sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

“Lembra que o plano era ficarmos bem...?”

Se amanhã não nos virmos, vou lembrar do menino que eu bem conheci. Não vou recordar apenas daquele que partiu sem sequer eu ver, pois ele não teve escolha. Vou lembrar do menino que sorriu por diversas vezes ao meu lado, e até chorou comigo muitas vezes. E você, lembra daquela que perdia o sono quando sonhava que te perdia. Quero que te lembres daquela que dividiu segredos contigo e não se sentiu mais fraca por isso. Ao contrário, ficou ainda mais forte. Pensa na menina que disse baixinho que te amava e que enfrentou sempre tudo e todos para provar que o que dizia era verdade. Você até poderia olhar nos meus olhos antes de ir, mas eu não queria um adeus, uma despedida cheia de lágrimas e de abraços que pareceriam os últimos.

Preferi ficar com a sensação de que voltará, um dia, e que a despedida nem se fez necessária, porque você estará sempre comigo. Só quero que se lembre dos momentos que dividimos, dos sonhos, das confissões feitas. Sim, você foi, mas nunca irá embora. Eu irei olhar-te por entre os olhares nas calçadas das cidades, e irei ver-te em cada centímetro de si mesmo. Eu quero lembrar-me dos sorrisos e dos risos, das piadas que ninguém mais entendia, só nós dois. Quero lembrar do modo como conversávamos, do modo carinhoso como chamávamos um ao outro, daquele olhar que brilhava quando um via o outro chegar. Quero sentir a saudade.

Mesmo que você quisesse, não poderia ir tão longe. É como se quilômetros nos separassem enquanto um centímetro nos aproximasse.

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Desculpem a ausência, tive um problema com meu computador e perdi o HD, junto com todos os meus arquivos, fotos, músicas, e todos os meus textos, onde só tinha nele. Bobeira minha passar textos pro computador e rasgar papéis. Fiquei meio paralisada uns dias, tentando recuperar alguma coisa, mas nada. Estou com outro HD, e com mais nada de arquivo em geral.
Estou com uns problemas na família também, e um tanto do sumiço é também por isso, mas não vou deixar o blog acabar, ele me faz muito bem e escrever me alivia. Então, eu vou voltando, devagar, recomeçando a escrever.
Obrigada aos que não deixaram de vir.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Procurando refúgio.

Afoguei-me em lágrimas. Não por mim. Por nós - nós pessoas espalhadas pelo mundo. Um programa sobre refugiados palestinos me deixou assim. Eram crianças e adolescentes, se correspondiam, representando um e outro lado da cerca de arame farpado.

Um dia alguém entra na sua casa e diz "vá embora, decidi que esse não é mais seu lar", e você passa os 55 anos seguintes sem poder pisar em seu próprio quintal. E as gerações se sucedem, já nascendo com ódio e trauma no sangue.

A ONU estima que haja cerca de 20 milhões de refugiados no mundo. Expulsos de casa. Tudo absurdo demais pra mim.

Mas o que a gente tem a ver com isso, afinal? Delírio demagógico sobre o bem-estar da humanidade? Acontece que eu sou parte da humanidade e o que lhe afeta me atinge. O mal de lá é o mesmo mal daqui, com outra roupa e outro idioma. E a capacidade incomensurável do mal é o que me molha os olhos.

De onde herdamos isso?

(tem horas que eu queria ser uma samambaia ou borboleta, ser gente parece muito indigno de vez em quando...).

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Ganhei um selo da Sarah no dia 7, e só estou agradecendo agora.
O Prêmio Dardos, que está aí ao lado.
Sarah é minha amiga de blog, de vida, de viagens, de basquete, e de um tanto de coisas mais.

Enfim, sem regras. Vou repassá-lo a alguns blogs, por afinidade com o mesmo, independente se o blog possui ou não um espaço pros selos.

- Excesso Intenso;
- Essência no ar;
- Pensamentos, Sentimentos e Devaneios;
- Se conselho fosse bom...

domingo, 4 de janeiro de 2009

Olhares.

Ela fala que às vezes eu tenho olhos de menino. Não sei bem o que ela quer dizer com isso. Mulheres sempre falam uma coisa querendo dizer outra e depois ainda nos cobram a compreensão das entrelinhas. Então não sei o que tem de menino nos meus olhos, mas talvez seja ele que me deixa assim. Ele, meu filho. Com ele no colo, confesso que não sou bem eu mesmo, não o eu habitual, que sempre conheci. Confesso também que invejei a intimidade de quando ele passou tanto tempo na barriga dela e eu tive que me contentar em ficar de fora esperando, mas agora que ele saiu de lá, finalmente é meu também, o meu menino. E ele me adoça de um jeito que me encabula. Não sei, parece que desde que ele chegou, já não sou tão duro, mas, ao mesmo tempo, justamente desde que ele chegou, eu sinto a obrigação de ter que ser mais forte. Por ele, pelo meu moleque. Quero ensinar pra ele as coisas, até algumas que eu mesmo nunca aprendi direito e só descobri agora. Talvez seja isso que ela vê nos meus olhos - um menino que não sabe direito das coisas. É que o meu garoto no meu colo às vezes é como se eu mesmo me carregasse, como se estivesse tendo uma chance de começar tudo de novo e de fazer as coisas melhor agora. E ele tem meu nome - fiz questão - então vai ser minha versão melhorada, tenho certeza. Acho que quando meu menino crescer, eu vou ter crescido um pouco com ele também. É o que eu quero, e sei que é o que ela espera de mim, ela que tantas vezes foi minha mãe antes mesmo de ser mãe dele. Mas às vezes tenho medo de não conseguir nada disso, só que sempre tento disfarçar. É que homem não chora, né... Talvez seja nessas horas que ela vê o menino nos meus olhos.