sábado, 8 de novembro de 2008

Tanto amor... que dá e passa.


Agora o amor te ofende. Era vidro e se quebrou. Você agarrado aos cacos, e o corte não fecha (você não deixa). A plenitude dos outros te grita teu vazio e você amaldiçoa aquele que antes era o deus do teu altar mais secreto. Não é culpa dele, nunca te mentiu sobre sua natureza volúvel. Amor entra arrombando porta ou foge pela janela quando bem entende - você mal compreende o mais básico de sua dinâmica, anseia por âncoras onde só há navegar. Não há permanência. Amor não é tatuagem (mas, sim, pode deixar cicatriz). Talvez seja maquiagem que peça retoque constante. Talvez só pele limpa, sem perfumes artificiais, só o humano exposto - mas há sempre a inevitável máscara, e a paixão pode ser por ela, mas o baile acaba. Cavalheiro, qual será a contradança quando os pés já estiverem cansados e as olheiras fundas? A paixão não tem compaixão.

Agora você ofende o amor. Mas ele não se afetará, entende? As injúrias são dos amadores, ficam com eles como uma oferenda recusada - o amor não aceita presentes baratos. Ele segue sempre a dança, sorrindo, trocando de pares, de fantasias, bailando todos os ritmos - ele é flexível, mas não se curva aos teus lamentos, porque a tristeza é sua e não dele, entende? A dor é uma filha bastarda, um descuido dos amantes. Ele é sempre aqui e agora, se partiu e você ficou, no ontem ou amanhã, cuida logo das tuas feridas e pára de lhes arrancar as cascas. Não espere que ele tenha pena, querido. O amor não tem coração.

6 comentários:

LH disse...

parabens!
o blog é ótimo e tem um ótimo texto!
bjs

Leandro de Souza disse...

show de bola sem palavras

http://eunodivan.blogspot.com/

Daniel Medeiros disse...

Não, não deixarei.

Fernanda Santiago Valente disse...

hum...forte isso. mas o amor não tem coração porque este é enganso.

bjs.

.Intense. disse...

Engraçado como nessa fase, esses dias agora, quando eu penso "será que eu tou mesmo apaixonada de novo?", acabei pensando nisso: esses sentimentos não querem nem saber se, foi outro dia que, eu quebrei meu coração em mil pedaços, por descobrir serem volúveis coisas que eu achei serem permanentes...

Deu tristeza ler sobre isso, Yashashitzu.

=/

Rômulo disse...

É, o amor não tem mesmo coração, e acho que ele também tem um senso de humor um tanto caótico.
Gostei muito dessa figura, paixão/baile, muito boa mesmo.
Beijos.