sábado, 8 de agosto de 2009

Passos e impasses.

Se a sombra assombra, ascende e acende o sol no seu céu, chama a chama que mora agora nas entranhas dos teus vulcões, a brasa que abrasará o frio rio que te percorre. Não corre! A dor adora o medo. Não corre! As sombras são (.) só assombração.

Essa semana foi de decisões. Minha mãe sempre me classificou como quem não sabe do que quer, “nunca soube”, (relacionado a profissionalismo), isso deixava minhas botas um pouco pesadas. Nessa semana me livrei dos meus medos do amanhã e decidi enfrentar. Enfrentar a inscrição do vestibular para Farmácia na UFRN, embora ninguém tenha me apoiado aqui em casa, me pedindo para mudar, para tentar uma coisa mais fácil, dizendo que era um curso muito difícil, muito longo, muito caro, e muito difícil de novo. Mas eu fui lá e cliquei em "Concluir inscrição".

E enfrentar mais uma coisa, não menos importante, pelo contrário, a que ponho agora em primeiro lugar no meu trajeto, a inscrição do vestibular para Medicina Veterinária na UFCG, um sonho que tinha desde criança, mas que nunca consegui ao menos arriscar, sempre tive receio por ser um curso difícil de entrar, muitas vezes cometi a burrada de dizer que não tinha disposição para estudar e passar em um curso assim, além que ser numa universidade conhecida pelo alto nível que tem. Também por precisar sair de casa para isso, mudar de cidade, morar só, perder a mordomia de casa; mesmo acreditando que uma hora ou outra temos que cortar nosso cordão umbilical e seguir pelo caminho dos nossos sonhos. Riram de mim aqui quando disse que ia fazer. Com ar de deboche, sabe? Disseram para eu acordar. “Serião”. Só ouvia os comentários na sala, na cozinha, em todos os lugares, ainda ouço. Há de se pensar que é mentira, mas não. Minhas botas mais uma vez ficaram pesadas, bem pesadas. Mas eu não disse nada, fingi nem ter ouvido, coloquei fones nessa hora, fones invisíveis que deram conta do recado e me fizeram respirar fundo, bem fundo, e contar até dez.

Sabe, eu não peço sorte (apesar de acreditar um tanto nela), nem ‘tudo vai dar certo’, porque acredito que nessas horas frases feitas é um saco, mas peço que independente de religiões ou crenças, que vocês peçam pela minha coragem, determinação, auto-estima, para que elas continuem no ápice, como estão. E eu vou fazer por onde minhas botas ficarem leves no final do ano, bem leves, ao contrário da consciência de alguns.

E sabe? Eu nunca gostei do fácil.

O olhar que vê além do óbvio não se acomoda na estrada dura da vida. Corre entre pedras como rio, criando percursos, se desviando por entre as brechas do impossível, sem jamais perder a fluidez. Flutuamos, flores ao vento. Algumas se perdem, outras rebrotam quando acham pouso em solo generoso. Tentamos concretizar o impalpável e tocar o invisível do que é sólido. Traçamos rotas e linhas e com elas fazemos nosso bordado, que tapa os buracos inevitáveis do delicado tecido dos dias.

4 comentários:

Alan Salgueiro disse...

Yasha, tire a lama das botas e dê as costas a esses críticos. Já que quer enveredar pelo lado da sáude, dê ouvidos apenas ás falas saudáveis e encontre a cura para os percalços que virão. Torço para que obtenha êxito, e certamente, quão mais desafiadora é, mais gloriosa a vitória será.

Obrigado pela espontaneidade da visita e do comentário. Deixei seu labirinto 'achado' na minha lista de blogs recomendados. Acho que daqui pra frente me perderei mais algumas vezes nos seus corredores. Até mais. Beijo!

Cafeína disse...

E quem disse que as botas pesadas são dificeis de caminhar? É bom que aprendemos a pisar duro, sem medo de seguir!

.Intense. disse...

Deixa eu falar uma coisa q não tem nada a ver...não tem uma propaganda do Prouni, de uma mocinha que resolveu fazer medicina? toda vez que vejo ela correndo com os cadernos na mão lembro de vc. É, tem nada a ver, eu sei, mas agora eu lembrei. Acho que é pq eu faço uma relação entre os cachos dela e suas ondas, numa foto que vc me mandou...

E, olha, faço das palavras do Alan as minhas...tire as lamas, e bora caminhar, buscar suas flores, seu jardim. Amei a finalização do seu texto [roubei, tem autoria ou é seu mesmo?]. Ainda hoje estive pensando...a gente caminha tanto, que as vezes nossos próprios passos nos assustam. Mas o caminho só se faz ao caminhar...

;*


ps.: morri de rir do seu último coments no Excesso Intenso, hahaha...

manoeleudes disse...

Yasha, sempre ouça a voz interior, mesmo que seja o estômago roncando, porque apesar de ser isso, você saberá o tamanho de sua fome! Beijos e siga sempre em frente. Acredito em você!!! SUCESSO