terça-feira, 31 de março de 2009

De quando engoliu a noite.

Foi cedo ainda, ele era menino, guloso do mundo, e triste às vezes porque o mundo não cabia nele. Ele guardava pedaços de tudo então - pedras, conchas, fios, barbantes, terra, retalhos, selos e caixas - e era como se de tudo ficasse um pouco e era um consolo feito de pequenas posses e pertencimentos. De repente o tempo se deformou. Os dias eram longos, intermináveis, insuportáveis. Ele era como um bicho de terra jogado na água ou bicho de ar preso ao chão, ele e o lugar onde estava não se acolhiam. Foi então que lhe veio a vontade de grito e abriu a boca e ela veio: a noite, e era sem lua, e ele a devorou, ainda na manhã de sua vida. Foi de surpresa, mas desejado, sem saber que era aquilo que ele queria. Nunca mais abriu a boca para não deixá-la escapar. Do grito que não saiu penetrou-lhe o silêncio que jamais partiu. Tinham-lhe por soturno, sem saber que em verdade ele era noturno. Com o tempo a lua veio e fez nele seus quartos e ele minguava e crescia com ela em sua noite íntima e particular. Foi tomado por constelações, até que Ela chegou. Era brisa e fresca e passava por ele como carícia leve e era bom e tinha luz. Foi então que lhe veio de novo a vontade de grito e abriu a boca, mas só suspirou, e foi um alívio. Ela veio. Ofereceu-a uma estrela, disse vem, pega, é sua. Ela riu. Ele chorou e viu que a noite lhe escorreu pelos olhos, porque seu riso era o sol. E ele não era mais um menino.

sábado, 28 de março de 2009

Nem todo o tempo do mundo.

Ela. Bonita, sagaz, feliz. Era o tipo de pessoa que te dava bom dia na rua, que sorria por nada e era capaz de desviar o caminho só pra ficar um tempinho a mais com você.

Ela. Sábia, intelectual, conselheira. Devorava livros todos os dias de manhã. Letras de músicas... Nada lhe escapava. Tinha sua própria estante de livros e vinis. Sabia das palavras certas, nas horas certas, sem frases feitas, sempre palavras vindas da alma.

Ela. Sensata, perspicaz, tagarela. Tocava o telefone e a voz do outro lado perguntava se era da assistência técnica da máquina de lavar de marca X. Ela dizia que não, que foi engano, mas argumentava que também já havia tido problemas como esse e passava a relatar sobre todos os eletrodomésticos que já passaram por sua casa e deram algum tipo de defeito. E, no fim da conversa, ainda recomendava a marca Y que era muito melhor.

Ela. Força, inspiração, abraço apertado. Tinha o dom da escuta e sabia, como ninguém, enxergar além das palavras, através dos olhares, essa era uma das partes que mais gostava nela. Tinha um abraço acolhedor e a alegria no rosto mesmo já sentindo dor. Era o meu ponto de apoio. Meu equilíbrio.

Ela. Boba, chorona, sentimental. Ficava emocionada com palavras bonitas, conversava com suas flores e acreditava ter a melhor neta do mundo. Se bem a conheço, já estaria com os olhos cheios de lágrimas diante dessa pequena homenagem. “O seu amor é tão bonito”, ela me disse um dia.

Ela. Estrela, luz, bússola. Brilha solta em minha vida, se faz urgente e necessária em meu caminho. Desfaz meus nós, é meu amuleto, meu divã. Ah, vó, preciso tanto segurar sua mão para atravessar a rua.


Quatro meses e uma saudade que não passa.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O medo amedronta o medo.

"Podiam vender Dorflex pra alma", divagava, pensando nas entranhas doloridas e exaustas que carregava. Mais um fracasso sem porquê. Tentava, tentava, seguia receitas, improvisava, e o fim era sempre o mesmo: um fim. Buscava duração, sonhava com a permanência, mas a vida, rio, passava. E ele, de alma gasta, temia ser levado pela correnteza. Aliás, ele sempre temia alguma coisa. Seria o medo o por quê? Ele não tinha coragem de pensar nisso. Mas o fracasso, em algum momento, havia lhe chamado de covarde, ele ouviu, apesar de ter fingido que não. Uma caixinha de coragens. Uma garota, sua conhecida, tinha uma dessas, para o medo de escuro e de injeção. Ele precisaria de um baú, mas provavelmente usaria para se enfiar dentro dele. O medo, essa sombra. "Mas o medo protege", retrucava, pensando nos riscos de acidente que toda manobra ousada traz. Ele não era ousado. Preferia a margem, e enfiou seus pés de tal maneira na terra firme que nunca mais se moveu. Até que um dia a maré subiu. E ele sempre teve medo de aprender a nadar.

domingo, 22 de março de 2009

"É de mágica que eu dobro a vida em flor"

"Eu sou um livro aberto sem histórias, um sonho incerto sem memórias do meu passado que ficou, eu sou um porto amigo sem navios, um mar, abrigo a muitos rios, eu sou apenas o que sou..."

Sou velho, moça. Da vida tenho já algumas sabenças, tem vez que parecem muitas, tem vez que são tico de quase nada, que por muito que já tenha visto, ainda acho de me espantar por coisa ou outra, aí vejo que por mais de achar que um pouco de tudo já me passou ante as vistas, ainda tem mistério no mundo que me falta dar por olhado e sabido. Pois que de mistérios mundo é fonte que não cessa de jorrar, pois não é? Pois sim. E a senhora, moça, me vendo assim de fato simplório, que de fato o sou, talvez se prenda mais às minhas ignorâncias. Porque pessoa é assim mesmo, que no geral apraz julgar mais com os olhos que com os ouvidos - esses fazem melhor juiz, nem sempre cem por cento de juízo justo, mas de ouvir o que a boca fala se acha mais compreensão acerca de um sujeito só de lhe apreciar o que o corpo amostra. Corpo é matéria de muito feitiço, moça, mulher-dama que lhe conte do tanto de poder sobre as vontades viris que consegue por saber fazer uso de suas carnes. Muito feitiço. Mas isso não é assunto que eu vá tratar consigo, que lhe tenho respeito, por mais de poder já lhe ser pai ou avô pelo andar dos anos. Posso lhe falar com dignidade e decência de outros temas que minhas rugas me autorizam. Da cegueira e da loucura do amor, que enxerga só o que sua doidice insana lhe pinta; da tristeza molhada que afoga em lágrima, como dor de morte; ou da tristeza seca que racha o peito, como dor de arrependimento; da alegria boba e bonita, como esbarrar o olho num arco-íris ou pegar na surpresa uma dessas estrelas que avoam no céu de noite e se jogam no vasto onde se somem; disso tudo posso lhe falar e dar fé por lhes ter vivido. No mais, se lhe disser, digo mentindo se quiser tocar o que minha sabença não alcança. No mais, então, moça, só mesmo a senhora vivendo por si, que a vida de cada um é o mestre maior que há de existir e não há livro mais ensinador. Viver é aula de cedo à noite, mas há quem pule janela e faça mais gosto de ficar brincando afora escondido do professor, pois não é? Pois sim. Pois lhe digo, moça, apoiado em meus calos, que mais vale ficar quieto e atento em seu lugar, que vida não se acaba nunca de aprender como se vive, tem lá suas contas que mesmo juntando dedo de pé com dedo de mão não se acha jeito de aprender a alcançar a soma exata. Vida parece encenação que se ensaia sempre e não se apronta nunca, por não chegar jamais a sua forma definitiva, pois que, tirante morte e amputação, pouco lhe há de definitivo, que se assente e pronto. Viver nunca se sabe bem qual formato deve ter para apresentar sem fazer vergonha, cada dia nos parece que deve ser de um certo jeito o ato, onde no outro dia um fato já nos aponta erro. Vida é bicho sempre desassossegado, que mesmo em sono se agita em sonho. Pelo menos é o que me parece, pois não é? Pois sim.

"...Eu sou um moço velho que já viveu muito, que já sofreu tudo e já morreu cedo. Eu sou um velho moço que não viveu cedo, que não sofreu muito, mas não morreu tudo."

quarta-feira, 18 de março de 2009

"Sempre enFrente..."

“...Nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo, e tão sério, e selvagem, selvagem...”

Sim, eu vou desse jeito, apesar de tudo. Não com cem por cento de coragem, tem sempre um frio na barriga, uma inquietação, um tremor que só eu noto, às vezes pesadelos. Mas eu vou assim mesmo. Medo maior tenho de acomodar e virar concreto armado, plástico, aroma artificial com corante. Porque eu sangro e suo e choro e mijo, escorro em líquidos reais fabricados por sensações reais e sou real mesmo quando plebéia. Sinto muito, eu sou de verdade e sem conservantes. Não adianta procurar meu mapa e querer saber o nome das minhas ruas. Pra me penetrar tem que ser no instinto e no sentimento. Tem que saber se orientar pelas estrelas e pelo faro, senão você se perde - ou me perde. Meu coração não é urbanizado. Tem leão e formiga, hipopótamo e joaninha, hiena e borboleta, elefante e minhoca. Aqui não dá pra fugir da lama, é pra correr descalço e sujar os pés. Não sou banquete, sou pra comer com as mãos, entende? Então essa delicadeza ensaiada e formal não me fala, nem me cala. Delicado pra mim é pinguinho de chuva na bochecha, é brisa levantando três mechas de cabelo, é gargalhada de criança, não tem nada a ver com usar os talheres certos ou dominar regras de etiqueta. Pra mim o cheiro da pele tem mais importância que o preço do perfume, pra usar em volta do corpo sou mais um abraço que uma roupa cara com intenções baratas, o brilho do olho faísca sempre mais que o diamante. Eu gosto de andar nua pela casa. Eu quero andar nua pela sua vida. Selvagem? Sua civilização tem feras muito mais perigosas. Cuidado. Elas são traiçoeiras. Na minha selva, que te aflige, é sempre olho no olho. Quem vai piscar primeiro?

“...Veja o sol dessa manhã tão cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...”

domingo, 15 de março de 2009

A chuva

O dia era 14 de outubro, hora do almoço, aconteceu uma chuva de poemas sobre o prédio em que ela trabalhava. Um helicóptero despejou milhares deles, em homenagem aos 78 anos de Ferreira Gullar. Ela andava pelas calçadas sorrindo para os papeizinhos brancos que planavam, como criança encantada pelos flocos de sua primeira neve. Começou a recolhê-los pelas ruas, distraída, sem pensar nos carros. Até que não seria um fim tão ruim:

"A moça morreu enquanto tentava colher poemas no meio do asfalto quente"

Depois, já do alto de sua janela, via os poemas espalhados pelos telhados e pensava nas pessoas embaixo deles, alheias ao fato de que havia poesia sobre suas cabeças. Pensava na surpresa dos que achariam versos plantados em suas varandas, e talvez um deles tivesse caído sobre algum travesseiro e o Deus do Acaso o utilizasse para mandar algum recado importante. "A poesia quando chega não respeita nada", dizia um dos flocos de lirismo que colheu.

A ela os versos também disseram o seguinte:

O sofrimento do homem não tem nenhum valor,
Não acende um halo em volta
de tua cabeça,
Não ilumina trecho algum de tua carne escura
(Nem mesmo o que iluminaria a lembrança
ou a ilusão de uma alegria)

Sofres tu,
sofre um cachorro ferido,
um inseto que o neocid envenena.
Será maior a tua dor
que a daquele gato que viste
a espinha quebrada a pau
arrastando-se a berrar pela sarjeta
sem ao menos poder morrer?

A justiça é moral, a injustiça não.
A dor te iguala a ratos e baratas
que também de dentro dos esgotos
espiam o sol
e no seu corpo nojento
de entre fezes
querem estar contentes.


Ferreira Gullar.

quarta-feira, 11 de março de 2009

M a i s l e v e q u e o a r . . .

"Que é que eu vou fazer pra te esquecer? Sempre que já nem me lembro, lembras pra mim. Cada sonho teu me abraça ao acordar, como um anjo lindo, mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus pode apagar...”

Aquele que me arrebata, seja de uma vez ou um pouco a cada dia. O que me tira do chão, que não me permite fugir. Aquele do qual eu nem tento fugir. O que muda a minha vida sem fazer esforço. Que me abraça e me faz pequena. Aquele ombro no qual a minha cabeça se encaixa com perfeição. Aquele que faz os meus muros desabarem e redes de proteção arrebentarem. Aquele que me faz ter fé na vida. Que me faz ser obrigada a reconhecer que “fundamental é mesmo o amor”. Aquele que se preocupa com a minha alimentação, com o meu futuro, com a minha vida. Aquele que diz “eu te amo” com olhos de orgulho, e que me dá orgulho. Aquele que me deu colo, que me deu a mão, e que me dá... amor.

“...Que é que eu vou fazer pra te deixar? Sempre que eu apresso o passo, passas por mim. E um silêncio teu me pede pra voltar, ao te ver seguindo, mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus pode apagar...”

Ah, nossas frases, uma completada pelo outro, sempre mexendo ali no ponto fraco, parecíamos nos conhecer tão bem desde o inicio, e era tão bom parecer transparente, saber que de alguma forma alguém ia saber ao certo o que você tinha sem precisar que você abrisse a boca pra falar alguma coisa... Era tão sublime essa ligação, que nos deixava sem palavras muitas vezes, entendendo apenas o silêncio do outro, como se só a presença mesmo tivesse o poder de nos acalmar, e só bastava que ficássemos sentados lado a lado. Tão pouco nos deixava felizes quando estávamos juntos. Nós, desatando os nós. Sempre tão inteiros.

“...Que é que eu vou fazer pra te lembrar? Como tantos que eu conheço e esqueço de amar. Em que espelho teu, sou eu que vou estar? A te ver sorrindo, mais leve que o ar, tão doce de olhar, que nenhum adeus vai apagar..."

Mesmo com teus muros que te separam um pouco da minha cidade, não vou me esquecer de nada do que passou, nem por meio segundo que seja. Cada fato, cada sorriso, cada lágrima, cada dor, cada abraço, vou levar comigo em todos os dias da minha vida. E, quando eu sentir saudade, vou fechar os olhos e reviver cada dia daqueles... Pra você, eu vou estar aqui, seja nessas linhas, ou em qualquer lugar. Eu sei que é amor. Até o fim amor.

“...M a i s l e v e q u e o a r, tão doce de olhar, que nenhum adeus vai apagar...”


Vai sem duvidar, mas se ainda faz sentindo, vem, até se for bem no final será mais lindo.

domingo, 8 de março de 2009

8 de março.

“Dia de ganhar rosas e batons da avon? De ler lindas mensagens sobre a “senhora da criação e da beleza”? De receber cumprimentos pelos papéis desempenhados (mãe, rainha do lar, irmã, esposa...)?”.

Mulher, do Lat. muliere: pessoa do sexo feminino, depois da puberdade; [...]; espécie de jogo. Bot., -frágil: planta africana.

Em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, 129 operárias de uma fábrica de tecidos morreram queimadas pela ação da polícia para conter uma manifestação, um pedido por melhores condições de trabalho, diminuição da jornada de 14 para 10 horas por dia, o direito à licença-maternidade e salários iguais ao dos homens, porque tinham naquele tempo cerca de apenas um terço do salário pago a eles. Em homenagem a elas foi criado “O Dia Internacional da Mulher”, comemorado desde 1910, quando uma conferência internacional na Dinamarca decidiu homenageá-las.

É muito longo o caminho das mulheres em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Quando digo que, no fim do século dezenove, na Inglaterra, mulheres sozinhas, sem marido, eram consideradas um problema social, parece mentira. Mas não é.

Vista como um ser esquisito, o tal ‘problema social’, na verdade, não passava de uma preocupação política com o mercado de trabalho. O censo inglês da época contava muito mais mulheres solteiras do que homens, ocasionando um alarme entre os detentores do poder econômico.

Chegou-se a cogitar a emigração de mulheres para as colônias, onde sobrava homem, para que elas pudessem exercer a sua função de fêmea, que seria, segundo concepção, apenas o de completar e embelezar a vida do homem e não em se preocupar com carreira ou em ganhar seu sustento.

Se, perante a lei da maioria dos países, não existe qualquer diferença entre um homem e uma mulher, a prática demonstra uma situação diversa. Persistem, ainda, situações de desigualdade (salarial, econômica, política, sexual, de autonomia...). Há ainda muito que se lutar para que as conquistas “saiam do papel”.

Permanece a idéia de que o casamento e a família são sempre o mais puro do amor e da harmonia. Os dados são enfáticos: 15% das mulheres brasileiras sofrem violência doméstica (dado/2007), e a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais e antigos. E aí?

Ah, claro, todas as reivindicações são feitas com maior intensidade na data estipulada, existem os discursos e discussões, mas no dia 9 de março as mulheres continuam sujeitas a jornadas triplas de trabalho; continuam trabalhando 50% mais que os homens, na mesma função, para ganhar 50% menos; continuam objeto de valores ditatoriais (da beleza, por exemplo); continuam vítimas de violência, sofrendo todo tipo de intimidação.


Será mesmo preciso comemorar um dia desses?

Fica a Questão.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Todo amor que houver nessa vida...

O que ela precisa agora é voltar ao estado da paixão. É reinventar uma maneira de seguir em frente desafiada, sem temor, apenas com a vontade de chegar ao outro lado. Tem necessidade de tirar os pés do chão de vez em quando. Olhar de frente para o que não conhece e cumprimentar: – Muito prazer!

Mas esquece dos tropeços da Alice e sai correndo a cada passo largo do coelho. Noites de beijos, de sombras, de bilhetes amassados com nomes e telefones de quem sequer lembra a expressão dos olhos. Ela até quer a vertigem. Mas ainda sonha com uma vida mais calma, sem tantas máscaras diárias e sofrimentos desnecessários. Não suporta mais acordar com raiva de si, vez por outra, confusa, diante do espelho e sem conseguir se enxergar.

Hoje resolveu lavar roupa. Toda a roupa suja que havia acumulado nos últimos dias. Já não gosta mais de ficar esperando o próximo trem. Precisa voltar a ter foco. A acreditar em si, sem necessariamente ancorar seus navios em portos alheios.


Às vezes o par não vem (e parece que estamos sempre à espera de ser dois, não é mesmo?) e você tem que buscar a tal felicidade sozinha (contrariando a canção), da melhor forma possível, sem fazer dos períodos de solidão um drama sem fim. Na maioria dos casos a tal sorte do amor tranqüilo (com-sabor-de-fruta-mordida) surge quando menos se espera...