sexta-feira, 3 de abril de 2009

Dos contos e do Intenso.

Ela escreveu essas palavras lá no Excesso Intenso. Não resisti à tentação de completar a história... Espero que você não se importe, Intense.

Em 11 de Março

“Minha vontade é vir aqui e escrever 'não consigo escrever mais, não sei, desaprendi, bjotxau'. E eu precisei vir contar isso. O blog é meu, é meu excesso, é o que transborda, é o que eu não sei guardar. E pra mostrar, eu preciso me guardar. Preciso ser só a Intense, sem nome, sem amor, sem histórias, só meu coração e o que eu sinto. Não estou conseguindo escrever, não estou conseguindo deixar transbordar aqui sem pensar no medo que eu tenho de me revelar - e isso nunca foi assim. Maneirei no meu julgamento, mas continuo pesando no dos outros. E, olha? tá foda, eu estou chorando pra escrever isso, e isso é até bom - porque tem tempo que eu não solto o coração, nem aqui nem em lugar nenhum. Estou sempre medindo, as palavras, as histórias, as cores, e desde quando o que é intenso se mede? [...] De tanto guardar, o excesso ficou intenso. E agora eu não sei como descarregar tudo.”


Agora guarde essa imagem na memória, porque é só lá que ela vai existir. Hoje ela acordou diferente por dentro, e o primeiro efeito foi querer ficar diferente por fora. Fogo nos cabelos, agora vermelhos, para combinar com seu interior que ardia. E chega de tantos acenos, a tantas pessoas que só lhe roubavam o tempo de sua própria companhia. Os outros diriam que ela andava esquisita e reclusa, mas ela resolveu passar mais tempo consigo, porque sabia que tinha algo a dizer. A se dizer. Deu-se o tempo de se ouvir, então. E o que se escutou falando foi que os pensamentos estavam sendo escritos, sim, que o erro e o desvio faziam parte de todos os enredos, que nenhuma vida era fantástica o tempo todo, que aquilo tudo podia virar matéria-prima de poema em prosa, e que ela mesma era um grande personagem.

Naquela noite não dormiu. Secou suas lágrimas e venceu o demônio que guardava as primeiras linhas. Matou-o aos rabiscos e canetadas. Escreveu sem parar e sem pudor e, quando a manhã chegou, ela se deu o dia. Uma desculpa qualquer no trabalho - gripe, cólica ou comida estragada - e se levou para passear. Não, isso não significa que tudo deu certo depois. Ela apenas descobriu que cada fruto tem sua estação certa de ser colhido e quem os prova nos tempos do amargor do verde fica achando que seu gosto não presta. Não. Ela prestava. Bendito seja seu fruto, ave Intense, e que de seu próprio ventre nasça a luz.


O excesso continua intenso.
Mas agora ela já sabe como descarregar, caso incomode.

4 comentários:

.Intense. disse...

Vc disse no Excesso Intenso 'e não fica brava'. Ficar brava eu não fico, mas eu ME IMPORTO E MUITO!

Já ganhei mtos textos, Yasha. Poemas, contos. Até mesmo texto teu. Mas, te falo, nenhum tão bonito. Li em voz alta, no trabalho, e disseram q vc é poeta - olha que lindo, hahahah..fiquei me sentindo a tela do artista, pintada tão bonita, tão intensa e tão eu.

Não tenho como tirar um trecho, selecionar, escolher...ficou perfeito, Yasha. Obrigada pela atenção SEMPRE e por me escrever tão bem. Vou lembrar do teu conselho e, torcer pra que realmente, a luz nasça.

Adoooooooro-te intenso. Muito intenso mesmo. Intenso em excesso.

;)

Te beijo!
;*

Inez disse...

Nossa que lindo, um texto perfeito, profundo demais.
Parabéns!

MARCOS LEITE(POETA D'ALMA) disse...

sempre as palavras da alma fala mais bonito!pois são essas as palavras de sentimento!

tenha uma boa noite!e me responda,o que você acha da poesia?

Tati disse...

Os dois textos poderiam muito bem ser lindamente belos sozinhos. Mas eles se complementam, tornam-se plural. E juntos, não são excessos, mas intensos. Na medida certa.