quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

“Deixou de lado o conforto do conhecido e se atirou no que estava por descobrir.”

Asas para voar. Ela pensou e saiu apressada abrindo caminho entre as gentes. O ninho é lindo e entre rabiscos e livros que vão ajudar a transformar alguns metros quadrados num lar, ela respira. Parede verde? Vermelha? Móvel branco no quarto e o teu retrato? Aquele do quase-sorriso vai caber perto do meu? Sim, quase sempre meu riso é aberto, mas também sou triste, padeço de insônias e dores de dente tal qual Macabéa...

Sim, estou indo morar sozinha em outro Estado para fazer o curso dos meus sonhos, e de nada adiantou ter visto o meu nome na lista de aprovados para outro curso aqui pertinho, o coração falou mais alto. Cidade de Patos no Estado da Paraíba. Monte Castelo, bairro bonito de se viver... (E como diria legião urbana, com sua música que coincide com o nome do bairro "É um não contentar-se de contente, é cuidar que se ganha em se perder...") E tem aquele frio na barriga de ficar novamente sem um tostão, e dessa vez sem emprego, sem rede de proteção... E falta fôlego e sobra emoção e o teu beijo fica suspenso por fios de naylon invisíveis bem acima da minha cabeça... Sem som, sem Internet, sem TV, sem vontade de gritar... Vez-em-quando canto baixinho... Um MPB vem quase sempre à cabeça, assim como um pop açucarado de outros tempos e quintais.

Mudo em dois dias. E a dor de dente me consome e os medos atropelam e aquela fome (de viver?) surge como que avisando a emergência de certas coisas. Alguém que não é gentil, outro alguém que não percebe o passarinho com bilhete no bico anunciando boas novas.

A cozinha, que agora é minha, recebe sol, tem claridade... Quero flores na janela!


Talvez na entrada da casa de vocês tenha essa imagem: Um passarinho com bilhete no bico anunciado boas novas. Minha vinda no Labirinto e nos blogs vai se tornar mais complicada agora, até eu ter um computador, mas por enquanto andarei pelas lan houses da vida, só não deixarei nunca o que eu construí esse tempo com vocês, nem o Labirinto, se perder, por mais que eu me perca dentro dele tantas vezes. Não deixarei. Enquanto isso verei os pássaros de vocês, e vocês irão ver as flores na minha janela. Vou lembrar de cada um de uma forma diferente... Mais intensa ou menos intensa, mas de uma forma bonita com certeza. Até lá, voem bem azul, voem bem nuvem, voem bem brisa. Meu carinho sem tamanho, mas alado. Sentirei muita saudade de vocês e disso aqui, mas nada virará poeira. Beijo intenso de saudade antecipada!


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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Metades e inteiros.

Às vezes penso que estou desaprendendo a escrever, talvez pelo ritmo cada vez mais escasso com que venho pondo as cartas na mesa, tão diferente do anterior eufórico, mas tem sempre as palavras dos outros pra dar uma salvada. Li por aí sobre amores que terminam antes de acabar, sentimentos não vividos até o fim, e lembrei do Nietzsche, no Zaratustra: "Deixai que as folhas murchem! Que mal há nisso? São os meios termos que estragam todo o inteiro". É, e até Jesus, esbravejou em algum lugar da Bíblia que "por não seres quente nem frio, por seres morno, me dás vontade de vomitar". Mais ou menos é uma coisa que nunca dá certo...

Ser ou não ser, eis que uma vez respondida a questão. A gente tem que se posicionar com integridade, pra evitar efeitos colaterais...


Ps.: Depois eu falo do meu carnaval tão, tão, tão, tão bom, como prometi, e da minha repentina mudança de Estado, da qual vocês ainda nem sabem e que está prestes a acontecer. :*

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O medo do naufrágio.

Calar é bom, por vezes. Compartilhar o silêncio, experimentar a incompreensão, aquietar a agitação, aguardar que regrida a erupção. Barco à deriva. Deito-me toda encolhida no fundo do casco e espero, como um feto que pede por cuidado. Ou o caos, ou a bonança. Minha fé indica sempre à bonança. Aproveito a tormenta para dar vivacidade ao amor, para me aquecer do que há de bom, para aguardar o que está por vir na mesma posição de esperança - apesar das ondas que insistem em derrubar o que vêem pela frente. Calada, conectada, plugada fisicamente ao que há de bom - apesar da aparente distância entre meus estados emocionais. Abraçada às esperanças sob a mesa da sala, enquanto o teto ameaça ruir sobre minha cabeça. Esperava sol e folia para sempre, embora soubesse que o para sempre, sempre terá um fim. A realidade golpeia meus sonhos e desejos, e não é raro o medo do naufrágio nos dominar nessa hora. Mas mesmo diante do medo vou aprendendo a atravessar as conturbações no tempo, a vencer os obstáculos internos - os antigos e os que ainda virão. Assim: abraçada ao meu abrigo frágil, fundidos em carne e em desejo, para o que der e vier. A resposta vem com a manhã. O dia raia no horizonte, a luz penetra pelas frestas da janela, e antes de abrir os olhos confirmo o que de fato importa. Estou deitada junto à minha tranquilidade. Quieta, entrelaçada, agarrada à tábua cada vez mais firme da minha esperança.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

"Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço."

Estou passando para dizer que estarei longe daqui por alguns dias. Amanhã estarei viajando para Barra de Maxaranguape - uma praia aqui do litoral - e só voltarei na quinta-feira dia 11, e no dia 12 eu estarei indo passar o carnaval em Recife (mundialmente conhecido *-*) com direito a Fafá de Belém, Elba Ramalho, Luiz Melodia, Zeca Pagodinho, Lenine, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Nando Cordel, Reginaldo Rossi, Jorge Bem Jor, Zé Ramalho, Cordel do Fogo Encantado, Diogo Nogueira, Dudu Nobre, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Fernanda Takai, Almir Rouche, Nação Zumbi, Benito Di Paula, Nx Zero, China, e muito, muito mais. E o melhor, tudo gratuito. Estarei voltando de lá só no dia 18 ou 19. Nesse tempo todo estarei sem Internet, mas assim que eu voltar conto tudo e trago fotos para mostrar a vocês.

Aí segue um pouco do carnaval do Recife e do famoso Galo da Madrugada.
"O Galo da Madrugada, no Recife, faz o maior Carnaval de rua do mundo. O clube arrasta mais de um milhão de foliões na capital pernambucana."

As palavras muitas vezes ferem. Por isso, não digas absolutamente nada, a ninguém. Não hoje. Senta-te numa parada de um porto qualquer à espera que passe um barco com seu remador e pensa que, melhor do que percorrer uma enciclopédia à procura de espaço para aninhar uma idéia ou duas, é preferível contar as remadas que faltam para chegar ao pé do rio, as formigas que dividem as tuas bolachas e pesar a areia que irremediavelmente se mete nos sapatos.

Não tenho palavras, mas tenho ruas para tentar subir e chegar a algum lugar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Receita.

Ame. Comece amando. Então sofra, então caia, então morra, morra em pequenas doses. Então desista. Professe o abandono, torne-se cínico, ria de quem promete. Seu coração está seco. Então siga por aí criando calos, siga cheio de muralhas e cave valas profundas e não permita nem abra concessões. Não mergulhe, não beba, não coma, não ajude a dormir nem a parar de chorar. Chore. Então escorregue. Se quebre. Deixe o peito vazar, deixe o coração expelir as impurezas. E então pinte o rosto e atravesse cada rua cantando e faça de cada dia um presente embrulhado em papel finíssimo da cor do perdão. Então ame. E repita quantas vezes puder.