. Perceber o eco do meu sorriso, colocar o vinho no gelo, sentir meu próprio cheiro, medir os espaços vazios, descobrir o dom e trocar as lâmpadas. Preciso tirar a fé da gaveta, limpar as taças, ouvir a voz que sai de mim, ferver o leite antes de dormir e pendurar o sol acima da cama.

Estou em obras. Tudo em mim desmorona. Os pés já não sentem a terra firme. O estômago chora os sonhos embalados em sacos de lixo. Para cada martelada, um olhar ao chão. Para cada céu, um inferno à altura. E cada espelho reflete o monstro que lhe convém. Cada um com o seu, cada um na sua. Canta a furadeira enquanto falo do que dói em contestada sinfonia. Meus medos me procuram sete vezes ao dia. Quase sempre cedo. Quase sempre tardo. Meu ventre é uma caverna distante cheia de ecos do além. A terra firme já não sente mais os pés cansados. Para cada lágrima, uma pá de cal. Para cada escavação, uma escora no lugar. Tudo isso acontecendo aqui dentro e tanto silêncio lá fora. Estou em obras. Tudo em mim desmorona. Imagino as pessoas e seus infernos particulares. Cada um no seu, cada um na sua. Quase sempre sede, quase sempre tarde. Para cada um, um monstro. E para cada sonho, um saco de lixo que lhe convém.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

"...Teu choro não me faz desistir, teu riso não me faz reclinar..."

O teu sorriso é só riso. Nada além de uma expressão. Não aquece, nem clareia. É como lanterna acesa à luz do sol. Nem querubim, nem cão de fogo, sorriso apenas morno. Não tem força, não é fato. O teu sorriso é só riso. Fica aquém da imaginação.

(-eu te amo como se ama um sonho ofendido.).

E sorrindo dizes: - O que falta em mim? Quanto falta em mim? Onde falta em mim?

O teu canto não ecoa. Não vai a alma, não arrepia. É como um discurso em meio ao show esperado. Nem visto, nem sentido, apenas um canto despercebido. Não tem força, não é fato. É silêncio no vácuo.

(-te canto como se canta o amor não vivido.).

E plangente dizes: - O que falta em mim? Quanto falta em mim? Onde falta em mim?

A tua lágrima não lava a alma. Não leva ao córrego, não limpa os poros. É como banho de bica no meio do temporal. Nem pura, nem indecente, apenas lágrima descrente. Não tem força, não é fato. É poça de água em riacho.

(-eu te choro como se chora um passarinho mudo.).

E choroso dizes: - O que falta em mim? Quanto falta em mim? Onde falta em mim?

Como se a culpa fosse minha. Como se a culpa fosse minha companheira. Como se estivesse no seu lugar e ali ficasse como bicho corroendo a maçã no paraíso. Tomo um copo de culpa toda manhã e me abasteço desse fel que me impões.

(E te amo como se ama um passarinho morto.).

domingo, 3 de agosto de 2008

"...Por mais que a gente grite, o silêncio é sempre maior..."

Eu falei pra ela: "só dois dedos". As pessoas andam com a cabeça na lua e não escutam o que dizemos... Acho que ficam olhando pro nada tentando descobrir o sentido da vida... Digo isso porque eu também tinha esse hábito... Mas descobri! O sentido da vida é realizar o sonho da casa própria... Pelo menos, pra ela, sim. Me aconselham muito a ouvir as palavras de Deus sobre o tal sentido... O problema é que ele não fala comigo... Se ao menos ele espirrasse, já seria um sinal. Eu lembro que eu falei pra ela exatamente assim: "dois dedos e nada mais"... E ela sorriu e até comentou: "isso parece título de música... Já ouviu aquela do Guilherme Arantes?"... Eu já tinha ouvido, mas mesmo assim ela fez questão de cantar pra mim... E, no final, disse: "prontinho, quatro dedos" e ainda acrescentou, "você não sabe que só tiro o que você pede"... E lá se foi metade dos meus cachos dourados no piso do salão...

"...A gente espera do mundo e o mundo espera de nós, um pouco mais de paciência..."

===================================================


Mas, outra vez?

Pois é.
Já estou me acostumando com tantos agrados. :D
Ganhei mais dois selos no dia 1º. Na verdade, três, sendo um feito pelo próprio blog, do qual achei uma iniciativa bem interessante.
Todos eles do blog Muito Sobre Algo, que por sinal ainda não conhecia, mas que visitei e aprovei, apesar de ter uma abordagem bem diferente dos blogs que costumo visitar.
Eles se encontram aí ao lado, e vou indicar cada um deles a um blog...

  • Selo Brilhante Weblog, vai pro Em linhas.
  • Selo Blog Consciente, vai pro Silêncio Coletivo.
  • Selo Esse blog é algo muito bacana!, vai pro Essência no Ar.

Mais uma vez, obrigada, muito obrigada.