segunda-feira, 18 de junho de 2012

Da melhor das amizades.

Eu te amo. E o meu amor não tem importância alguma para o mundo. Ele não desloca nenhum pássaro, flor, folha, galho, nenhum vento que se preze. É imperceptível, mesmo que os olhos desmintam. É apenas uma paisagem interna. Meu amor é algo que atravesso. Não quero que ele um dia cristalize. Nem que se transforme em tristeza. Nem que inexista a cumplicidade. Ou se torne amargo. Por isso, eu o atravesso. Continuo a atravessá-lo. Eu me atravesso a mim. Como quem desaparece dentro da chuva, ou na claridade incessante. Com vento de tempestade dentro. Arrancando todas as folhas. Com o ruído flamejante que se escuta quando um tigre beija com cuidado um pássaro caído, para não machucá-lo: eu te amo. Eu derrapo por esse lugar perigoso: o meu amor. A todo momento, essa mulher que me atravessa precisa de se lembrar de si, e de mim, e da paisagem inteira, e percorrê-la de volta, sem previsões e sem mapa. Para que seu amor finalmente se explique, e revele a substância de que é feito: a menina que fui, o céu azul, o sol intenso, e tudo que então brilhava, os bichos, os livros, o pé de acerola, goiaba com leite condensado, o branco, o limpo, o simples, e meu coração. Meu coração que não tem importância alguma para o mundo. É só uma pequena parte de todo o amor que você ainda vai receber da vida, das pessoas, talvez de um céu iluminado de tarde, apenas uma pequena parte de todo amor que você vai receber escondido, gratuito, e reservado, ou gritado, e duramente arrancado, da vida. Mas é tudo que tenho, meu coração branco para o mundo, mas em cores, e limpo, e pulsando. É com ele, e dentro, e perceptível para nós, que eu te amo. É tudo que tenho para você, para te fazer feliz com meu coração batendo, e com meu coração te guardar da noite ou dos perigos. É ínfimo e íntimo, imperceptível como um vento nos galhos, ou um acariciar no vazio, mas gigante para quem sabe ver com os olhos de dentro: o meu coração, com o amor batendo.

Por todo o amor que eu encontro em você, eu serei eternamente grata. É você quem me vê além do imperceptível para o mundo. Você é a minha força quando eu estou fraca, minha segurança, o que eu tenho de concreto, você é a minha voz quando eu não consigo falar, você enxerga o melhor que há em mim, me levanta quando eu não posso alcançar, você me dá fé quando acredita junto a mim. Eu jogo minha fé pela janela e você a traz de volta, você diz que nenhuma estrela está fora de alcance, você me apoia e eu fico de pé. Embora as mentiras do mundo, você é a verdade. Se eu tenho o seu amor, eu tenho tudo. (Sem drama, sem clichê, sem coraçõezinhos flutuando). Agora eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer quando você me entristece.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

I should even try.

Talvez ela estivesse mesmo certa quando disse que "sustentar o silêncio é, muitas vezes, mais difícil do que gritar descabelada por qualquer coisa que seja", e talvez o meu íntimo seja mais íntimo do íntimo dela do que ela pensa. É que ser, para mim, é uma coisa meio que vai na contramão de mim mesma e às vezes bate, mas eu não chamo a polícia, assumo o prejuízo que sou de declarar meu ruim e meu bom, sim, com um certo embaraço, que não ser tudo que se pode é caso de chorar no travesseiro de noite e olhar pro chão quando se cruza com quem é até o que não deve ser, mas eu sou assim. E daí vão me adivinhando, e de pedaço em pedaço vão me montando, é, às vezes encaixando na ordem errada, mas eu sei, a culpa é desse meu silêncio que fala mais alto que tudo que eu tento dizer.

I'll be sweeter. I promise. For you do not feel alone. For I do not feel suffocated. I should even try. I'll try.