domingo, 31 de agosto de 2008

Faz parte então, perder-se no ar.

Duas árvores irmãs, uma tão frescamente verde em primavera e outra carregando as brasas do outono avermelhando suas extremidades em pleno inverno, uma ao lado da outra. Juntas e vivendo estações diversas. Mas não é assim também entre nós, querido? A árvore sem folhas não estava morta. Despida de sua graça, talvez, nua de seus encantos, mas via-se lá firme e sólido o esqueleto, sua sustentação. Como se mesmo cercada de verde e flores, não tivesse vergonha de seguir seu próprio ritmo e de atender às suas necessidades de sobrevivência, mesmo que para isso tivesse que morrer parcialmente, às vezes. Mas estava lá sempre e ainda o tronco. E se alguém viesse com a serra? Ela estaria lá, pronta e imóvel, querido. Sem choro, nem fuga – é da natureza da árvore não ter opção.

A árvore não deixa de ser a morte da semente, assim como a borboleta é o fim da lagarta. Mas nós nem sempre voamos, nem sempre brotamos. O que somos diante do que já não é? O que podemos ser quando algo deixa de ser?

Dor e alívio.

A vida insiste.
A morte insiste.
Você resiste.
Porque é infinito o fim, mas há sempre uma nova história começando depois da última página.

Cuida do teu jardim, mas não despreza a árvore nua, querido. Já deitamos à sua sombra tantas vezes. Você não troca suas folhas também?

12 comentários:

Rômulo disse...

Em cada fim um recomeço.
Eu sou como a árvore nua, só um esqueleto despido de encantos, que resiste não se sabe como.
Como uma andorinha não faz verão, fico sempre nesse meu outono.

Eurotica. disse...

a minha árvore nua foi esquecida. Calor, chuva; Sol, Lua. Apenas esquecida em um universo qualquer de possibilidades.

Amo seu blog *_*

Ms. Molly Bloom disse...

gostei do que li.

Cetreus Nominal disse...

Deitado inclinado nos vales dos anseios. Jamais esquecido, sempre lembrado.

Amo seu blog ( 2 )

Paulo Avila disse...

Entrei aqui por curiosidade e adorei tudo o que você escreveu. Parabéns! Adoro blogs intimistas, com textos que gritam da alma.

Virei sempre aqui!

Pagu. disse...

Yá, a parte II do conto foi postada:) espero que goste:)

Iaiá disse...

A árvore é a morte da semente.
Adorei essa frase.
bjos

Daniel Medeiros disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Medeiros disse...

Trocar as folhas nem sempre é algo simples de se fazer. Mas é algo extremamente importante.

Thiago De Sousa disse...

Otima comparaçao q nos faz refletir sobre as transformaçoes da vida, as etapas, as fases, as situaçoes q nos deixam tristes e alegres como uma arvore perdendo suas folhas e ganhando novamente suas folhas... a arvore nao tem opçao como em algumas situaçoes tb nao temos.

Reporter x disse...

é impressionante como vc se expressa tão bem em seus textos.

Luly disse...

Seus textos têm emoção. Você escreve com a alma!

http://rosas-inglesas.blogspot.com/