quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Meu coração parece que perde um pedaço.


"-Às vezes sinto falta de mim.
-Eu também, menina.
-Sente falta de si?
-Não, de você. E dói.
[Silêncio]
-Me abraça?
-Sempre."



Está doendo, e vai doer, vai doer muito ainda. Quando cair realmente a ficha vai doer ainda mais, e mais, e mais... Por enquanto tudo o que eu consigo sentir é que algo grande me falta, porque eu ainda não acredito que era o seu rosto ali tão sereno, ontem, e que eu o vi pela última vez. Não compreender que o que a vida te dá, também te tira, sabe?

Mas eu só quero me permitir sentir isso tudo, não forçar esquecer, não segurar o choro, a tristeza. Quero chorar o quanto tiver pra chorar, e sentir, sentir cada vez mais... Não quero deixar a garganta fechada. Quero gritar quando tiver vontade, porque vai dar vontade. E chorar, chorar bem alto, ou baixinho antes de dormir. Falar comigo, falar com os outros, falar de ti. E que você vá em paz, minha anja. Só. Porque onde você está agora com certeza é bem mais leve e lindo e seguro do que onde nós estamos, e eu tenho certeza que você vai estar olhando por mim, colocando sorriso onde não tiver. Acredito que se você foi tão cedo, flor, é porque esse mundo era duro demais pra você.

A cicatriz ainda está aberta e só de esbarrar, sangra. Mas tenho certeza que você conseguiu curtir cada minuto que lhe foi dado da melhor e mais alegre forma possível - daquele jeito que só você sabia ser... E agora você vai olhar pelos que deixou nesse mundo duro e cheio de surpresas.

Ontem chorei que nem bebê. Mas não era fome, nem sono, nem birra, nem manha. Era saudade mesmo. A morte deixa uma dor que não tem cura. Mas eu sei do nosso sentimento indefinível, sem nome. Nós sabemos. Um sentimento que não morreu contigo, porque é mais forte que a vida.

Quero procurar acreditar que para aqueles que chegam ao fim, é como se estivessem chegado em um belo vale, com árvores verdes e água cristalina onde podem finalmente sentar e descansar... Não mais cair... Não mais sofrer... E quanto a nós que ficamos, só nos resta continuar caminhando... E ver o que nos reserva a próxima curva.

Vai em paz, Minéia.


"São longuinho, são longuinho, pra onde foi a coragem do meu coração?"

3 comentários:

.Intense. disse...

Minéia.

Em novembro, nós perdemos a Milene. A tarde eu passei por ela e estranhei que tivesse perdido a hora, e ela riu. Nesse dia, nós não saímos juntas do estacionamento, nem reclamamos da chuva molhar o cabelo da gente mesmo com o capacete, e nem ela sumiu na minha frente quando pegamos a avenida. Se isso tivesse acontecido, será que teria sido diferente? Não sei. Sei que, dias depois, eu olhava ela tão calma, tão quieta, tanto silêncio - ela quietinha deitada ali. E eu tinha vontade de perguntar 'menina, kd tua alegria?'

Naquela hora eu percebi que, ela era muito feliz. Ela ria lindo, dançava, fazia capoeira, academia, faculdade, era provocante, sensual, despertava comentários de todos os lados - mas era uma menina. Ela viveu em 20 muita coisa que eu não consegui viver ainda em 24. Como se ela soubesse, que tudo duraria muito pouco, sabe? Levou a alegria dela pra longe. E, se o céu for mesmo uma rave, ela deve estar puta da vida lá em cima.


Os dias amenizam a perda. Mas não dá pra esquecer não, da beleza bonita que elas tinham, e ainda devem ter. O tempo só ajuda a lembrar bonito, sem dor. A desejar o bem onde quer que esteja. E, devem estar bem sim.

Força, menina.
:*

Caféína disse...

Viver a vida, de modo intenso, é isso que essas histórias me ensinam. A gente não sabe mesmo qual a nossa hora, pra que deixar algo pra depois?

Te desejo paz, pra ajudar a viver!

Tati Lemos disse...

Oi menina, confesso que amei teu blog, seguindo aqui já!

Beijos querida, tens muito talento, canto doce esse seu aqui*