sábado, 11 de julho de 2009

Só não se perca de mim.

Eu costumava imaginar você como algo concreto, sabe? Como naquele poema do Eugenio Montale, "Deste meu nome a uma árvore? (...) Eu, o teu, dei a um rio (...)", ou algo assim. Pois é. Imaginei dando teu nome a uma estrada, a uma longa estrada.

2 comentários:

Danilo Castro disse...

Seu blog me lembrou um dos meus txtos que mais gosto... quando tiver paciência...

Eu hoje me cansei um pouco de mim. Cansei dessa necessidade de escrever em primeira pessoa para me expressar melhor. Cansei de relatar as verdades que não vivi e de acreditar que elas são parte da minha história. Cada vez que eu pulo num abismo eu descubro que o chão nunca me espera e que o eco do meu berro estrondoso fica pairando até não se sabe quando. Eu sou tão volúvel, tão volúpia, tão Eurico que eu cansei de me ser. Eu cansei dessa fome aqui no estômago mesmo. Cansei de me confundir entre o que é e o que não é de mim aqui no papel. Cansei de escrever as palavras: escrever, papel, personagem, história e algumas outras que são as mesmas coisas. Quero ser mais opaco e não o reflexo do que ando lendo. Eu quero ser o recado e não o menino de recados. Eu quero me ser, mas não sei onde me busco. Estou sempre no abismo, só sei que pulei e que gosto da sensação que antecede o pulo. Cansei de não ser pontiagudo e de tentar o ser. Sou todo esférico, polido de mundo e quero cortar a pele dos outros sem ter força ou dom para isso. Quero menos pretensão e apenas escrever sem ser repetitivo e se por ventura alguém me ler, não me importarei. Parece que eu careço de reconhecimento e tenho todo o egocentrismo do Tudo, mas não passo de mosca morta, porque a viva ao menos irrita. Eu ando meio confuso sem saber onde estão os planos habitáveis e os inabitáveis. Eu não sei quem sou no papel e estou me perdendo quando tento me desvendar fora dele. É como se de mim evacuasse o que sou com porções do que não sou, mas o que não sou emana do que ponho aqui e se funde ao que vivo. É um drama sem a estrutura início-clímax-resolução. Estou eternamente vivendo o clímax sem o ser, por isso eu sôo vago e transeunte. Se eu resolver escrever em terceira pessoa é provável que eu não venha ter a habilidade de ser verdadeiro. E quem me disse que o que escrevo é verdadeiro? Ninguém me responde. São vários mundos, vários personagens, uma multidão que crio ao meu lado, mas parece que é cada um por si ou estou sendo alvo de uma conspiração maligna de mim contra mim mesmo? Cansei de ser ator, de ter essa necessidade de me usar para viver o que não vivo, de gritar o que nunca gritaria ou suar dos meus poros as almas que nunca habitaram meu esguio e desengonçado corpo em eterna puberdade. Cansei, não quero mais escrever. Quero a normalidade (cacofônico?), vou exercer minha função procriadora na terra e ir-me o quanto antes daqui. É por isso que tenho medo do que ponho em letras, porque nem eu sei o que vai vir daqui a pouco, daí quando eu reler as asneiras que acidentalmente brotaram, irei bater de frente com dilemas absurdos que nunca da minha voz sairiam. Eu estou perdido. Alguém aí tem a chave do meu enigma?

A.C Once Caldas - SM disse...

Muito bom seu texto serio mesmo, gostei muito, parabens ae *_*