quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Prece.

Uma prece
Alguma coisa que fale de você
Qualquer coisa que nos aproxime
Qualquer coisa que não nos distancie
Qualquer coisa que não seja essa saudade toda
Que anuncia a manhã de todo dia
Que não me pede licença
Uma prece
Que diga pra você que ainda estou aqui
Esperando um dia como os nossos “onténs”
Todos eles

(até os tristes e os silenciosos
)

(Estes versos são desabafos e saudades. Hoje faz onze meses que minha avó morreu, faz onze meses que eu não escuto seus conselhos, seus planos, suas músicas. Dizem que com o tempo tudo fica mais calmo. Que a dor diminui, essas coisas bestas. Mentira. Com o tempo, a gente apenas se acostuma com a ausência, mas dói, e muito. E qualquer gesto parecido com o seu, vó, é motivo para engasgar numa lágrima cheia de saudade. Após onze meses preciso agradecer alguns colos. Alguns sorrisos que me acolheram quando tudo estava complicado demais, mesmo não sabendo o motivo exato da tal tristeza. Obrigada. Hoje eu só queria poder dormir, dormir, dormir... e despertar num dia distante.)

Esses dias têm mexido comigo, vó. Ontem eu senti uma saudade dolorida. Apontou lá dentro do coração e machucou fundo. O coração contraiu. Mas ele sobreviverá... Porque coração é assim mesmo, vó, faz e ouve somente aquilo que lhe é conveniente. Sobreviverá porque destruir não é coisa simples quando se trata de um Amor como o nosso, cheio de lantejoulas e coisas bonitas, de momentos ímpares, de apoio e de vontade de ir em frente, a qualquer lugar. Apenas ir, ainda que não se tenha propósito de chegar – e não há -, apenas ir até o fim: junto. Sobreviverá pelo brilho dos olhos, pelo vento gelado no estômago, pelo peito acelerado, pela vontade de gritar pro mundo inteiro e as galáxias mais próximas ouvirem dessa saudade que me aperta. Sobreviverá pelas mãos que ainda se buscam para o abraço, pelos sorrisos que eu não consigo conter ao lembrar de você, pelas lembranças eternizadas, por querer tanto você aqui, por ser tão puro. Porque os dias de chuva não duram pra sempre, e um dia novo sempre surge depois de uma noite difícil. Porque o inverno é um tanto frio, mas anuncia a primavera, e tudo muda depois. Tudo muda. Sobreviverá porque até o nosso campo quando seca, e os nossos girassóis quando se abalam, permanecem belos e vigorosos, contentes, firmes como o que carregamos no peito. Sobreviverá. Porque eu que, quando você se foi, andava como uma cega de olhos e de alma, hoje vejo cores, arco-íris reluzentes, vejo a possibilidade de um futuro feliz, crio sons, crio palavras assim. Porque hoje a minha vida que era choro tornou-se esperança-verde-árvore. Por isso e um tanto mais, sobreviverá. Sobreviverá aos abalos e aos obstáculos.

So-bre-vi-ve-rá.
(Porque o mundo ainda dá preferência ao que há de bom, ainda que tarde.)

domingo, 25 de outubro de 2009

Porque é intenso e transborda.

Ei, você que passa por esse caminho, leve um recado meu pra uma moça de lá. Quando a vir saberá no mesmo instante sobre quem lhe falo, é a flor mais brilhante que haverá na estrada. Ela respira girassol e coragem, ela perfuma todo aquele chão de terra e de casinhas de sapê. Você que me ouve, lembre-se de mim quando chegar lá, e quando encontrá-la andando com urgência - com aquele seu ar de ocupada demais - respire forte para chamar sua atenção (ela sempre está atenta), e quando ela levantar os olhos desconfiados pra depois desviar, dê altura suficiente a tua voz e diga a ela que as estrelas, enfim, resolveram sorrir em sua direção. Diga que as flores de plástico do jardim morreram mesmo e aquilo que ela vê agora são flores de verdade, desabrocham, mas não morrem. Diz a ela que o cenário de madeira-papel-e-cola deu lugar a uma paisagem-colorida-e-linda, e que os desertos agora são campos de orquídeas e de margaridinhas brancas. Diz que o último soluço do choro de ontem foi mesmo o estímulo do primeiro riso eterno, que a Felicidade resolveu lhe dar boas-vindas de manhã até que se acabem todas as manhãs de sua vida, e que todos os dias a própria felicidade sente saudades dela. Diz pra ela que as lagartas já não usam asinhas de arames com papel celofane pra contracenar bons momentos e que aqueles encantos sobrevoando ao seu redor são borboletas de verdade, acabaram-se os móbiles. Diz que a água agora é límpida sim, e que todo o esforço valeu a pena, que tudo ficou bem. Diz pra essa flor que o que ela ta vendo agora é realidade.
Diz pra ela que o Amor chegou, enfim.


* Dedicado a alguém que sabe do excesso e do intenso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sonho De Uma Flauta.


Em brincadeira de amarelinha tem céu!


Eu sou criança!
Sou criança!
Ou isso, ou desisto.

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O menino olhava em volta, parecia que tudo aquilo ali era um outro mundo. Via o mundo com seus olhos de criança sonhadora, com os olhos da alma que os adultos ainda têm muita dificuldade de usar. Olhava para o céu e se iluminava com o sol, olhava para as nuvens...
- Mamãe, nuvem é de algodão? Algodão é doce?
- Ás vezes é doce não...
Olhava as borboletas e pensava que era flor que o vento havia tirado para dançar, pensava que avião era passarinho que voava lááá longe... Até que num rápido remanso adormeceu sob a sombra de uma árvore que ali estava. Sonhou, sonhou... Parecia verdade, mas o sonho só é verdade quando a gente esquece de acordar. Sonhou com um mundo em preto e branco, sem cores, amores, nada que caracterizasse um sonho de criança. Viu que tudo estava estranho - sem cor, sem vida - percebeu então que apenas ele estava em cores, e começou a tirar as cores de si próprio e passou a colorir o que o rodeava. Viu que tudo foi ficando mais belo, e as cores mais fortes eram aquelas que estavam mais perto de seu peito. Percebeu que ele coloria tudo como queria e que o sonho foi ficando mais vivo. E aquelas cores eram arte e apenas ele detinha a capacidade de colorir o mundo com seu jeito, seu jeito criança de ser. O menino não era um menino apenas, era poeta, era artista, alquimista, que conseguia tocar a alma. Acordou! Pois sonho só parece verdade quando a gente esquece de acordar. Mas acordado o menino sou eu, é você, são os raros e raras que andam por aí colorindo o mundo com as cores de perto do peito, sem acomodar com o que incomoda.

Lembrem-se: “Os opostos de distraem e os dispostos se atraem”.

“...Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar e o dia parece metade quando a gente acorda e esquece de levantar...”

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Todo mundo dói.

Porque a vida não é feita de uma só cor.
Cor de hoje: Cinza.


Preciso ingerir um copo bem cheio de palavras, mas daquelas que nos fazem sentir bem. Não pretendo beber coisas como sangue, dores ou podridão. Também não quero morte, guerra ou, principalmente, tristeza. Estou farta da tristeza desses dias. Dane-se, também não quero política nem futebol. Quero drogar-me com palavras de um livro infantil de segunda categoria, daqueles que são vendidos num supermercado a 30 metros dos abacaxis e alfaces, e que provavelmente têm erros ortográficos. Quero o que a maioria das pessoas já esqueceu que existe.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para morrer, basta estar vivo.

Terra de flor, barro de vaso, malabarista, contorcionista, poeta insone que riscava e arriscava. Peixe que caía em rede de palavras, astro que brilhava na madrugada - iluminava a manhã, alegrava a alvorada-. Nome sem corpo, silêncio com voz. Gosto de chuva em pele de sal, palavra viva em língua morta, poema certo em linha torta. Palhaço alegre em terra distante, sonho que existe, profeta errante, brilho que insiste, coração de diamante.

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Aí você acorda, sai, resolve muitas coisas, deixa outras por resolver e, de repente, naquele dia, sem aviso, você não volta para casa.

Domingo ele não voltou para casa. 19. Talento. Batalha. Resistência. Consciência. Liberdade. Sonhos.

Meu carinho, Oiran.

(E se você não voltar para casa hoje?)


Vai viver e brilha forte feito o sol - como num dia belo de manhã-, sem saber se o que é bom fica melhor, se o que é bom pode ficar melhor. É fácil viver quando não se tem final a se chegar! É fácil querer quando não se sabe o quê? É tão certo como dois e dois, a lua chega e o sol vem depois observando o que há para iluminar. Bem, aí estás observando ainda o seu lugar. Sei que às vezes acha que sabe onde está, ainda é estranho, mas sei que já pode nos adiantar.
Acho que estás bem melhor.


Ps.1: É incrível o modo como sou sensível para certas coisas, mesmo só estando na borda da história, como telespectadora. Tenho certeza que eu teria adorado tê-lo realmente conhecido. Pessoas e suas manias de viverem como se o tempo lhes pertencesse infinitamente, como se pudessem repetir tudo de novo. Parece que a cada vez que uma pessoa se vai todos os outros que já se foram vêm à memória, e querendo ou não, você chora e quebra.

Ps.2: O sol já foi, mas eu estou aqui. As nuvens passam.

sábado, 10 de outubro de 2009

Então respira mais que eu me inspiro mais.

Poderia ser tudo mais simples e menos feliz se tivéssemos nos desencontrado naquele dia em que aparecestes na minha vida, mas por ventura não foi assim. Desde que tu chegaste, a minha calmaria se transformou em grito. Lembro que tinha uma visão tão diferente de ti. E não foi entre as primeiras vezes que te vi que o meu coração perdeu a tranqüilidade de ser o exclusivo dono de si.

Lembro que me apareceste numa sexta-feira improvável, de calor sem sol, céu sem azul, com teus olhos cinza e eu não te reconheci. Não como te reconheço hoje, com todo esse arco-íris que agora vejo e que antes eu não percebia. Reconhecia somente o que era relativo às minhas expectativas sobre tudo que encontraria naquele dia, sobre as pessoas que iria conhecer, sobre a minha impaciência num estúdio cheio de pessoas desconhecidas - que eu pensava que tu eras só mais um entre elas-, e sobre as dúvidas e ilusões da noite anterior... E foi justo quando eu pensei que eu realmente não tinha sorte nenhuma que você chegou pra me mostrar que eu estava enganada.

No dia em que tu chegaste, a sorte estava na fila ao lado acenando pra mim e apontando em tua direção, como se quisesse me atrair, me mostrar ou me dizer algo que eu não entendia. Lembro que quando tive a oportunidade de te reconhecer no primeiro momento, quando estávamos a sós, eu e você, acabamos por falar demais, por causar mágoa, e você se foi sem pensar duas vezes, com sua música e sua melancolia - e me deixou ali sozinha -, depois voltou, reconheceu, pediu desculpas. Nós tínhamos um jeito tão sublime de ver a vida, de contornar as situações. Mas eu só te reconheci mesmo alguns dias antes de ter que me despedir de ti, como se o acaso ou o destino não pudesse ser contrariado, como se tivesse realmente que acontecer, ainda que tarde. MAKTUB, já estava escrito. Porque antes disso, era como se alguém soprasse ou dissesse baixinho algo que eu não entendia a cada vez que você aparecia na minha frente e se sentava ao meu lado. Eu devia suspeitar que todo aquele riso que você me proporcionava não era lá dos mais comuns.

Desde que você chegou à minha vida eu tenho tido a sensação de que o tempo de uma vida inteira é minúsculo pra tudo que se pode ser, criar e tentar. Tenho sentido um apetite louco de tudo, de respirar fundo e aproveitar a vida, de aproveitar contigo. E não me intimidam esses duzentos e oitenta e oito quilômetros que estão entre nós. Eu moro em ti, e tu moras aqui - dentro -, crescendo em mim como se fosse flor. E eu te rego e te cuido. E as lembranças dos dias em que estivemos juntos serão como força incontrolável pros dias que eu, sem pensar em nada além de ti, vou correr pra rodoviária e entrar no primeiro ônibus que me leve até você, pra estar em paz outra vez. Porque do teu lado eu me sinto como quem sonha, como se precisasse de tãopoucoquasenada pra me sentir completa. Não tenho fome, não tenho sono, só desejo de te conhecer mais e de te contar cada detalhe da minha vida. E é entre os teus braços acolhedores que eu não me sinto só. Porque apesar de toda essa capa de meninaforteeindestrutível, eu sou boba demais, fraca e vulnerável quando você dispara um olhar na minha direção. O meu sorriso é tão mais feliz contigo e eu amo conhecer teu mundo, as ruas que você passa, as pessoas que você ama e o que você vê quando abre a tua janela ao amanhecer.

Eu quero ir contigo, quero ir até onde consigamos ir, porque também confesso e aceito que já não sou tão singular, e que já me perdi pra ti já faz algum tempo. Resolvi pular bem do alto dessa rocha e cair de vez nesse mar, e que a correnteza me leve pra esse lugar tranqüilo que eu tenho a impressão de ver de relance a cada vez que nos encontramos.

Que o céu nos tenha reservado um amanhã bonito.
Segura a minha mão com força e não solta.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dos sonhos...

“Eu fiz bem lá no alto da montanha mais alta, mais distante das cidades, a casa-esconderijo das saudades. Pensei: nenhum problema mais me alcança. Nem cartas, nem notícias, nem desgraças, nem dívidas, nem falsas amizades vão ter nem ousadia, nem vontade, de vir me ver. Já nada me ameaça...”

Já sonhei que morava em uma casa da árvore no alto da montanha. Viver à sombra de uma espessa árvore era a maneira que eu havia encontrado de me manter a salva da luz do dia. Meu lar era minha zona de conforto, era o lugar onde eu podia ser quem era e brincar de ser quem não era, de vez em quando, sorrindo pro espelho. E ninguém precisava saber o que eu fazia quando estava apenas comigo, quando dançava de calcinha pelo corredor ou quando deitava com o rosto colado no chão do banheiro. Havia escolhido viver à sombra por não poder supor o que a minha própria luz poderia atrair para mim. Eu ia envelhecendo junto com os galhos da árvore que me sustentava e ficava cada vez mais só. Tinha medo de estender a mão, de me reerguer, de seguir em frente. E só me restava viver à sombra dos meus sonhos, de meus mundos fantasiosos, da minha zona de conforto. E acordava, muitas vezes, entediada com a perspectiva de mais vinte e quatro horas previsíveis cheias de contas a pagar, horários a cumprir e faixas de pedestre para atravessar. E andava pelas ruas, acompanhada de minha própria sombra, sem sequer olhar pros lados, - como robô de algum filme futurista -, e não me atrevia a sair do roteiro que eu mesma escolhera para encenar. Porém, tudo o que desejava, era que alguém, em algum momento, esbarrasse em mim, derrubasse as certezas que carregava e me ajudasse a recolher o que havia ficado caído no chão. Sonhava que alguém, algum dia, iria realmente reparar em quem eu era para além de minha zona de conforto; que excepcionalmente se importaria comigo, por saber que para além das sombras que exibia, existiam as luzes que insistia em esconder.

“...Mas, eu só percebi quando era tarde, depois que eu acionei os meus alarmes, depois de por a tranca no portão, que eu me tranquei sozinho com o inimigo que vai passar a vida aqui comigo, vivendo do meu medo e solidão.” [A casa na montanha - Leoni]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Das Confissões.

Nunca esqueço um rosto. Acasos me extasiam.

Namorado meu tem que me dizer meu bem. Tem que me entregar flores roubadas e introduzir-se feito sol dentro do corpo, o sol quando fica na pele mesmo quando já é noite. Eu gosto do mel no favo, do amargo no fundo do doce (o amargo permanece mais), do agridoce. Eu me protejo do amor. Prefiro o lado oposto, o da chama silenciosa na guerra. Sou chorona, embora não pareça. Sensível com as palavras - elas tanto me curam quanto me desapontam facilmente, no mesmo grau-. Não sou de tristeza na frente dos amigos, acredito que ela contagie. O mar me atinge e vai direto ao peito. Eu sou é de abraçar.

Derrubo coisas, esbarro nos móveis, tropeço nos meus próprios pés. Sempre me encanto de repente. Vermelhos são meus vestidos, meus cadernos, minha flor preferida. Minha felicidade é vermelha. Meu riso faz um estalo de negócio quebrando por dentro. Gosto de ficar no escuro e no silencioso, por vezes. Coisas pequenas me doem mais. Prefiro declarações de amor imprevistas (às quatro e meia da madrugada). Vento nos cabelos me parece afago. Acho Miosótis uma flor linda, significa amor sincero, fidelidade. O lugar mais longe em que já fui é: dentro.

Meus olhos me traem. Meu cadarço sempre está desamarrado. Som de violão me emociona. Não me interesso por pessoas sem dúvidas na vida. Já fugi da escola para matar aula. Já torci desde o dedo mindinho da mão até o tornozelo, - várias vezes-, no basquete. As únicas coisas que herdei de minha mãe, que vão além da aparência, foram: o amor pelo mar, olhar as nuvens, o arrependimento, a precipitação em algumas coisas, e um riso.

O resto não, a menina saiu ao pai. Meu envoltório é de papel seda discreto, neblina sem nada dentro. Prefiro ciriguela. Estou aprendendo a chorar em público. Acendo luz elétrica com os olhos. É na chuva que eu gosto de dançar. Meu coração eu acho que já desceu para os pés, de tanto partir. Sou mais de rio que de mar, para o banho. Mais de mar que de rio, para os olhos. Às vezes mais de silêncios, às vezes mais de palavras. De todas as coisas, prefiro as usadas. Quando pequena roubava flores de canteiros públicos, mas hoje entendo que é mais bonito, para as duas, eu só olhar e admirar.


Sou pontual. Amor para mim não se destrói com o tempo, vem com ele. É o tempo, coisa para se compreender depois com os olhos distraídos, sem saber exatamente o momento em que se cala, mas sentindo o coração doer pequeno com esse calando-se contínuo. Sem saber onde termina, nem se começa, ou se volta, ou onde, alguém sabe para onde? Amor faz ondas com o ar ao meu redor, ele nunca sabe se quer entrar ou sair, mas é sempre desesperadamente.

Eu nunca me curei da minha infância. Acompanho desconhecidos na rua e me perco. Leio dedicatórias em livros dos outros, escrevo uma no caderno. Estranhos adoram me abordar dentro do ônibus. Crianças me oferecem bala na calçada da minha casa quando estou triste. Quero ter filhos gêmeos. Gosto de ver cachorro se espreguiçando. Gosto de gente que me pede afago, principalmente se abaixam os olhos para me pedir.

Eu sou feita de saudade. Qualquer coisa abrindo-se é mais bonita. Para mim, a palavra mais contagiante de todas é travessia. Sou de segurar com força. Sempre amei por felicidade.

Sou transparência em fogo brando, mexendo sempre, como para calda de pudim. No final, sempre cristaliza doce uma aleatória figura de açúcar, que a gente entorna num copo cheio de água. E transborda.