quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Licença Poética.

Nos últimos meses eu não fiz nenhum caminho que me levasse até você. Não como as pessoas costumam procurar a presença de quem já não está mais aqui. Não como te acompanhei quando ainda era criança, em busca dos parentes que não conheci. Às vezes penso que poderia ser igual a todo mundo: te levar rosas. Mas não seriam as mesmas rosas que colhia no caminho da sua casa, para te fazer uma surpresa já esperada. Eu também poderia colocar seu nome na listinha de orações de domingo daquela igreja lá do centro, aonde todos vão. Mas assim como você, não costumo ir àquela igreja. Nos últimos meses o meu caminho poderia ter sido igual ao de todo mundo, mas eu te procurei apenas nos lugares que sabia que poderia estar. Guardei algumas horas para ouvir as músicas que você não deixava terminar e acabei descobrindo várias outras que você com certeza iria gostar. Ponto de luz é uma delas. Queria muito tê-la encontrado antes, só pra poder te mostrar. Também te encontrei em histórias repetidas, porém inéditas pra quem não te conheceu. Os últimos meses hesitam entre o perto e o longe. Você não sabe mais de mim. E eu tento escrever sua história por garantia. Dou a ela os mesmos eufemismos singelos que sempre presenciei.

Você me fez ler Drummond hoje. As pessoas costumam rezar em dias assim. Eu procurei algo que fosse mais próximo de mim e de você. Rezei os primeiros versos de “Mundo Grande”, onde diz assim: “Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo. Por isso me grito (...) preciso de todos”. Peço uma licença poética pra te dizer isso. Outras pessoas irão nos ler e saberão que mesmo depois de quase dois anos, o meu percurso não parece querer te levar rosas. Apenas te ouço em canções repetidas e te entrego outras que certamente te faria sorrir.

Um comentário:

Alan Salgueiro disse...

Tentei mergulhar nos seus escritos e chegar ao tesouro, ao obejto, a quem dedicas as belas palavras. Cheguei a conclusão que o durante é bem melhor, não importa quem seja, pra onde vá o caminho, desde que seja o caminho lido. Desde que seja o caminho lindo, e é.

Beijo imenso!