sábado, 17 de abril de 2010

"...Somos feitos de silêncio e som..."

Meus dias estão mais do que corridos, mas ainda teimo em arranjar tempo de olhar pro céu. E o céu acaba nos contando tantas coisas. Hoje mesmo saí antes das oito da manhã de casa. Céu azul, nuvens descuidadas.

Em dias assim vêm à cabeça pensamentos remotos. Vontade de reconquistar planos, juntar palavras de dentro e de fora, buscar simplicidade. Não recear as frases feitas nem os sentimentos desencontrados.

Já se permitiu vontades assim? De voltar no tempo e armazenar dele só as coisas boas? De acelerar o tempo e viver nele tudo o que for realmente significativo? Olhar para o presente e lembrar-se de agradecer tudo: plenitude, tranqüilidade, harmonia.

Ousadia. Foi isso que pensei no dia que decidi deixar toda aquela proteção e vir morar nessa cidade. 27 de fevereiro. Sim, o tempo voa. Desde então já fiz tanta coisa. E isso ninguém me tira. Ter um passado, contar a própria história, tocar nos fatos através de fotografias, cartas, bilhetes, pequenos fragmentos que enchem agendas, caixas, páginas grifadas de livros. E música. Não existe nada que traga mais a memória afetiva que os fundos musicais que fazem parte dos nossos dias, que os fazem, de fato.

Hoje ao sair, antes da oito da manhã, me deparei com um senhor de idade avançada que me disse que nunca viu uma chuva tão grande quanto a que ele sabia que ia cair hoje por aqui. Olhei para o céu e vi tudo tão azul que desconfiei, mas confesso que o cinza tomou de conta do céu de repente, e realmente choveu muito. E agora me dá vontade de me embrulhar nesse dia de chuva, fazer cabaninha com o edredom e ouvir músicas antigas. Ando assim. Como esses trovões e relâmpagos que me apareceram por aqui hoje. Tentando lembrar a última vez que me senti realmente bem. Tentando colar todos os fragmentos e reunir minha história num único enredo: feliz, raro, meu de fato.
"...Tem certas coisas que eu não sei dizer..."

Um comentário:

Paula disse...

É que talvez ''certas coisas'' não foram feitas para serem ditas. A gente apenas sente :)


(...E fazia tempo que eu não vinha aqui)

beeeijo!