quinta-feira, 2 de julho de 2009

Palavra dá forma, mas também deforma.

“Palavra. Tenho que escolher a mais bonita para poder dizer coisas do coração, da letra e de quem lê. Toda palavra escrita, rabiscada, no joelho, guardanapo, chão. Ponto, pula linha, travessão...”

A pergunta e a resposta cabem na Palavra. A certeza e a dúvida também. Mas como conjugá-las no tempo certo? A memória escreve o futuro com cores do passado, e o presente hesita entre tentativas de originalidade e resgates de rascunhos.

“...E a palavra vem, pequena, querendo se esconder no silêncio, querendo se fazer de oração, baixinha como a altura da intenção na insegurança. Vírgula, parênteses, exclamação. Ponto, pula linha, travessão...”

Ouço gravações antigas e tento lembrar quem fui, esperando que a voz que já foi minha diga algo que me explique. Releio-me para entender quem sou. Procuro laços fortes. Desfaço-me de roupas velhas, jogo fora cartas e fotografias. Descasco-me para entender quem sou. Desfaço laços.

“...E a palavra vem. Vem sozinha, que a minha frase invento pra te convencer. Vem sozinha, se o texto é curto, aumento pra te convencer...”

Construo e destruo para ver o que resiste e permanece. Quase tudo cabe na Palavra, mas o que transborda vem em mensagem cifrada, em pistas nas quais tropeço, em peças de quebra-cabeça nas quais adoro esbarrar. Como um brinde surpresa que surge no meio do jogo, pontos extras - salte 60 casas. Gosto de mudar de endereço e me re-decorar. Quando acho que já me sei de cor, apago-me - volte 30 casas. Quase tudo cabe na Palavra, mas a Palavra não cabe em tudo. Vida em música instrumental. Sinfonias e melodias assobiadas pelo vento que passa. Eu também passo - às vezes em silêncio.

“...Palavra. Simples como qualquer palavra que eu já não precise falar, simples como qualquer palavra que de algum modo eu pude mostrar, simples como qualquer palavra. Como qualquer palavra.”

Há o corpo. Há o símbolo. Há o sonho. Recados que deixo para mim mesma e casualmente me são entregues por outras pessoas. Recebo. A alguns respondo. A outros, apenas indago.

Em quantas línguas você se cala?

3 comentários:

Muitas palavras disse...

vc fala de onde? gostei do seu blog? sou de floripa! Prazer
fellipe é meu nome...

Muitas palavras disse...

quer dizer...gosteido seu blog! afirmando :)

Isadora Garcia disse...

"Ouço gravações antigas e tento lembrar quem fui, esperando que a voz que já foi minha diga algo que me explique. Releio-me para entender quem sou."
"Construo e destruo para ver o que resiste e permanece."
Adorei!


Vc comentou no meu blog já faz um tempão e pediu para eu dar uma passadinha aqui pedido que não sei porque esqueci completamente de atender! Perdoe-me por tal descuido. Mas hoje venho me redimir, hehehe

Beijos