domingo, 12 de abril de 2009

“...Como se o mar entrasse em casa, lavasse as mágoas, e nos trouxesse calma...”

“...Todo azul do céu
Dava pra encher o universo
Da vida que eu quis pra mim...”


Ah, se eu pudesse escrever com os olhos, com as mãos, com os cabelos, com todas essas sensações estranhas que um entardecer nublado, como o de hoje, provoca na gente.

Escrevo agora pensando no Paraíso. É só lá que encontro céu e mar à vontade, azuis, imensos, quase fundidos um com o outro. O céu e o mar vistos de longe são avarentos, mostram pedacinhos pequenos, perdidos no meio dos apartamentos. Parecem ter vergonha de se mostrar. Lá, não. Quase não há olhos para os verem, e então se expandem sem mesquinhez nenhuma.

Acontecem coisas estranhas quando estou num lugar muito extenso. Uma vontade de voar, parece que bastaria abrir os braços para juntar-me com o céu. Ao mesmo tempo, dá vontade de ficar ali, na terra firme, e viver, viver muito, com todas as miudezas do dia-a-dia. Impressão de ser maior que tudo, sensação de grandeza, de força, certeza de vitória, vitória tão certa e fácil como a natureza se mostrando ali, pra mim. E também uma grande humildade, consciência de ser tão inferior em relação ao azul-azul do céu, ao azul-em-cor do mar.

Há dois dias atrás fui lá, e senti uma leve tristeza ao chegar em casa, quando entrei no meu quarto e lembrei daquelas coisas todas, da natureza, ali, se oferecendo de um jeito que poderia ser obsceno, se não fosse tão puro. Fiquei perto da janela enquanto escurecia. A rua estava vazia. De vez em quando passava um carro, mas parecia não ter pessoas dentro deles, como se fossem dirigidos por controle remoto. Parecia que estava chovendo.

Depois bateram à porta, me chamaram pra jantar. Levei um tempo, de propósito, para lavar o rosto, e quando entrei na cozinha a mesa estava vazia. Todos me olharam, de longe, e não sei se havia susto, amor ou censura em seus olhares. Sei que de repente me deu uma enorme vontade de carinho. Pensei que, bons ou maus, eles são meus, me viram nascer, crescer, e me querem de uma maneira completa, como ninguém mais poderia me querer, porque eles me conhecem. Como se soubessem mais de mim do que eu mesma, e tive a sensação de estar nua.

Quero mudar a minha vida. Mudar não é tão fácil, mas, ou aprendemos a nos adaptar com as mudanças, ou somos deixados para trás. Crescer é doloroso. Qualquer um que te disser que não, está mentindo. A gente cresce, fica alto, mais velho... Mas, na maioria dos casos, a gente ainda é um bando de crianças correndo no parquinho desesperados para entrar num grupo. Mas aqui vai a verdade: às vezes, quanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas. E às vezes, oh, às vezes mudar é bom. Às vezes mudar é tudo. É preciso arriscar. Tenho dezenove anos, é tempo de fazer alguma coisa. Talvez eu tenha medo demais, e isso se chama covardia. Fico me prendendo a textos, palavras e temores, e o tempo vai passando. Covardia é uma palavra feia. Receio de enfrentar a vida cara a cara. Dar a cara à bolacha mesmo. Cair, levantar, seguir. Descobri que não me busco ou, se me busco, é sem vontade nenhuma de me achar, mudando de caminho cada vez que percebo uma luz. Fuga, o tempo todo fuga. Suavizada, às vezes, por algum reconhecimento, mas sempre fuga.

Quero ser eu mesma. Com tudo de mau que isso possa me trazer. Fácil não será, mas estou disposta a correr o risco. É preciso arrancar as idéias do pensamento, do papel, e torná-las um pedaço de mim, decisão cravada no corpo. Não sei como fazer, por onde começar, mas sei que o farei. Hoje, amanhã ou depois. De uma vez só ou um pouco a cada dia, eu o farei.

5 comentários:

Madrez, Mari disse...

Sabe... A minha senha do blog transparece mudança. É sobre aquela mudança que tentamos fazer dia-a-dia nas nossas noites. Te amo e tô com saudade.

.Intense. disse...

Engraçado que, eu li, olhei pra tela e pensei 'meu deus,a Yasha escreveu sobre ela mesma' - e daí vc entrou no msn. Ausente, como sempre.
;)

Sei q vc vai dizer que já escreveu 'vc mesma' em mtos outros textos...mas foi a primeira vez q EU SENTI. talvez por reconhecer a foto, que tanto me encantou, e q vc me mostrou há uma semana atrás. por saber que ali realmente é um canto seu.

acho que eu não sou a melhor pessoa pra dar conselho ultimamente, Yasha. ando em conflito com as mudanças - interiores. mas te digo: é dificil, mas é preciso. mudar, ir atrás, correr riscos. quem fica parado é poste, né não? e de poste vc não tem nada - a não ser a luz.

;)

vá em frente, menina Yashashitzu. e, se no meio do caminho,precisar de força, de colo, de risada ou de uma música...conta comigo. com a gente.

;)
;*


ps.: tenho nada a ver com isso, mas, oq esse moço quis dizer com 'senha do blog'? o.O

/xisduaslinhas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
/xisduaslinhas disse...

eu tô me descobrindo e vou me decepcionando com o que vejo.. mas a cada várias decepções aparece uma suspresa que faz valer o dia.
acho que estou me descobrindo melhor do que achava que era possível.
eu aconselho a passar por isso, tenta.

e à menina de cima, A mari não é um moço. (y
beijo yasha :*

Vanessa M. disse...

Quando eu corri o risco, fui meter a cara e mostrar quem eu sou, lutar por quem eu sou, resultado: Sofri muito mais.
Quando você luta pelo que você é, voce sofre muito mais do que quando não era. O bom é que é um sofrimento com orgulho, com amadurecimento e que te proporciona depois bons sorrisos.

Seja, seja, simplesmente seja.


Aaaai, como tou sumida desses comentários aqui =/

Tudo tão gostoso de ler.