quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Amigos blogueiros, blogueiros amigos.

Sofro abalos
Sou tomada por terremotos imprevisíveis
Derrubam tudo e então algo vem e me reconstrói com meus próprios cacos
Sou tomada por mãos de anjos indescritíveis
Não me abalo



Ficam os agradecimentos a vocês também. Pelas palavras nos momentos bons e ruins, os emails, as conversas no MSN, as letras e melodias, o entusiasmo, o elogio, o me fazer crescer dia-a-dia, e etc, etc, etc...
À Intense, que você regue-se sempre, flor. Sua semente é linda e tenho certeza que você vai desabrochar em mil pétalas. Que você nunca deixe de ser tão você nas palavras quanto você é.
Rafa, sua doçura e delicadeza são um alento, brisa fresca no deserto que é a existência de tantos seres áridos com quem esbarramos por aí.
Alan Salgueiro, você e sua coleção de afetos salpicados e de palavras encantadoras que têm me enfeitado a vida, embora esteja aqui em pouco tempo.
Vanessa, que vem lá do iniciozinho do Labirinto, é a própria essência em pessoa. Que você nunca perca esse dom com as palavras, moça, embora eu saiba que tenha tantas outras coisas ricas aí dentro de você.
Cafeína, que embora eu converse pouco, percebo que tem um coração dos grandes. E apesar das primeiras impressões serem as que ficam, dessa vez a segunda prevaleceu, e me fez perceber o quanto é bom se dar um chance.
Ni, que começou com um presentão de ter textos meus no seu blog, e que vem me encantando cada vez mais, dia após dia, com seus rastros.

Nessa rede, o fio às vezes vira nó, outras vira laço, outras ainda vira corda bamba, mas o melhor é quando conseguimos usá-lo para tecer histórias de carinho. Esse Labirinto ao abrir suas portas tem me revelado surpresas preciosas. A Mel, a Gabriela - e seus conselhos-, a Andréa, a Paula -que vem chegando agora e já está me encantando com suas palavras-, a Thaís, o Rômulo - que já vem de carnavais antigos-, a Katarina - e seu sentimento dominante-, e a todos os outros também. Obrigada, queridos, foi muito bom encontrar vocês. O tempo pode ser pequeno, mas o prazer da companhia de vocês já é enorme, acreditem.

domingo, 27 de setembro de 2009

Porque a esperança não morria. Ela nunca morria.

Acredito que foi a sua capacidade de me deixar feliz em questão de segundos, ou o caminhar despreocupado, o piscar de olhos um tanto lento, o sotaque, a voz firme e arrastada como de quem a qualquer momento vai soltar um riso ainda que a situação seja das mais desapropriadas.

Acredito que foram os olhos cinza e doces que, de tão profundos, me faziam por vezes tremer e temer. Foi o jeito como agarravas as minhas mãos sem se importar com nada mais em volta no mundo inteiro.

Deve ter sido a maneira em que te apoiavas no meu braço esquerdo pra dormir o que me faz querer-te tanto, mas tanto, a ponto de doer a cada vez que eu falo contigo e tenho que te deixar do outro lado da linha, da ponte.

Talvez tenha sido a tua maneira de me ensinar tuas palavras e aprender as minhas, teu jeito de sorrir. A maneira de me fazer confrontar a mim mesma pra eu perceber verdades importantes. Esse teu sorriso rouco que não me deixa te esquecer, e o teu interesse por um par de coisas minhas que eu mesma julgava desinteressantes.

Deve ter sido o teu jeito de me olhar com sua íris brilhante pela manhã, quando a beleza produzida se esvai por completo e só fica a humanidade, ali exposta.

Foram coisas assim, e outras coisas que segues sendo, o que me faz largar tudo e ir ao teu encontro. Eu atravesso o mundo por um fio quando a saudade aperta. São coisas assim que te tem feito tão amável a ponto de me aquecer o peito só de pensar em não encontrar mais o teu abraço no meio da semana, quando a minha esperança estiver verde lodo. De não encontrar a tua força e o jeito de como enfrentas a vida de forma crua. De não encontrar a tua esperança naquilo que é evidente, e o jeito como me olhas - e me paralisa a alma - quando ninguém vê. Porque eu amo a verdade que vive em teu olhar, amo a tua perseverança e esse tanto de coisas até então impossíveis que eu encontrei quando te conheci. E te digo que não espero nada além de um amanhã tranqüilo e que eu sinta calmaria toda vez que pensar em ti. Quanto a ti, que sintas calmaria quando pensares em mim. E sim, quero ser quem você recorda quando tem a certeza de que não está só.

O que fica é esse gosto doce, e umas gotas de ácido por medo de que tanta notícia me faça sucumbir por trás de uma cortina de fumaça negra, mas não. Ficam as lembranças dos dias em que sumíamos do mundo inteiro e o mundo então era só você e eu, e essa expectativa no meu peito de que as semanas vão passar bem depressa e que poderemos estar de mãos dadas outra vez, chutando o mundo, rindo da vida e distraindo o tempo. Fica a esperança verde árvore, como a tua cor predileta. Fica tua preferência pelo refrigerante de laranja e a minha pelo “te-olhar-enquanto-matas-a-tua-sede”. Fica a noite linda na praia e teu rosto gravado na minha memória de todas as vezes que eu te olhava pasma e você não entendia o porquê. Ficam os filmes que vimos e os tantos que fizemos planos para ver e que ainda não conseguimos. Ficam as músicas que te vi dançar à tua maneira, e a minha timidez quando me pedias para te acompanhar. Fica tua fascinação por livros, letras e melodia. Fica aqui comigo o teu cheiro e a espera para o dia em que voltares. Fica Leoni cantando “Canção Pra Quando Você Voltar”, enquanto esse tempo não chega. Fica tudo o que eu não sentia e que tu com teus encantos despertastes, depositando cor, depositando vida.

E eu não vou te buscar aonde eu sei que não vais estar, mas quando chegar o tempo de te ver de novo que esteja em ti a absoluta certeza de que eu estarei realmente feliz por isso.

Te desejo sorte, muita sorte.
Me desejo sorte, muita sorte, semelhante a que desejo a ti.
Que a tenhamos, então.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar."

Vou te mandar uma carta de amor, uns presentes tipo poesia, para te embelezar e sanar qualquer um tipo de dor.

Ti: pó de poesia.


Se triste, risque o fardo e escreve no lugar da dor, ar.
"Equando a gente não sabe escrever? Faz o quê?" Rabisca, desenha, dança, conta uma resenha, canta, só não pode imitar a solidão, por favor. Reza, desabafa, muda o peso. Mundo preso é passarinho na gaiola. Leve com você os problemas, mas não os instalem dentro do seu corpo, nem da sua alma. Dentro assim, só o amor deve permanecer.

E se "essa doença não tem cura", se "esse mundo não tem jeito, só defeito", o negócio é se curar. Nós somos mais do que ansiedade, pontuações, loucuras: nós somos nossa própria cura.

domingo, 20 de setembro de 2009

Dos mares que nos cercam.

E novamente você me vem e me conta do mar aberto das costas de sua terra, do vento gélido que sopra nos invernos, sem nenhuma baía, sem nenhuma gaivota sobrevoando o cinza das águas. Invade-me assim e me leva para histórias ou caminhadas sem fim. Nesses dias o sol não se manifesta entre as nuvens, e lhe imagino então parado sozinho sobre a areia, o vento que bate em seu rosto, as mãos com os dedos roxos - engelhados de frio -, enfiados até o fundo dos bolsos, o vento e novamente o vento que bate em seu rosto, esse mesmo que me olha, raramente. Seu olho bate em mim e logo se afasta, como se em minha íris houvesse cinza ao invés uma borboleta diurna ou um arco-íris, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume. Seu rosto mais nu do que sempre, à beira-mar, com esse vento batendo e misturando seus cabelos e pensamentos, e eu sem saber o que se mistura agora quando seu olho outra vez desliza para fora e distante do meu.

Mas é exatamente quando a pedra ou faca no fundo do meu olho afasta o seu que lhe olho detalhado, e você nunca saberá quanto e como já conheço cada milímetro da sua pele, esses vergões cada vez mais fundos rodeando as sobrancelhas grossas que se erguem subitamente para depois se dissolverem em pêlos cada vez mais ralos. E tão disfarçada lhe espio que nunca me percebes assim, lhe invadindo como se através de fiapo, de cada poro, pudesse chegar a esse mais de dentro que me escondes leve, relutante, através de histórias como essa, do mar, dos exílios, das cicatrizes, e em tudo que me contas pensando, suponho, que é seu jeito de dar-se a mim.

Percebo que se escondes ainda mais, como se caso você me contasse de si negasse a possibilidade de eu lhe descobrir atrás e além de tudo que me dizes. É por isso que me escondo dessas suas histórias que me prendem cada vez mais no que não é você, tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança receosa de pecados, punições de sonhos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesma nunca mais ouvir, nunca mais ter a você tão mentirosamente próximo.

Às vezes digo coisas azedas e de alguma forma quero lhe fazer compreender que não é assim, que eu tenho um medo cada vez maior do que venho sentindo em todos esses meses - e não se soluciona -, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e, embora eu suponha que conheça as regras, me deixo tomar inteira por seus estranhos discursos, a juntar-se com seus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que você vai me jogando entre as palavras e os pratos vazios. Torno sempre a voltar, talvez castigada pelo seu olhar que não se debruça sobre nenhum outro assim como o meu, ou temendo a faca, a pedra, o gume das suas histórias longas, das suas memórias tristes, cheias de corredores escuros. Tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que têm me alimentado ao longo deste tempo, e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta, quando meus olhos compenetram na sua lembrança de cada vez que me procuras e me tomas. Contudo me enveneno mais quando não vens, e ninguém então sabe de mim, parada feito velha num resto de setembro, escurecida pela sua ausência. E me anoiteço ainda mais quando estás presente e outra vez me atacas e me arrancas de mim, me desviando por esses caminhos conhecidos, onde atrás de cada palavra tento desesperada encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por uma vereda onde não desvies tão rapidamente os olhos, onde sua mão não deslize tão passageira pelo meu braço.

Eu bem sei de como tenho tentado me alimentar dessa casca que chamamos de pequenas esperanças, enquanto murcho feito animal alimentado apenas com água, uma água rala e pouca, não essa densa, espessa e agitada do mar que você me falou.

Só quero que a noite nos arranque inesperadamente e definitiva dessa mentira gentil onde não sei se decididos ou por acaso afundamos pouco a pouco, bêbados como moscas sobre o açúcar, melados de nossa própria cínica doçura acovardada, contaminados por nossa falsa transparência, encharcados de palavras e literatura, e depois nos jogue completamente nus, sem nenhuma história, sem nenhuma palavra, nessa mesma beira de mar das costas da sua terra, e de novo então você me vem, me chega, e me invade, e me toma, e me pede, e me perde, e se derrama sobre mim com seus olhos sempre fugitivos, e abres a boca para libertar novas histórias, e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteira nas coisas que me contas, e assim calada, lhe mastigo dentro de mim, até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerígena para, quem sabe, explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele.

E enquanto você me fala, e me prende, e me envolve, e me fascina com sua voz sempre baixa, de estranho acento estrangeiro, penso sempre que o mar não é esse denso escuro que me contas - sem palmeiras, nem ilhas, nem baías, nem gaivotas-, mas outro mais claro e verde, num lugar qualquer onde é sempre verão e as emoções limpas como as areias que pisamos, não sabe desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, esfomeada, as pequenas esperanças, mas quando desvio meu olho do seu, dentro de mim guardo sempre seu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão entrelaçados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso. E vagarosamente falas, e vagarosamente calo, e vagarosamente quebro, e vagarosamente falho, e vagarosamente caio cada vez mais fundo, e já não consigo voltar à superfície, porque a mão que você me estende ao invés de me elevar me afunda mais e mais enquanto dizes, e contas, e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses, e me cegasses, e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba nem assim, nem agora, nem aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Amor e afins.

"Não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar".

(Caio F. Abreu)


O Amor pode ser um pequeno barco salva-vidas para a mocinha que, sem saber nadar, cai dele num mar furioso. Pode ser também a brisa fresca que seca a testa suada do viajante no Caminho de Santiago, e o diz: "Você consegue!". Pode ser uma nascente escondida no meio de um deserto. Um estou-contigo-até-o-fim, talvez, num mundo tão vazio de ombro-amigo. O Amor pode ser contentamento. Sa-tis-fa-ção. Seguramente digo que é Felicidade.

E de todas as hipóteses e dos “pode-ser”, algumas certezas reúno em mim:

O Amor tem o aroma de quem tanto quero, é o sorriso embrulhado nas palavras doces que ele me diz. É a certeza de que o amanhã nos encontrará de mãos dadas. É a confiança de o encontrar me esperando no banco do parque com borboletas no estômago. É esperança-verde-árvore ainda que não haja sinal de chuva e que a terra esteja seca. É oferecê-lo meus versos mais bonitos, meus adjetivos, minhas concordâncias tentadas – e não só em papéis, mas através de gestos e de todos os passos que insisto em dar. O Amor é sorrir o vendo me mostrar como o dia acordou bonito, ainda que esteja nublado onde estou. É cantar pra ele as minhas melodias mais sinceras, mesmo que nem sempre ele esteja ouvindo. É lembrar da sua voz doce no final da manhã, e sem perceber, adoçar o macarrão pensando nas razões que tenho pra o querer tanto bem.

O amor é essa mistura de cor-de-água-e-de-todas-as-outras-cores-juntas. É o que eu não sei dizer. É o que vem e não vai mais de mim, mesmo que ele
vá.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Do que eu preciso te falar.

“Veja você, onde é que o barco foi desaguar. A gente só queria um amor. Deus parece às vezes se esquecer. Ai, não fala isso, por favor! Esse é só o começo do fim da nossa vida. Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida que a gente vai passar...”

Eu preciso te dizer que as minhas intenções a seu respeito são as melhores, que eu nunca te magoaria e que eu preciso que você acredite em mim. Eu preciso te dizer que não esperava que você fosse me invadir o peito sem pedir permissão, sem ao menos fazer um contato, sem deixar que eu visse ou tentasse impedir a tua passagem: você entrou e se sentou em um lugar onde quem se senta não se levanta.

Você precisa saber que algumas coisas, ainda que não pareça, ainda estão em fase final de cicatrização, apesar de já não verter sangue algum, - só algumas lembranças que me deixaram uns reflexos mal feitos, e que às vezes me fazem dar ou deixar de dar passos-. Eu sei que não pode ser assim, eu sei – questão de tempo. Eu preciso te dizer que não adiantou temer e me conter. E preciso te perguntar: como foi que você me roubou pra você?

Eu quero que você saiba que sinto tanta, mas tanta vontade de te levar de alguma forma até o meu amanhã, o meu próximo ano, e o outro, e o outro, e mais quantos estiverem dispostos a vir. E quero que você saiba que os teus olhos me faziam almejar isso cada vez mais, com mais intensidade, a cada vez que você os fixava nos meus, e sorria. E eu já não quero desviar os meus olhos por medo de cair de vez nas tuas mãos, porque eu já não tenho armas pra lutar contra você. Eu quero te dizer também que quando você deitava no meu braço esquerdo, perto do meu peito, pra descansar tua alma, eu me sentia completa; e que depois disso tudo eu não seria infeliz se o fim desse preenchimento precisasse ser uma conversa de botas batidas.

“...Veja você, onde é que tudo foi desabar. A gente corre pra se esconder e se amar, se amar até o fim, sem saber que o fim já vai chegar. Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga, já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar...”

Eu quero te dizer que já fazia tempo que o meu encanto não funcionava e que os meus olhos não brilhavam tanto, e que foi só você chegar pra que tudo voltasse a crescer e eu recuperasse esse fôlego de jovem que toma água da fonte. Mas tenho que te confessar também que eu morro de medo de te dizer essas coisas tanto quanto morro de vontade de te dizer tudo isso e mais, agora mesmo.

Eu quero te levar adiante, e quero te dar todo o valor que te cabe. Quero te sentar nos lugares que você merece sentar-se e te dar a atenção e o respeito que você merece. Quero aprender a interpretar todos esses teus labirintos, teus cinzas e todas as coisas que você me diz e que me deixam forte, forte, forte – e fraca de tanto querer. Quero que você perceba que abri espaço agora, e que você pode se acomodar e ficar até o dia que eu não vou me atrever a dizer qual é.

Todos já estão dormindo. Só em mim que a saudade não dorme.

“...Abre a janela agora, deixa que o sol te veja, é só lembrar que o amor é tão maior que estamos sós no céu. Abre as cortinas pra mim que eu não me escondo de ninguém, o amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem.”

Confia em mim. Aperta a minha mão bem forte e pula comigo daqui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Descontraindo em: Excesso de loucura.

Queria dar o mundo para o mundo, não posso, dou cores para o seu, então.


- Vou fazer uma poesia assim, como quem quer viver mais um dia para sentir o frescor do amanhã, amanhã. Vou fazer uma rima sem sina, sem destino, sem prazo de validade. Eu vou, mas se eu não voltar, você me perdoa?

- Não. Não perdôo. Tem que voltar.

- Eu volto se você prometer se esforçar para ser feliz, se você disser que quer um pouco mais da primavera em seus poros e que a velhice é válida mesmo com as rugas e toda flacidez. Se você vir que vale o sol, o céu, as estrelas, a lua. E por falar nela, você já viu a lua hoje? Está uma gestante.


- Eu costumava dançar com as estrelas, antes das cores se desbotarem, antes das cores virarem água... Eu conheci uma claridade imensa e mansa. É inconveniente ter estrelas no olhar, é sim. Preciso de algumas para colocar na minha mente. É justo ter estrelas na cabeça, eu acho. Elas têm que ficar em um lugar acima de nós, ou acima dos nossos corações que já estão em nossas mãos. Saudade. É uma das palavras que deveriam ter um gosto. Páginas velhas, talvez. Páginas velhas e amarelas de saudade.

- Está vendo aquelas bolhas? São as lembranças... As cores que viraram água, a dança com as estrelas, as estrelas na sua mente - brilhando e vindo até os seus olhos -. É mágico ter estrelas no olhar, é sim.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

[abre parênteses]

Tem um ditado Zen que diz que uma vez um homem estava triste e foi procurar seu mestre, e o mestre disse “vai passar”; e aí, um tempo depois, ele chegou ao mestre e falou “Mestre, passou minha tristeza, agora estou muito alegre!” aí o mestre olhou para ele e disse “vai passar”.

Então, na verdade, a vida é isso. São ciclos. A alegria passa, a tristeza passa, e vem a alegria de novo e ela passa, e vem a tristeza. A nossa vida é isso o tempo todo. Então, é importante acreditar que o tempo tem esse poder de fazer passar e acreditar que enquanto você está na alegria você tem que aproveitar isso com muita plenitude porque também pode passar. E eu acho que é esse o segredo da vida, você entender que o que você tem é o dia de hoje e viver um dia de cada vez. Isso pra mim é um grande aprendizado e um grande exercício que eu venho tentando fazer diariamente. “Eu estou vivendo um momento difícil agora”, “eu vou viver uma coisa nova”... Então é um dia de cada vez. Hoje nós vamos dar conta, amanhã nós vamos dar conta também, mas é muito mais difícil pensar na vida nessa extensão enorme de amanhã, de depois, de futuro.

[fecha parênteses]

domingo, 6 de setembro de 2009

O caos chegou sem avisar.

Meus queridos,

Ainda não tenho condições de escrever o que aconteceu comigo nessa manhã. A minha casa foi invadida por dois homens armados que renderam meu pai - que é hipertenso -, minha mãe e um amigo da família, além de sair acordando todo o restante da casa com uma arma apontada para a cabeça pedindo os pertences, inclusive eu, minha irmã, irmão, e cunhada – que dormiu aqui esta noite -. Estamos bem fisicamente, mas sem telefones celulares, bolsas, dinheiro, alguns outros pertences de enorme valor sentimental, além do carro da minha irmã que serviu pra que os assaltantes fugissem. Estou muito abalada psicologicamente e só agora estou começando a acordar realmente para o que aconteceu. Ainda não dá pra falar muito. Mas pensem em mim com bondade, vou precisar dessa energia. Beijos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

100.


Ontem eu estive mal. Me senti fraca, cansada, cansada de saber que a porta está ali há tanto tempo e que eu continuo batendo de cara com ela, cansada do quase, medo de um novo quase na minha vida. Ontem minha coragem que eu tanto vinha exaltando estava lá embaixo, pisoteada. Mas não quis vim aqui jogar isso tudo só pra me sentir bem, quis sim gritar, falar com alguém daqui, mas acabei na frente do espelho brigando comigo.

É bem verdade que aqui busquei um porto e o fiz, de fato, um grande e seguro porto. Fiz confissões à meia lua e me expus. Comecei do nada, escrevendo indiretamente, até a maturidade começar a me definir, até começarem a me pedir um pouco mais de mim (não é Intense?), e daí eu começar a me revelar, me fazendo continuar, aos poucos, em desenvolvimento. Comecei de uma dor, abri e fechei portas, entreguei a chave ao tempo, pedi de volta.

Esse é o Labirinto que me ensinou tantas coisas, e continua, apesar da falta de energia por vezes em seus corredores. Ensinou-me a lutar pelo que tanto queria. Mostrou-me que o bom da vida mesmo é o compasso ardente das tentativas, mesmo que nem cheguemos a atingir o tão desejado sonho. Porque sonhos são tão efêmeros quanto à vontade lúcida de nada disto estar acontecendo. Mas está. Fato. Eu tenho sonhos. Tenho um próximo, tão próximo que se estico a mão quase posso tocá-lo, e o meu medo é de deixar que termine no quase. Não há como negar que coisas mudaram. Mudaram aqui, ali ou em qualquer lugar. Mudaram sem meu consentimento.

Devotei ao Labirinto o melhor de mim e dele fiz palanque. Entoei versos e declarei vida. Falei de verdades e esperei calmamente por elas. Vi o antes se tornar real e vi novamente o evaporar disto tudo. Vi, ao som de uma música, muitas coisas ditas. O anonimato que se define e a definição que se afasta. Fiz loucuras e conquistei quem nem se quer me via. Vi um agosto intenso de corredores e olhares, e de marcas nunca mais iguais. Mas muitas vezes eu não consigo vim aqui quando preciso e jogar tudo em cima dele, em cima de vocês.

Eu fui eu até hoje... Fui verdadeiramente esta tal Yasha. Inteira e lutando abertamente por ser natural. Fui eu, e desafiei os limites que até então minha mente ditava.

Foram momentos de evolução. Foi um processo de maturidade na escrita, na forma de expressão, no jeito criterioso de comunicar desejos e na evidente sensação de que podia sempre mais.

No início tudo parecia muito casual e a intenção nunca explícita. No começo, bem lá no começo, eu achava que era impossível chamar atenção num blognovoqualquerperdidonaimensidãodotodo, mas num processo de 'acreditação' as pessoas foram chegando, batendo na porta e devagar entrando.

Comecei a ver pessoas dispostas a me seguir... Dispostas, antes de tudo, a compartilhar um sonho. Venho encontrando amigos de verdade aqui, de sentir saudade - no lado mais bonito da palavra -, pessoas incríveis, num mundo, às vezes, tão fútil. Encontrei outros lugares cheios de intensidade, que me mostraram que o caminho estava certo. Encontrei pessoas, que assim como eu, não se furtavam em contar seus sentimentos.

Sentimentos... Ah os sentimentos tão vastos e tão fortes à carne. Dilacerados em vermelho bordô, emanando vida viva... Pendurados à feira municipal. Compra-se, vende-se, doa-se... Sentimentos ditos em palavras, em versos, em fotos e em músicas. Sentimentos, antes de tudo, sentidos. Sentidos de dor, de alegria, de comunhão, de desejo, de orgulho, de glória, de contemplação, de espera...

Sentidos de gente. Gente que fala e que pensa. Gente que comenta e me faz tanto crescer. Gente que vem aqui gastar um tempo precioso lendo, entendendo, pensando e contribuindo com palavras de incentivo, de afeto, de concordância ou não... Mas contribuindo.

Contribuição nunca entendida por alguns, nunca ouvida do jeito que tanto contei. É bem verdade que meus escritos nunca foram tão óbvios... Mas é aí que está a grande essência deste espaço. E isto em si é mágico. Magia das boas... Das mais apuradas. Magia das palavras de luta.

Lutar por sentimentos é tarefa para poucos, e isto eu tento mostrar a cada dia. O fiz, o disse, o senti, o vi, o vivi... Eu tento jamais fugir disto.

Ao longo desse tempo todo, o Labirinto da minha vida nunca me cobrou nada. Esteve o tempo todo a me ouvir. Tentei fazer dele um confessionário virtual. Sem medo de ser julgada desenhei aqui verdades ditas outrora a poucos. Andei ao longe num processo pedregoso do meu ser. Mas às vezes eu travo. Paro em frente à porta, mas não bato.

Às vezes eu tenho vontade de ir, e ir é tão vasto que eu nem me pergunto pra onde. Ir talvez onde eu nem pensaria ir... Ir talvez onde o novo me pega pela mão ou só me chama ali na esquina. Ir e levar comigo o intangível, o intocável, o que não posso jamais excluir do peito. Levar comigo a minha trajetória e a minha essência. O que tantas vezes me acode e tantas outras me dá medo. Medo do quase. Medo de um novo quase na minha vida.

[Centésima postagem. E prometo que evitarei outras tão longas].