quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O fim que nos persegue desde o começo.

Está ali todos os dias. Infinito. O adormecer irresistível que nos mata temporariamente, o despertar que é a insistência da vida, o coração que bate sem ser mandado, o ar que sabe como sustentar o corpo... Ignorantes que somos de como o que é vivo nos domina cada célula, e cada célula morre sem aviso ou permissão, o tempo todo. Habitamos um corpo que nunca é o mesmo. Não temos mais o corpo com que abandonamos o ventre, não temos mais o corpo que foi ao primeiro dia de aula. Cabelos, unhas e pêlos crescem e são cortados continuamente. Líquidos entram e saem. Perdas e ganhos à flor da pele, que murcha e refloresce constantemente...

O que é o eu que permanece?

A árvore não deixa de ser a morte da semente, assim como a borboleta é o fim da lagarta. Mas nós nem sempre voamos, nem sempre brotamos. O que somos diante do que já não é? O que podemos ser quando algo deixa de ser?

Dor e alívio.

A vida insiste.
A morte insiste.
Você resiste.
Porque é infinito o fim, mas há sempre uma nova história começando depois da última página.

4 comentários:

Andréa Haushin'ka disse...

Oi yasha, A Mari me passou seu blog, vou te acompanhar, pelo pouquinho que li, até.

.Intense. disse...

seu post me deu vontade de falar, de falar do que eu não tenho falado: sentar no chão e despejar todas as pedrinhas coloridas, e as lascas das que já se quebraram, fazendo barulho e estardalhaço...mas eu me perco, eu me escondo, eu recuo. e, depois de lido, a vontade de falar refreou ainda mais. como se não fosse preciso. como se fosse falasse por mim.

"Porque é infinito o fim, mas há sempre uma nova história começando depois da última página."

Alan Salgueiro disse...

Inspiradíssima, Yasha! Será que ainda vai haver um dia em que o ser humano vai adotar um estilo de vida que o faça refletir sobre sua condição vulnerável e esse fim infinito que falaste? Se assim fosse tudo seria tão melhor, talvez não tivéssemos mais guerras, e a utopia passaria a ser quase regra.
"Eu pensei que quando eu morrer vou acordar para o tempo e para o tempo parar"

O vento me veio em mente agora.

Beijo, menina!

Andréa Haushin'ka disse...

Só voltei mesmo pra falar do texto...Esse corpo, eh apenas essa matéria que morre. Ele some, e continuamos vagando pelo mundo.
E o que sobra? Acho que nada.