sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Teu.

"Aquele gosto amargo do teu corpo ficou na minha boca por mais tempo, de amargo então salgado ficou doce, assim que o teu cheiro forte e lento fez casa nos meus braços e ainda leve, forte, cego e tenso fez saber que ainda era muito e muito pouco..."

A lucidez aguda demais às vezes perfura os olhos e cega, por proteção, por tudo que você não suporta enxergar. Mas também serve de bisturi para o corte exato e a extração de certos apêndices e tumores que te sugam. Romântico se doer de amores, é bela e lírica figura o poeta de alma dilacerada, mas hoje já é teu o direito de admitir que quer simplesmente sossego, sem grandes enredos, em versos brancos. Alguém que fique para o café da manhã, e não o táxi no meio da madrugada, o giro entre os desterrados, os bêbados, as putas, os eufóricos, e finalmente o vigia e um travesseiro te roubado o sono.

"...Faço nosso o meu segredo mais sincero e desafio o instinto dissonante. A insegurança não me ataca quando erro, e o teu momento passa a ser o meu instante. E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão. Teu corpo é meu espelho e em ti navego, e eu sei que a tua correnteza não tem direção..."

Também já é teu o direito de querer sua cama toda de volta quando sentir saudades dos seus pedaços que afoitamente jogou no fundo de algum armário para acomodar melhor a visita, como algo que estava no caminho e seria causa de tropeço, ou como uma roupa que não cabia e que subitamente volta à moda. À sua moda. Porque é sempre uma visita cigana, você já sabe, mas já é teu o direito de tomar sozinho uma taça de vinho sem chorar. De querer simplesmente sua própria companhia ou de querer alguém que te acompanhe simplesmente, íntimo e básico como uma camisa branca.

"...Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor e insistir em usar os remos, é o mal que a água faz quando se afoga e o salva-vidas não está lá porque não vemos."

Tu já és teu de fato e de direito. Enjoy.

6 comentários:

MinGuarino disse...

Queria querer ser so minha ! hehehe
=x

=*

Katarina disse...

Por mais que gostemos do outro, pormais que o amemos ou simplesmente queremos, nossa individualidade, cedo ou tarde, se manifestará numa (às vezes) incompreensível vontade/necessidade de ficarmos acompanhados de ninguém além de nós mesmos...
Este post foi escrito com maestria. Insuperável. Meus parabéns, tem toda minha admiração. Amei.

.Intense. disse...

Esse post lembra o Rafa, do Rafa por ele Mesmo.
Não é?

Rafael Cury disse...

Adorei o texto, a Intense tinha razão. rs

Madrez, Mari disse...

Quer aproveitar comigo?

Rômulo Wehling disse...
Este comentário foi removido pelo autor.