sábado, 18 de outubro de 2008

Peito vazio, cabeça cheia. Às vezes o peito cheio e a cabeça vazia, em branco.


Às vezes, era preciso muitas noites insones, com a dor e a solidão como companhias, e milhares de lágrimas pra conseguir entender o que acontecia. Era como se, em algum momento de insanidade, ela conseguisse enxergar tudo o que existia à sua volta de fora, e, assim, livre de qualquer pré-conceito que tivesse, analisasse a situação exatamente como ela era. Simples assim. Frio assim.

E foi assim que ela entendeu. Deixando de lado a dor que ela sentia as coisas ficaram mais claras, e ela conseguiu enxergar os ciclos de todo mundo. O dela, principalmente. E ela percebeu que, nesse tempo todo, aprendeu o que tinha que aprender. Ela esteve presente onde tinha que estar, na hora certa. Ela ouviu e ajudou quando pôde, e da maneira que pôde. Ela aprendeu tudo o que precisava. Ela cresceu o quanto pôde. E, da mesma forma, todo mundo o fez. Talvez não igualmente, mas isso também não importava tanto assim. E foi aí que ela viu que esse ciclo tinha acabado. Pra todo mundo. E, de repente, não doeu mais. Ela não chorou mais. Ela entendeu, e aceitou.

Agora, os ciclos iam ser outros. Pra cada um, um novo ciclo, uma nova chance de crescer e de aprender mais coisas. E, num novo ciclo, não cabem mais coisas velhas. O que passou, passou. E pronto. Agora, era a hora de abrir caminho pro que ainda haveria de vir. Guardar coisas velhas seria ocupar o espaço que se iria precisar pras coisas novas. Ainda tinha muito tempo e muita coisa pra vir. Boas ou ruins, só o próprio tempo haveria de saber.

E, se ela decidiu entrar nessa de viver, ela iria até o fim. Com toda a coragem e vontade que tinha. Com toda a força que ela nem sabia de onde vinha. Com toda a fé cega nas pessoas, mesmo quando não era a coisa mais sensata a se fazer. Com a certeza de que, mesmo se o dia estivesse nublado e frio, o sol ia sempre estar lá pra ela.

E ela ia tropeçar mais mil vezes. E ela ia cair outras tantas. E ela ia chorar, de dia ou de noite. E ela ia passar mais infinitas noites insones. E ela ia hesitar e ficar em cima do muro. E ela ia duvidar das coisas. E ela ia errar, muito. E ela ia ficar feliz mais um bilhão de dias sem fim. E ela ia chorar de felicidade. E ela ia rir. E ela ia pular e cantar e dançar. E ela ia ser ela mesma, sempre, com toda a intensidade do mundo, e com tudo de bom e de ruim que isso ia te trazer ainda. Mas nunca, em nenhum segundo, ela ia estar sozinha nessa.

Por todas as coisas, ela agradece. Boas ou ruins, todas a fizeram ser quem ela é hoje. E o que há de ficar será muito mais do que os laços invisíveis das fotografias.

5 comentários:

Vanessa disse...

O que passou, sempre fica em nós. Porém, é necessário sempre encerrar ciclos. Dá espaço a coisas novas, a sentimentos novos, emoções idem.
é preciso cometer novos erros, utilizar os antigos apenas como aprendizagem.

E o ciclo se renova mais uma vez.
beijos, querida

.Intense. disse...

Yashashitzu (será que vc acha ruim de eu te chamar assim? mas é que eu gosto tanto dos dois nomes...), vc e seus textos que encaixam tão perfeitinhos no meu coração tão intenso - peito cheio, cabeça vazia, ultimamente não ando sabendo o que colocar no papel, ou no word, ou no blogger: o teclado ficou pequeno pra minhas palavras!

Já de antemão, peço autorização pra publicar seu texto no Excesso Intenso...pra me explicar, me traduzir, hj, nesse momento. Acho que, sendo assim, nem preciso comentar o texto tb, né? diz tudo de como eu sou e estou hj...

N_era disse...

Nem reclamo de ter passado oq passei...:)

Tenho orgulho de ser oq sou hoje...:*

Calango disse...

sobre o roubo...

foi ontem (sexta à noite...)

amanhã eu posto um comentário vergonhoso aki...

pq agora eu tou desprovido de paciencia pra ler...

Picolé de Chuchu disse...

A vida é essa doideira!!!

http://wwwpicoledechuchu.blogspot.com/