quinta-feira, 30 de abril de 2009

Eu pedi borboleta e não lagarta!

Tudo bem que elas virem borboletas, hoje eu sei... Hoje eu também sei que o tempo pode ser um grande remédio ou uma grande desculpa... Enquanto isso sinto que a vida é esse minuto passando... Em um momento, nos tira as certezas, nos deixa no chão, sem amparo, é a passagem do sonho para realidade, que é sempre um abismo louco e longo, de onde podemos levantar vôo ou se deixar cair. Viver é essa atividade de fazer escolhas, assim definitivas, entre viver cada minuto com o peso da responsabilidade de ser único ou com a leveza de que é frágil, passageiro, e só nos resta vivê-lo intensamente (ou não), mas sempre como donos da história e da escolha.

Já fui mais pesada em relação à vida, um jeito meio cinza de viver. Mas Passou! Não sei se foi por que ouvi alguém cantarolar que era "preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã", ou por que deixei de me levar tão a sério, ou por que a vida ficou tão caótica que ficou cômica, ou se foi a lua em leão, ou meu ascendente, que me amoleceu... Ah, eu não sei... De repente, não queria mais alimentar a dor, foi como se a tal felicidade, que eu sempre soube merecer e procurava em outras pessoas, me fizesse um "psiu" me chamando para dentro, como se a consciência tivesse descoberto a Bahia, que eu nem conheço, e brincasse nas águas de Salvador, foi assim num minuto qualquer que optei pela vida.

A leveza da vida não me queria mais exposta e em carne viva, deixei de mexer nas feridas de sempre, de espalhar pelo caminho as pedras que decisivamente me derrubavam, me perdoei de várias besteiras, deixei de engessar os braços antes de subir nos muros, de criar pontes quebradas me impossibilitando de seguir, talvez tenha sido Manoel de Barros que me disse "que os passarinhos de NY também têm duas patas e que tudo eram só vento e aflição do espírito"...

Foi uma soma de pequenos detalhes, livros, palavras, filmes, foram beijos que passaram sem deixar um gosto amargo na boca, foram abraços, alguns sonhos que tornei a criar, cores que voltei a ver, foi a vida me chamando pra dançar, e dessa vez não era tango...

Hoje sei que as dores todas eram minhas, criadas por mim, vendo através da lente das minhas complicações, super valorizando meus medos, minha incapacidade de me encarar, eram obstáculos... Palavras entaladas na garganta que só sabiam arder. Culpas, medos, sufoco... Eram meus escudos.

A vida é bonita sim, brilha... E se às vezes dói, é como diz a Virgínia no filme “As horas”: "é preciso alguém morrer para os outros valorizarem a vida"... Talvez a Yasha sem esperança tenha morrido, mas a que ficou está voando... Refiz minhas asas, agora é primavera, vento norte, e eu mereço! Merecemos!

12 comentários:

Gabriela disse...

è como diz o ditado:
"não leve a vida tão a sério, você não vai sair vivo dela mesmo!"
;*

Wander Veroni disse...

Oi, Yasha!

Você escreve muito bem, parabéns. É sempre bom que somos capazes de mudar, de transformar a nossa vida em algo melhor, não só para os outros, mas para nós mesmos. Adorei a mensagem do seu texto!

Abraço,

=]

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http://cafecomnoticias.blogspot.com

Byers disse...

Sempre somos mais felizes quando conhecemos a nossa essencia. Quem somos de fato, e o melhor de tudo, quando aceitamos nossas virtudes e nossos vicios.

Talves você estivesse em uma má fase, por projetar o que queria em você em outras pessoas...não sei.

Gostei da sua dosagem moderada de exemplificações, metáforas, aforismos e etc. Ficou muito gostoso de se ler!

Parabens. :)

Diego Rodrigo disse...

viva o agora, viva hoje, sem que haja tempo para arependimentos!

Pietri disse...

Ola Yasha.
Realmente essa frase que você cito é o que retrata nossa realidade,de uma maneira abrangedora, so damos valor a alguem quando nõa o temos por perto, e so nos valorizamos quando estamos a beira do abismo.
Adorei seu blog.
Beijos.

wagoncalves disse...

Lindo texto...
Engraçado como evoluimos com o tempo e aquele que corte que muito ardeu e te fez chorar, fez você aprender com ele e agradecê - lo.
Parabéns

Wagner

kilder disse...

legal as tuas palavras!!! parabéns! t+

Mel disse...

Oie!
Lindo o texto, quem sabe um dia eu também escreva que consegui derrubar meus escudos; ainda não me permito errar, mesmo tendo plena consciência de que o erro faz parte da natureza humana e que por mais que eu tente evitar, ele uma hora acaba acontecendo.
Fico feliz por ti.
Bjs

Sarah Costa disse...

é tão bom mudar, percebemos que soubemos aproveitar a vida e o tempo não passou em vão. Eu acho que meu maior medo é chegar a velhice, olhar para trás e ver que eu não fui feliz, não vivi. Saudades de você, grandona ;*

Tchezar disse...

Olá! Tudo bem?
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beijos

Daniel A. S. disse...

Uma das poucas certezas da vida é a mudança, tudo muda nada permanece...

Obrigado pelo comentário em meu blog.

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Vanessa M. disse...

Eu sempre peço borboletas!