domingo, 4 de abril de 2010

Do mês que voou e doeu em mim.

Este mês estava escrito como o mês do recomeço, o mês da “Amadurecência” do Teatro Mágico... E ele voou como eu já previa. Faltou tempo durante os dias e sobrou correria e sorrisos soltos ao vento. Veio também a dor, através de um telefonema, me visitar num desses dias, e ela ainda permanece até hoje e não me disse quando vai embora, bater a porta, não mais voltar. O telefonema do dia dezesseis me dizia que ela tinha voado para longe de mim, a minha vovó, e que eu não podia ir vê-la porque estava longe demais para isso. A partir daí eu quis cair e me disseram que eu não podia fraquejar. Quase que me deixo levar pelas emoções e, vez em quando, ainda preciso me lembrar de coisas que me fazem seguir em frente para que isso ocorra. Tudo se tornou mais difícil depois daí, longe de casa.

E então todo dia eu acordava e tentava me separar dela. Levantava, guardava os meus sonhos na gaveta da velha cômoda e trocava o pijama. Tentava sem pensar se era certo ou errado. Saía de casa em rotineira condição. Reparava em minha própria sombra no chão e sentia falta da outra que sempre esteve ali ao lado. Como enganar o pensamento de algo que se quer pensar, mas não se deve? Como enforcar o que se sente para não mais sentir? Não sei.

Todo dia eu acordava e tentava me separar dela. Seguia meu caminho e buscava outros prazeres. Preenchia as lacunas de pensamento com chocolate e música. Trocava a colcha da cama, que era dela, para que nada me lembrasse o que eu não deveria lembrar. E diante do espelho me convencia de que tudo isso era essencial. Chega uma hora, na vida, que temos que escolher certas medidas de segurança. É quando percebemos que só nós podemos nos salvar. Então, fica ajustado assim: eu me salvo e você se salva. E a gente se vê qualquer dia. No último instante da história ou, quem sabe, nunca. Só em sonhos. Daqueles que guardamos nas gavetas da velha cômoda.

Todo dia eu acordava e tentava me separar dela. Pagava contas, anotava recados, ia ao cinema, pegava trânsito e parecia seguir em frente. Me separava dela e de tudo o que eu não queria mais viver. Pois o tempo não se curva. Faz tempo. E foi a curva da estrada que tirou ela de mim.

E todo dia eu acordava e me separava dela mais um pouco... Enquanto passavam os dias... Dezoito, dezenove... O tempo sorria do meu esforço diário. E assim, todo dia eu acordava e me separava dela de novo. E preenchia mais gavetas, com mais sonhos improváveis. Porque chega uma hora, na vida, que temos que adotar certas medidas de segurança. E andava pelas ruas somente com a minha sombra e tudo parecia estar no seu lugar. Parecia seguir em frente. E, assim, ia me separando dela, em frações de tempo, todo dia de manhã quando acordava.

O problema é que toda noite eu adormecia e a trazia para perto de mim de novo. E até agora é assim. Ela permanece.


Saudade grande dos blogs, de vocês, e desses corredores aqui. Espero voltar logo a visitá-los. Beijo intenso. :*

2 comentários:

Dayane disse...

Que lindo, Que lindo.
saudades daqui ein menina.. Andei meia sumida também.
Amei o texto, muito forte, muita essência. Vou voltar pra rele-lo as vezes.

Beijão

.Intense. disse...

Mesmo eu, que te tenho um pouco mais perto, de outras formas, etou sentindo saudade de vc, menina Yasha.


*.*

Segura as pontas, guria. Não se afogue. E, se cansar de nadar, grita e dá a mão - a gente te leva.

;)
=*