quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

"A gente tem um céu dentro do peito e chama de coração."


Vamos comer angú[s]tia?

É fato que nós passamos por muitos momentos complicados na nossa vida e esse ano eu bati o recorde... Deus, lá de cima, deve ter dito por lá “Vou te testar, menina. Quero saber até onde você consegue ir”...

Mas nessas horas eu só procurava dizer a mim mesma que o mundo no qual eu almejava deveria existir em algum lugar do planeta. Nem que fosse apenas dentro de mim... Mesmo que ele não existisse em canto nenhum, se eu, pelo menos, pudesse construí-lo dentro de mim, como um castelo das coisas mais bonitas em que eu acredito, o mundo seria sim leve e doce, o mundo seria cheio de amor, e eu nunca mais ficaria tão mal. E, nesse mundo, ninguém precisaria trocar amor por coisa alguma, porque ele brotaria sozinho entre os dedos das mãos e se alimentaria do respirar, do contemplar o mar, do fechar os olhos diante da ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo as pessoas nunca se abandonariam. Elas nunca iriam embora porque não fomos um bom menino ou porque ficamos com os braços tão fraquinhos que não conseguimos mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, qualquer coisa que ocupe o nosso tempo, um banco de almofadas cor-de-céu, e pede aos passarinhos para não sujarem ali, porque aquele é o banco do nosso amor, do nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui há sei lá quantos anos, ele pode simplesmente voltar, sem mais motivos, para olhar o céu de mãos dadas. No meu mundo eu sou gigante, mas gigante de alma, gigante de todas as coisas bonitas que ele possui, e é exatamente por isso que eu consigo olhar pedra e ver pó e que eu consigo ressurgir a cada dia respirando um ar melhor, respirando um ar que me dá uma força inatingível de seguir e uma esperança de que o mundo como ele é possa ter um pouquinho que seja do meu mundo. Do meu mundo com seu céu empoeirado de estrelas, no qual eu passo o dedo, curiosa, observo algumas grudadas na sua ponta, olho para cima, assopro, e é tanta estrela que cai que eu mal consigo enxergar de tanta esperança.

Que toda angústia seja dissipada, estrangulada, porque nada que é ruim deve viver mais do que um segundo.


Nem parece que já faz um ano que eu estava desejando isso aqui a vocês, mas Feliz ano novo, do coração do meu coração, com tudo de bom que ele pode nos trazer, e que 2011 seja literalmente um novo ano, de recomeço. E que continuemos juntos por aqui, claro. Beijo, meus amores.

Um comentário:

João disse...

Uma coisa que eu não quero que dure muito nesse novo ano, definitivamente, são as angústias. Em 2010, elas estiveram intensamente presentes, foi ruim, mas passou... estamos vivos, certo?!

Pra mim também foi um ano difícil, onde eu tentei me encontrar sem êxito, onde eu tentei amar sem êxito, onde eu tentei encontrar coragem para seguir atrás dos meus sonhos sem êxito... =/

Que 2011 seja amável com a gente =)