quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O medo do naufrágio.

Calar é bom, por vezes. Compartilhar o silêncio, experimentar a incompreensão, aquietar a agitação, aguardar que regrida a erupção. Barco à deriva. Deito-me toda encolhida no fundo do casco e espero, como um feto que pede por cuidado. Ou o caos, ou a bonança. Minha fé indica sempre à bonança. Aproveito a tormenta para dar vivacidade ao amor, para me aquecer do que há de bom, para aguardar o que está por vir na mesma posição de esperança - apesar das ondas que insistem em derrubar o que vêem pela frente. Calada, conectada, plugada fisicamente ao que há de bom - apesar da aparente distância entre meus estados emocionais. Abraçada às esperanças sob a mesa da sala, enquanto o teto ameaça ruir sobre minha cabeça. Esperava sol e folia para sempre, embora soubesse que o para sempre, sempre terá um fim. A realidade golpeia meus sonhos e desejos, e não é raro o medo do naufrágio nos dominar nessa hora. Mas mesmo diante do medo vou aprendendo a atravessar as conturbações no tempo, a vencer os obstáculos internos - os antigos e os que ainda virão. Assim: abraçada ao meu abrigo frágil, fundidos em carne e em desejo, para o que der e vier. A resposta vem com a manhã. O dia raia no horizonte, a luz penetra pelas frestas da janela, e antes de abrir os olhos confirmo o que de fato importa. Estou deitada junto à minha tranquilidade. Quieta, entrelaçada, agarrada à tábua cada vez mais firme da minha esperança.

Um comentário:

Michele disse...

Yasha, cheguei aqui pelo blog da Intense! Claro que quis ver quem era a amiga que tinha lhe enviado presentes tão fofos! E acabei gostando do seu canto, muito mesmo!

Quanto ao post, quem perde a esperança, perde tudo! É preciso sim se agarrar a ela, mesmo quando o medo toma proporções muito maiores do que desejamos ou esperamos que ele tenha!

Acredito ainda em finais felizes, como aquele velho clichê: "se não há um final feliz, é porque ainda não chegou o fim"!

Um beijo!
:)