domingo, 22 de abril de 2012

"Mar e Ana"

Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, de longe, sem palavras ditas, sem sorriso largo no rosto. E se é, ela faz da situação armadura para se proteger. Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, na distância, sem conversa fiada, sem beijo estalado na testa. E se de longe tudo é mesmo pequeno, restrito, preconceituoso, quem se importa? Por fora pode até ser taxada a pré-conceitos, mas quem não se atira não sabe que por dentro ela é um mar. Mar de noites regadas a vinho, de lua. Mar de dias calmos, claros. Mar que alivia, que dá cor aos olhos, que resplandece. Mar que se apossam, poluem, destroem, se afastam, e depois percebem a importância. Cuidam, mas nem sempre salvam. Mar de mergulho fundo, para enxergar a magia que vem de dentro. Mar de pedras. Pedras que só ela vê a beleza lapidada. Mar de um minuto prendendo a respiração, olhos fechados, paciência, para ver se suporta. E sempre suporta. Mar que atrai os olhos e o sorriso das mais diferentes pessoas. Mar que guarda segredos, confissões à meia-noite. Mar que salva nos momentos mais conturbados, que tira as impurezas. Mar que disfarça o choro, que lava as mágoas. Mar de imensidão, de azul, de vida, que se desgasta quando é afetado, mas que sempre se renova, se auto renova. Eu me atiro.