domingo, 8 de março de 2009

8 de março.

“Dia de ganhar rosas e batons da avon? De ler lindas mensagens sobre a “senhora da criação e da beleza”? De receber cumprimentos pelos papéis desempenhados (mãe, rainha do lar, irmã, esposa...)?”.

Mulher, do Lat. muliere: pessoa do sexo feminino, depois da puberdade; [...]; espécie de jogo. Bot., -frágil: planta africana.

Em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, 129 operárias de uma fábrica de tecidos morreram queimadas pela ação da polícia para conter uma manifestação, um pedido por melhores condições de trabalho, diminuição da jornada de 14 para 10 horas por dia, o direito à licença-maternidade e salários iguais ao dos homens, porque tinham naquele tempo cerca de apenas um terço do salário pago a eles. Em homenagem a elas foi criado “O Dia Internacional da Mulher”, comemorado desde 1910, quando uma conferência internacional na Dinamarca decidiu homenageá-las.

É muito longo o caminho das mulheres em busca de respeito à sua dignidade pessoal, social e profissional. Quando digo que, no fim do século dezenove, na Inglaterra, mulheres sozinhas, sem marido, eram consideradas um problema social, parece mentira. Mas não é.

Vista como um ser esquisito, o tal ‘problema social’, na verdade, não passava de uma preocupação política com o mercado de trabalho. O censo inglês da época contava muito mais mulheres solteiras do que homens, ocasionando um alarme entre os detentores do poder econômico.

Chegou-se a cogitar a emigração de mulheres para as colônias, onde sobrava homem, para que elas pudessem exercer a sua função de fêmea, que seria, segundo concepção, apenas o de completar e embelezar a vida do homem e não em se preocupar com carreira ou em ganhar seu sustento.

Se, perante a lei da maioria dos países, não existe qualquer diferença entre um homem e uma mulher, a prática demonstra uma situação diversa. Persistem, ainda, situações de desigualdade (salarial, econômica, política, sexual, de autonomia...). Há ainda muito que se lutar para que as conquistas “saiam do papel”.

Permanece a idéia de que o casamento e a família são sempre o mais puro do amor e da harmonia. Os dados são enfáticos: 15% das mulheres brasileiras sofrem violência doméstica (dado/2007), e a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Estima-se que mais de 2 milhões de mulheres são espancadas a cada ano por maridos ou namorados, atuais e antigos. E aí?

Ah, claro, todas as reivindicações são feitas com maior intensidade na data estipulada, existem os discursos e discussões, mas no dia 9 de março as mulheres continuam sujeitas a jornadas triplas de trabalho; continuam trabalhando 50% mais que os homens, na mesma função, para ganhar 50% menos; continuam objeto de valores ditatoriais (da beleza, por exemplo); continuam vítimas de violência, sofrendo todo tipo de intimidação.


Será mesmo preciso comemorar um dia desses?

Fica a Questão.

5 comentários:

Agostinho Lopes disse...

Olá...

Li teu comentário no blog da Intense e vim "invadir" aqui...

De fato, o que escrevesse é, infelizmente, a realidade... Que a data sirva então como um "libelo", Assim fará sentido e que a origem da comemoração seja sempre lembrada e informada às novas gerações, que vêm apenas uma ocasião de comemoração, sequer sabendo o "porque".

Abraço!

Danila :) disse...

Gostei muito dos seus textos, a senhorita escreve muito bem. =)

Katarina disse...

O dia internacional da mulher é o dia internacional da hipocrisia...

Madrez, Mari disse...

Muitas das mulheres que se dizem feministas, só sabem reclamar.

Blog lolcos disse...

lol, cara li mto hoje ja fazendo trabalho de geografia
auishaiushauih nemli entao
dahor ao layout e talz do blog
parabaens
t+
http://lolcos.wordpress.com/