quinta-feira, 14 de maio de 2009

E o sol, independentemente, somente se diverte.

Do alto dessa casa, pouca coisa faz diferença. Quatorze de maio, vinte e cinco de dezembro, primeiro de fevereiro. Realmente, tanto faz. O sol nasce todos os dias, sem nem considerar nosso calendário. 1990, 2009, 2030. Que diferença faz? Pra mim e pro sol, não faz nenhuma. Os dias se parecem uns com os outros. E não entendo porque as pessoas do mundo fazem tanta questão de "fatiar o tempo" em pedaços disformes. Décadas, anos, meses, horas, minutos, segundos. Acho engraçado quando me dizem para "dar tempo" ao tempo. "Como assim?", me pergunto em pensamento. Não sei. Mas gostaria muito de saber. Não costumo regular o tempo, pois nem o vejo passar. Os dias são iguais. Não uso relógio de pulso e aquele outro, na parede da cozinha, simplesmente não funciona. Faltam-lhe pilhas. Pilhas que sempre esqueço. Assim como esqueço de comemorar datas festivas. Assim como esqueço de ligar pros meus tios de outros estados em seus aniversários. Apenas esqueço e pronto. Porque não faz diferença.

Do alto dessa casa, pouca coisa faz diferença. Natal, ano novo, páscoa, carnaval. Tanto faz. O sol continua lá, nasce e se põe do mesmo jeito. Será que ele sente tédio? Se eu raiasse todo dia, sempre daquele jeito, talvez eu também sofresse de tédio. Vai ver é por isso que, às vezes, chove. Só pra fazer diferente. Acho que os dias se diferem uns dos outros por simples detalhes. Um deles é a presença, quase sempre temperamental, da lua. Mulher de fases. Essa não sofre de tédio, aposto. Cada semana está de um jeito. Realmente faz a diferença. Mas mesmo ela, muitas vezes, se repete. Tudo se repete. A começar pela minha vida: Uma grande parte de horas cheias dos mesmos “boas-tardes!", "como vais!", “desculpas!” e "obrigados!". Não uso calendários, e aquela agenda, em cima da cômoda, não funciona. Faltam-lhe anotações. Anotações que sempre esqueço. Assim como esqueço a pasta de dentes aberta. Assim como esqueço de retornar algumas ligações. Esqueço e pronto. Porque não faz diferença. Os dias se parecem uns com os outros, mas, quando prestamos atenção nos detalhes, encontramos as diferenças que nos fazem aprender. E quando aprendemos sentimos o tempo passar. E quando sentimos, já passou. E só ficou o que aprendemos.

Do alto dessa casa, pouca coisa faz diferença, dentre as poucas estão as coisas que aprendemos... E a lua, com todas as suas fases. Então, começo a entender um pouco mais sobre os motivos que levam as pessoas do mundo a fatiar o tempo em pedaços disformes. Embora o meu tempo eu prefira não regular com muita exatidão. Por não saber quanto tempo ainda tenho para fatiar. E o sol, do alto de todas as casas, não morre de tédio, somente se diverte. Vive dando risadas, do quão são diferentes as pessoas do mundo e seus dias, aparentemente, "iguais".

3 comentários:

MinGuarino disse...

Otimo !
pra variar. =P

Daniel Medeiros disse...

Shine of sun

.Intense. disse...

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a chegar ao limite da exaustão. Doze meses dá para qualquer ser humano cansar e entregar os pontos. Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante será diferente."
[Carlos Drummond de Andrade]

lembrei de mta coisa lendo seu post, ana yasha. mas dessa foi a primeira. lembrei de um autor, dizendo que Deus devia ser um cara barbudo, sentado numa nuvem, comendo pipoca e dando risada da cara da gente.lembrei de um ex, q eu conheci pq li uma frase q ele usava, num chat, 'o sol nasce pra todos, mas brilha pra poucos'. engraçado pensar que alguém com tanto brilho, possa ser entediado né? acho dificil.

;*