domingo, 10 de agosto de 2014

Sempre haverá um amanhã.

Têm dias que acordamos e pensamos em desistir de tentar, como naquele jogo da loteria que semanalmente você aposta e nunca deu em nada, nem uma quadra, nem uma quina, nem um real de bônus. Cansa, e você desiste. Mas acontece que têm dias que você acorda e vem aquela brisa de esperança, aquele sonho com números durante a noite, aquela sensação que dessa vez pode dar certo, aqueles dedos cruzados na torcida, aquela superstição, aquela vontade, e você sai correndo e aposta, e confia novamente, e dá uma chance. E sabe de uma coisa? Às vezes dá certo, às vezes não dá por um número, mas em compensação, te dá uma confiança enorme em apostar outra vez.

Na nossa vida acontece da mesma forma. Há pessoas que passam por ela e deixa aquela bagunça, coração para um lado, corpo para o outro, paredes sujas, cacos de vidro no chão, e você se corta. Cansa, e você desiste. Mas têm dias que você acorda com força de recomeço, e, de repente, aparece alguém disposto a pintar suas paredes de vermelho, a limpar os cacos de vidro no chão, a cuidar das feridas que ele causou nos seus pés, colocar o coração no lugar que deveria estar, recompor seu corpo. Alguém que não pede nada além de você ali, inteira. Alguém que faz com que você queira se reconstituir, esquecer os cacos de vidro e olhar para frente. Alguém que te dá uma confiança enorme em apostar outra vez.

Eu aposto.